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best_road_big.jpg (21352 bytes)Se eu soubesse antes
13/02/2009 por Luís Peazê 

Quantos de nós já fizemos esta pergunta: se eu soubesse antes? Estamos falando de negócios, é claro, business. E no caso do e-business, novidade que já nasceu com o estigma de envelhecer à velocidade da luz, então...

É comum o empreendedor, de qualquer tamanho, ter o impulso de um investimento, às vezes apenas de muita energia e nenhum cash, e, antes mesmo de implementar a sua “sacada”, perceber que todo o mercado já a utiliza, ou, pior, ela está ultrapassada.

Há também a situação em que passou-se algum tempo desenvolvendo um negócio na internet, quase dois anos e nada, e quase dois anos em internet é uma década; colheu-se alguns frutos no início, o negócio mingou, tendeu a estabilizar-se; pensou-se que a nossa rede era a fragilidade, aumentou-se-a, e nada; mexeu-se daqui, dali e agora, a pergunta: como fazer para dar o salto? Sem falar daqueles que compraram um kit com 60 milhões de e-mails e o retorno do blast” via mala direta eletrônica gerou menos, muito menos do que ½% de respostas; e menos de ½% das respostas geraram interesses em nossa oferta; interesses esses que não retornaram após a nossa resposta; percentuais regressivos e gradualmente diminuindo até chegar a resultados financeiros menores, muito menores do que os “sonhados”.

É a partir de situações como estas que começamos a aprender e chegamos à tal pergunta: se eu soubesse antes? Que fica martelando na nossa mente.

Se você identifica-se com este cenário a boa notícia é: agora você sabe. Mas, e aí, o que fazer?

O mal necessário

Muito antes da Internet eu utilizava uma frase, arrogante, confesso, toda vez que deparava-me com um negócio feito a facão. Às vezes se tratava de uma boa idéia; mas eu dizia: o sujeito não tem noção do que seja uma nota fiscal e quer ser empresário. Bem, após conhecer muitos empresários de sucesso que continuaram a desconhecer todo o universo que permeia a famigerada NF, felizmente desisti da arrogância e enfiei a minha viola no saco. Mas descobri o que me incomodava. Incomodava-me o fato de boas idéias, bons serviços, bons produtos, tudo bom exceto o conhecimento do mal necessário não ter sido levado em conta na implementação e desenvolvimento dos negócios, particularmente no Brasil.

O que eu quero realçar aqui é a importância do mal necessário, na verdade são pré-requisitos que temos que preencher antes e durante o desenvolvimento de qualquer negócio. Algumas pessoas os têm por intuição, quem não tem, ora, é só apanhá-los na prateleira. São eles: a) os fundamentos da administração de empresas; as cinco funções orgânicas teorizadas pelo precursor Fayol: planejar, organizar, controlar, coordenar e comandar; mesmo que organicamente uma ou duas pessoas apenas realizem todas as tarefas; b) documentar, documentar, documentar, o maior dos males necessários. Depois não adianta coçar a cabeça com aquela perguntinha...

Seguem três leis básicas para evitá-la:

1-     Pare tudo, desconecte-se por completo e apenas retorne para o computador online quando estiver acordado com você mesmo que a aprendizagem sobre o que você quer fazer é fundamental. Passe a aprender continuamente, seja especialista no que você pretende oferecer, ou, dito de outra forma, não ofereça nada que você não domine; esta prática deve ser continua, esteja sempre buscando a atualização, a reciclagem; lembre-se que os casos de maior sucesso na Internet são assinados por quem sabe mais sobre o seu próprio negócio; e tenha em mente, no marketing da Internet a única aposta segura que podemos fazer é que a única estabilidade, ou constância, são as taxas de mudança, renovação, novidade, altíssimas;

Lembre-se: a maioria de nós aprende por três caminhos básicos: (a) através de especialistas que tornaram-se ícones em seu nicho de negócio; (b) através de pessoas que seguiram ou estão seguindo o nosso mesmo caminho, e: (c) pelo erro e tentativa de nossos próprios meios e resultados. Escolha o que melhor se ajuste a sua personalidade e siga em linha reta. 

2-     Todos os caminhos na Internet levam a um mesmo destino, mas você deve tomar um único caminho para chegar lá. Fuja do ciclo vicioso: tentar-um-novo-produto/sistema, tornar-se-desencorajado, descartá-lo-e-tentar-outro-novo-produto/sistema; adote um caminho, aprenda o máximo sobre ele (já vimos a importância disso anteriormente) e não se deixe distrair pela novidades; apenas tome conhecimento sobre elas e resista, você está agora no caminho da especialização; quem sai correndo para todos os lados não chega a lugar algum;

3-     Planejamento, mas antes de enveredar por ele, tome novo fôlego. Pare por três ou quarto semanas para reorganizar-se. Durante este tempo, de reciclagem, faça uma varredura no seu computador e prateleiras; construa uma lista; decida honestamente qual o caminho, o produto, o sistema, é mais compatível com a sua personalidade e principalmente habilidade; lembre-se de que fazemos melhor aquilo que gostamos.

Aí sim, comece a planejar o seu negócio, o seu novo negócio, e, uma última dica: não compre, não decida, não comece nada por impulso. Copie, leia, releia, estude um, dois ou mais dias antes de tomar uma decisão, pois agora você já sabe.


O dia em que o mundo virtual
desapareceu, ficou real

20/01/2009 por Luís Peazê

Há um case antigo, secular, de marketing, do qual talvez os novos (com menos de 30 anos de idade) gurus da internet nunca tenham ouvido falar, ou, se ouviram, o entenderam como um momento comic relief, aquele gag dos filmes de ação para relaxar a platéia... Refiro-me ao caso da estrada de ferro no velho oeste americano... LEIA MAIS>>>


Luís Peazê é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de Por Quem os Sinos Dobram de Ernest Hemigway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria, Traduções, Editora e Agência de Notícias. www.luispeaze.com  Foi programador e analista de sistemas nas décadas de 1970/80, publicitário, analista de marketing e empresário fabricante de componentes para life style products nos Estados Unidos e Austrália. Reprodução somente com a autorização e indicação da fonte Copyright Clínica Literária 2009.



Falta pouco para nunca mais lermos jornais do mesmo jeito
O jornal online mudou alguma coisa na imprensa? Procurei um especialista em Internet para especular sobre um certo traço Leia mais>>>

 

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Sécurité! Sécurité! Sécurité! Traduções de notícias do estrangeiro soçobrando!

 

O que você faria, se ouvisse no meio de uma metrópole uma voz apreensiva sussurrando, no seu ouvido, a chamada do título? Se for um cidadão de qualquer profissão exceto do jornalismo, pensará que está ficando louco, ouvindo vozes do além. Mas um jornalista entraria em estado de alerta; em seguida iria querer saber de onde exatamente está vindo; daí em diante é a rotina de apurar, apurar, apurar e, às vezes, traduzir corretamente antes de publicar a notícia.

 

Recentemente fui pego como um cidadão comum pela notícia de que Mike Tyson envolveu-se em confusão numa boate de São Paulo, e li a matéria. Andava meio nocauteado de tanta notícia incerta sobre quem seria indicado para punição na CPI do mensalão, e fiz um desvio para, como dizem os americanos, “limpar o sistema” (em português talvez fosse melhor traduzir “clean the system” para “zerar a paisagem mental”, mas, pensando melhor, às vezes a coisa envolve zerar-se espiritualmente (com uma notícia sobre Mike Tyson?), deixemos como está). Pois o que aconteceu foi eu ser nocauteado de vez, literalmente – pela tradução das respostas do famoso e bizarro boxeador.

 

Você diria, muito circunlóquio, não fui direto ao ponto. Paciência, trabalhar com tradução é assim, parece que vai ser fácil, mas nunca é. Contudo, é instigante, e vamos direto ao ponto, o espaço aqui é pequeno, como nas redações, onde a pressa é um vício da notícia:

 

Após ler várias frases entre aspas, traduções de respostas de Tyson ao repórter, desconfiei que havia sérios problemas de interpretação do tradutor. Ao final não tive dúvidas dos danos na e da notícia. Deduzi que a causa fora a pressa do redator ou a sua falta de experiência, injustificável em qualquer dos casos, mesmo que repórter, tradutor e redator tenham sido a mesma pessoa, ou não. A partir daí farejei uma notícia subjacente, ouvi um sussurro e fui investigar. E a notícia é: as traduções de notícias estrangeiras e de entrevistas com personalidades internacionais estão com sérias avarias, soçobrando em alto mar.

 

Bem ao final da entrevista com Tyson o repórter coloca entre aspas uma de suas respostas, assim: “tudo o que eu quero é ser deixado sozinho”. Dois parágrafos acima, Tyson havia revelado que após o seu declínio no Box, sentia-se abandonado, logo conclui que a frase traduzida, com problemas, teria sido “all I want is to be left alone”. A nossa língua também quer ficar em paz, ela não precisa levar tantos socos assim. Problemas como esse soçobravam ao longo de toda a matéria, que contou com um colaborador, dois jornalistas, e sabe-se lá quantos mais a leram antes de ir para as páginas (impressas e digitais) do jornal.

 

Minha pesquisa na Internet e em jornais impressos prosseguiu, tendo prospectado uma fábula de lixo perigoso, tanto na superfície dos textos traduzidos, de notícias reproduzidas de agências internacionais, quanto em suas profundezas. A última notícia, traduzida da Associated Press, que provocou este aviso de acidente no mar da informação jornalística, foi a de um australiano e de um neozelandês náufragos, encontrados à deriva num bote salva-vidas no 11o, digo, 12o dia.

 

A manchete anunciava um dia a menos de deriva, até aí tudo bem. Mas logo no primeiro parágrafo uma frase soou como um direto no queixo. Os homens estariam trazendo um motor de iate de 60 pés para um cliente de Sydney, Austrália. Ora, o texto abria com a localização da notícia em Hanói, Vietnam, como poderiam estar “trazendo” algo? Certamente eles estavam levando, assim como a gramática e a mente do leitor estiveram levando uma surra. Mas o pior estava para vir. Investiguei no texto original de AP e de outros veículos chineses e australianos (graças à Internet) e descobri que os pobres náufragos levavam um “motor yacht”, que é um tipo de veleiro equipado com um possante motor, podendo fazer longas viagens sem utilizar as velas. Descrição irrelevante para o leitor em português, pois, quem é do ramo se refere a “motor yacht” assim mesmo, e tanto faz, continua sendo veleiro. Grande. A propósito, tinha 20 metros, portanto, 6 pés a mais do que o noticiado. Quem é do mundo dos barcos sabe quanta diferença isso faz.

 

Bem, o texto era um acidente atrás do outro. A frase ao final, sem edição, sem copy desk, e com muita pressa ou pouca atenção, dispensa comentários: “Nos aconchegávamos juntos um ao outro como dois bebês para nos mantermos aquecidos durante a noite”. Durma-se com um barulho desses!

 

Entre a matéria do Tyson e esse naufrágio, encontrei muitas outras semelhantes, isto é, com problemas graves de tradução. Não cito nomes porque não se trata de um patrulhamento gratuito, nem pensar. Mas de um chamado de “distress”, um alerta de problemas no horizonte, um apelo para que um salvamento seja posto em curso, bens e vidas podem ser salvos. Por falar nisso, pelo código de comunicação náutica, as expressões Sécurité! Sécurité! Sécurité! May Day! May Day! May Day! Help! Help! Help! S.O.S não querem dizer exatamente a mesma coisa.

 

O aviso se justifica porque uma dessas expressões utilizada na ocorrência errada pode causar pânico, ou socorro tardio, e, no caso das traduções de notícias, é tão fácil resolver, não há necessidade de danos maiores.

 

Conversando com cientistas da oceanografia tenho ouvido freqüentes reclamações quanto a péssimas traduções, assim como de descrições impróprias em textos jornalísticos sobre eventos científicos em geral. Isso não deixa de ser um problema de tradução, interpretação. Assim, o público está recebendo desinformação, é aí que está o problema. Por isso, caros colegas (repórteres, chefes de redação, diretores e donos de veículos), já que a Internet, os editores de texto, os dicionários temáticos e de expressões idiomáticas on-line facilitaram tanto a vida da gente, não custa investir um pouquinho mais de atenção na hora de traduzir e interpretar, pelo menos.

 

Atenção, revisores de plantão: este texto foi escrito, propositalmente com pressa, em exatos 40 minutos, com base no repertório memorizado, portanto, mãos à obra.


 

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