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Ambiente
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Hoje em dia Cousteau seria
multado
100 anos de Cousteau: Calypso de volta ao mar
por Luís Peazê/Clínica Literária
-- Publicado em 08/06/2010 15:35
Às vésperas do aniversário de 100 anos de Jacques Cousteau, um ícone da paixão pelo
ambiente marinho, seu famoso barco de pesquisa, O Calypso, é relançado ao mar, após
mais de uma década de esforço de restauração.
O lendário explorador marinho, inventor, inovador, cineasta e ativista ambiental
Jacque-Yves Cousteau nasceu em 11 de junho de 1910, na pequena cidade de Saint André
Cubzac do sul da França. Haverá um ano de celebrações de seu centenário em vários
países do mundo, incluindo o Brasil (em Brasília e Minas Gerais). Um desses eventos,
anunciado nesta terça-feira 8 de junho, em Paris, é o relançamento da embarcação
emblemática, o Calypso, ligada à figura e às contribuições singulares de Cousteau.
Hoje em dia Cousteau seria multado
Durante os últimos onze anos a viúva de Cousteau, Sra.
Francine Cousteau, presidente da Sociedade Cousteau e da Equipe Cousteau, duas entidades
distintas fundadas por seu marido, trabalhou com o objetivo inabalável de restaurar essa
embarcação mítica, para ressuscitá-la como inspiração para futuras gerações,
educação e ciência. Ainda, segundo a Sra. Cousteau, falta muito para reformar
internamente a embarcação. Mas as obras necessárias para seu relançamento foram
concluídas, inclusive com adaptações às novas leis e regulamentações navais
ambientais da França. O Calypso será relançado ao mar inaugurando a novidade
legislativa ambiental francesa categoria embarcação clássica.
É curioso observar que Cousteau, exemplo de paixão e preservação do mar, utilizava há
poucas décadas atrás uma embarcação que não seria hoje em dia aprovada pelas leis
ambientais da França.
A primeira missão do novo Calypso será a filmagem de um documentário, pelo filho
Pierre-Yves Cousteau, filho do casal Cousteau, e da National Geographic, que buscará
contrastar as condições do Mediterrâneo de hoje com aquelas dos primeiro filmes do
próprio Cousteau (pai) feitos em 1940.
Calypso na mitologia grega era a ninfa que prendeu Ulisses na ilha Gozo. A embarcação de
Cousteau apropriou-se de seu nome e passou a dividir simbologia na mente das pessoas.
Calypso foi originariamente um varredor de minas de guerra, da Real Marinha, com o
prosaico nome J-826, encontrado por Cousteau em 1951. Suas expedições, perpetuadas na
história, foram interrompidas em janeiro de 1996 quando foi abalroado por uma draga no
porto de Singapura. Naquela data Calypso era alugado por Cousteau, mas, após dolorosa
experiência da equipe de Cousteau, para resgatar a velha dama dos mares foi
vendida pelo neto e herdeiro de seu antigo proprietário, Loel Guinness pela quantia
simbólica de um franco.
Outra curiosidade é o aniversário de Cousteau coincidir com o aniversário da Batalha do
Riachuelo, 11 de junho, episódio histórico emblemático para o Brasil celebrado pela
Marinha brasileira.
Felizmente, hoje em dia podemos nos envolver em batalhas que não dependem de uma Guerra
do Riachuelo e de varredores de minas, mas sim contra a nossa própria ignorância e o
deslumbramento do ambiente marinho, o qual histórias como esta, envolvendo o Calypso, e
de homens como Cousteau nos ensinaram a amar.
Mais
informações no URL: www.cousteau.org/media/pressroom
Ambiente
Marinho - Jornalismo - Mundo
Desastre com petróleo na Amazônia,
pior do que no Golfo do México
Por Bob
Herbert, New York Times 05/06/2010 traduzido por Luís Peazê/Clínica Literária
-- Publicado em 06/06/2010 11:35
O New York Times
tem a reputação de ser um dos mais confiáveis jornais do mundo. A questão do sigilo
das fontes tem estado na pauta permanente das redações, e o NYT deu um passo corajoso,
recentemente, decidindo impor aos seus repórteres que revelem suas fontes, internamente,
as suas chefias ou editores superiores. Contudo, nunca ficou claro se esta medida envolve
integralmente os artigos "Op-Ed", editoriais de opinião assinados por
articulistas invariavelmente conhecidos do público. Neste sábado último, Dia
Internacional do Meio Ambiente, um artigo publicado com destaque no topo direito da sua
primeira página, reesquenta um processo antigo contra a empresa Texaco (fundida na
Chevron U.S.A.) que seria o maior crime ambiental do mundo, cometido na floresta
amazônica equatoriana, muito maior do que o acidente da BP no Golfo do México.
O artigo de Bob
Herbert se refere ao processo judicial em curso contra a Texaco-Chevron. O caso traz à
tona o assassinato de um advogado, acusações de implantação de notícia, lobistas de
Washington, DC, e, outros detalhes que em grande parte renderam o roteiro para o
documentário "Crude", de Joe Berlinger, diretor, fotógrafo e jornalista.
Em 7 de maio
último, o mesmo NYT publicou matéria que interessa não só aos jornalistas do mundo
todo, posto que se refere à decisão judicial de revelação de fontes, mas a qualquer
cidadão comum também, posto que, em termos de jurisprudência, abre um precedente
perigoso e de difícil projeção.
Como parte de sua
defesa, a Chevron demandou o acesso a 600 horas de filmagem do documentário
"Crude", do diretor Joe Berlinger, afirmando que ali haveriam provas de
corrupção e má conduta por parte dos seus acusadores - supostamente os povos
indígenas da floresta equatoriana. Joe Berlinger argumentou que seu trabalho estava
protegido pelo privilégio de jornalista, o qual lhe garante o direito de não revelar as
suas fontes ou divulgar material confidencial. O juiz Lewis A. Kaplan, da Corte Distrital
Federal de Nova Iorque, entretanto, concedeu à Chevron o acesso ao material.
Segundo Kaplan, o jornalista realmente se qualifica para o tal privilégio, mas as
condições deste caso que superariam este privilégio foram evidenciadas.
Se for levado a
sério pelos investidores da bolsa de valores, esse artigo fará despencar o valor das
ações das empresas da indústria de petróleo, a começar pela Chevron; se for levado a
sério pelos governantes, deflagrará uma corrida por aplicação das leis e
regulamentações ambientais (existentes) que preservam a vida, a integridade física de
humanos e animais e do meio ambiente; se for levado a sério por todos os cidadãos do
mundo, os responsáveis por acidentes ambientais não ficarão mais impunes. Os mais
céticos acham ingênua esta última previsão, mas ainda há pelo menos mais três a
considerar:
Primeiro, é hora
de virar os holofotes da imprensa para a atuação de advogados envolvidos em grandes
causas, especialmente ações financiadas por eles mesmos. Segundo, nem o confiável
New York Times deve ficar longe de nosso observatório crítico. Terceiro, esta questão
da revelação das fontes é um nervo dilacerado e exposto que temos que tratar
imediatamente, pois esta decisão em Nova Iorque significa algo que ninguém pode calcular
de imediato para o jornalismo "pós Kaplan".
Leia tabmém neste web site artigode Robert Redford em defesa aos jornalistas
e cineastas independentes, traduzido por Luís Peazê
A empresa Chevron U.S.A.
mantém várias páginas online com relatórios detalhados sobre o caso e afirma que tudo
não passa de "GRANDES
MENTIRAS", implantadas na imprensa pela Relações Públicas Karen Hinton, (contactada
durante este fim-de-semana por este observador) que atua em Washington, DC e contratada
pela firma de advogados que originaram o processo, ao contrário de parecer que o mesmo
partiu de indígenas equatorianos.
Há declarações
publicadas online de advogados envolvidos no caso de que não se trata de um "pro
bono", situação em que advogados não cobram pelos serviços prestados, e sim uma
expectativa lucrativa para a firma... Há também histórico de reportagens de um caso de
assassinato de um advogado envolvido em processo contra a Chevron... Esta história
continuará, leia mais aqui em breve. [Observação
do Tradutor e Jornalista Luís Peazê que trocou vários e-mails durante este
fim-de-semana com os advogados e relações públicas citados no artigo abaixo].
[o artigo
de Bob Herbert na íntegra]
O comportamento calamitoso da BP no Golfo do México é a grande história do petróleo do
momento. Mas por muitos anos, indígenas de uma antiga região intocada da floresta
amazônica, no Equador, têm tentado compensação de uma empresa americana, a Texaco
(fundida com a Chevron), para o que é descrito como a maior catástrofe ambiental de
todos os tempos relacionada com petróleo.
Considerando
horrível o derramamento do golfo, o que aconteceu na Amazônia foi pior, disse Jonathan Abady, um advogado de Nova
Iorque que faz parte da equipe de advogados que processa a Chevron em nome de habitantes
da floresta amazônica.
Tem sido
uma briga longa e feia e os resultados são incertos. Mas o que aconteceu na floresta
amazônica é doloroso, embora não tenha recebido nem de perto a cobertura da mídia que
recebe o derramamento de óleo da BP.
O que não
está em disputa é que a Texaco operou mais de 300 poços de petróleo na melhor parte de
três décadas numa vasta área do norte da região amazônica do Equador, ao sul da fronteira com a Colômbia. Grande parte
dessa área tem sido horrivelmente poluída. As vidas e a cultura dos habitantes locais,
que pescam nas intricadas aquavias e cultivam a terra, como faziam seus ancestrais
através das gerações, têm sido impedidas de maneiras que levam à miséria
generalizada.
A Texaco
veio explorar o petróleo nesta delicada paisagem antiga no início dos anos de 1960, com
toda a sutileza e graça de um exército invasor. E, quando ela saiu, em 1992, deixou para
trás, de acordo com o processo judicial, contaminação tóxica generalizada que devastou
a subsistência e tradições das pessoas locais, e um preço severo para suas saúdes e
bem estar.
Um resumo
da acusação dos reclamantes diz: Ela (a Texaco) despejou deliberadamente muitos
bilhões de litros de resíduos de produtos derivados das perfurações de petróleo
diretamente em rios e igarapés da floresta amazônica, cobrindo uma área do tamanho de
Rhode Island. Revirou mais de 900 aterros de resíduos do chão da floresta aterros
estes que até hoje liberam lixívia de resíduos tóxicos para o solo e águas
subterrâneas. Queimou centenas de milhões de metros cúbicos de gás e resíduos de
petróleo na atmosfera, envenenando o ar e criando chuva negra, a qual inunda
a área durante as tempestades tropicais.
Pela sua
própria natureza, a busca pelo petróleo é colossalmente destrutiva. E as empresas
gigantes de petróleo, quando deixadas ao sabor de seus próprios dispositivos, tratarão
até mesmo as mais magníficas maravilhas da natureza como um esgoto. Mas as riquezas que
são produzidas são tão vastamente corruptoras que os governos se recusam a impor tipos
de fiscalizações rígidas e garantias que mitigariam os danos ao meio ambiente e
habitantes humanos e animais.
Escolha um
lugar. As famílias cujas vidas e cultura são dependentes da intrincada rede de águas
navegáveis ao longo da costa do Golfo dos Estados Unidos estão em uma situação
semelhante à dos povos indígenas arrasados pelo derramamento contínuo de óleo e pela
poluição relacionada com o petróleo na floresta equatoriana. Cada um desses grupos
está temeroso quanto ao seu futuro. Ambos têm sido tratados com desprezo.
As
empresas de petróleo não se importam. A Shell não pode esperar para começar a perfurar
no Oceano Ártico, ao largo da costa do Alasca, uma área que imporia problemas
monumentais para qualquer um que vier a lidar com um derramamento catastrófico. As
empresas disfarçam que os derramamentos não irão acontecer. Elas sempre dizem que suas
operações de perfuração são seguras. Elas disseram isso, antes de perfurarem na costa
de Santa Bárbara, na floresta amazônica do Equador, no Golfo do México e em qualquer
outro lugar que elas perfuraram.
Suas
garantias não significam nada.
O
Presidente Obama suspendeu a permissão de perfuração da Shell no Ártico e parou
temporariamente a chamada corrida do Ártico por petróleo. O que nós temos aprendido
neste desastre da BP no golfo, e daqueles da floresta amazônica, e de tantos outros
lugares, é o quanto as empresas de petróleo são imprudentes e incapazes quando se trata
da garantia da vida, integridade física e meio ambiente.
Elas são
perigosas. Elas precisam fiscalizações mais rigorosas, e sanções mais rápidas e
severas para infrações sérias. Ao mesmo tempo, precisamos procurar alternativas
viáveis de energia com muito, muito mais senso de urgência. Tratar a Amazônia, o Golfo
e o Ártico como se fossem nada mais do que sítios de resíduos tóxicos é uma afronta
ao planeta e a todas as formas de vida que nele habitam.
A Chevron
não acredita que deve ser chamada para prestar contas sobre os pecados que a Texaco tenha
cometido na Amazônia. Um porta-voz me disse que as alegações de danos ambientais foram
imensamente superestimadas e que, mesmo que a Texaco tenha causado alguma poluição, ela
já fez a limpeza e chegou a um acordo com o governo equatoriano, o qual excluiu a sua
responsabilidade.
Os
residentes indígenas podem estar sofrendo (estão em situação muito pior do que as
pessoas na costa do Golfo), mas o povo lá da Chevron-Texaco se sente muito bem. O
dinheiro foi ganho, e o lixo foi deixado para trás.
Artigo original: http://www.nytimes.com/2010/06/05/opinion/05herbert.html
Nota do tradutor e jornalista Luís Peazê :
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material sobre o assunto)
*Luís
Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de
"Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária
Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal,
entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e
costeiro www.luispeaze.com/brcostal

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