head estudo trip to z 3.jpg (266951 bytes)

colunas.jpg (2419 bytes)

servicos da cl.JPG (5342 bytes)       loja do peaze.JPG (3248 bytes)

Share/Bookmark

figura1.jpg (5432 bytes)

figura1a.jpg (6228 bytes)

figura2.jpg (4823 bytes)

figura3.jpg (3455 bytes)

figura3a.jpg (4476 bytes)

figura4.jpg (2917 bytes)

figura5.jpg (3428 bytes)

figura6.jpg (3208 bytes)

figura7.jpg (5144 bytes)

figura8.jpg (2243 bytes)

figura10.jpg (2681 bytes)

figura9.jpg (1781 bytes)

Share/Bookmark

 

 

O conteúdo deste site é propriedade intelectual privada e toda e qualquer reprodução do mesmo em parte no todo sem a prévia autorização será considerada violação de direitos autorais e estará sujeita a ação penal. Para permissão e-mail

bandeirabrasilchina.jpg (4386 bytes)Esporte - Comportamento - Jornalismo - Mundo
O Brasil é o culpado da derrota do Brasil

por Luís Peazê       Publicado em 03/07/2010 16:45

Eusébio, veterano jogador do Benfica de Portugal, que eu vi jogar no Gigante da Beira Rio na década de 1970, um dia antes da partida de Brasil e Holanda, declarou que esta seria uma Copa para esquecer. Nem tanto, ou, de jeito nenhum, pelo menos no Brasil não podemos esquecê-la, nunca. Mas sem dúvida a Copa do Mundo na África entra para a história como uma Copa no mínimo diferente.

Para começar, a África nunca mais será a mesma. Foi recolocada no mapa, do inconsciente coletivo mundial. Embora seja incrível como o público e a imprensa em geral só se importem no mapa mundi com as áreas terrestres. As matérias periféricas de cobertura da Copa, para preencher a falta de informação sobre o futebol, nunca foram além de algumas praias locais. Num ponto de união de dois macros sistemas oceânicos; por ali circulam as mais significantes correntes marinhas, ondas gigantescas e sistemas de verdadeiros rios atmosféricos cujos ventos predominantes influenciam grande parte do clima e temperamentos (termômetro, formação de nuvens, precipitações pluviométricas) regionais sobre a Terra; ambiente marinho dos mais críticos do planeta; rota descoberta não só de um caminho para as Índias, no passado alternativa ao Mediterrâneo, hoje em dia um corredor marítimo sócio-econômico imprescindível. Nos tornamos essencialmente terráqueos, apenas. Por um certo prisma, posso dizer que nos reduzimos mentalmente a menos do que éramos há quinhentos anos atrás.

Quanto à participação conturbada do Brasil na Copa do Mundo da África, procura-se o culpado pela nossa derrota. Mas é uma procura revestida de algo diferente, que paira no ar. Confesso que pessoalmente fiquei com a sensação inexplicável de ausência de algo... Eu realmente estava preparado para assistir o Brasil na final da Copa... Mea culpa. Já fazia prognósticos, sobre com quem o Brasil disputaria o título... Torcia para que o Brasil ganhasse... Acreditava no Dunga, apesar do Dunga.

No sábado, sentia uma certa ressaca, e o ritmo que percebi nas pessoas na rua era semelhante ao meu. Parecia que tacitamente as pessoas decidiram fingir que estavam de ressaca. Foi assim no barbeiro.

Cheguei e o João nem me reconheceu. Arregalou uns olhões de negão, parecendo o Robinho logo no início do jogo contra a Holanda. Não entendi. Logo em seguida João estendeu a mão e me cumprimentou. Senta aí, já vou acabar aqui o doutor. Fazia a barba do delegado. Passaram-se longos dois ou três minutos e nenhuma palavra no salão do João. Só o barulho da gilete escanhoando o delegado e a minha respiração procurando o jornal do dia misturado entre as folhas do jornal de ontem, ainda com as manchetes e promessas de vitória da seleção do Brasil.

Porém, bastou eu lamentar a nossa seleção de Gana não ter convertido em gol aquele pênalti no último segundo, começamos a discussão sobre o culpado da derrota do Brasil. Nós três falávamos ao mesmo tempo. Cada um tinha uma opinião. Imprecisa. Inconclusiva. Incoerente.

A explicação

Isso me fez pensar, se não teria sido a prometida coerência de Dunga a culpada pela derrota do Brasil. A derrota, neste caso, teria sido nada mais nada menos do que a coerência do Brasil com o Brasil. Onde se promulga uma lei para impedir políticos corruptos de candidatura, e com o mesmo “token” se emite liminares para que políticos corruptos se candidatem.

Somos os melhores, mas perdemos. Jogamos um primeiro tempo como campeões, fazendo o Cruyff arrepender-se de não ter pago a entrada para ver o jogo, e perdemos no segundo tempo jogando pior do que as Coreias. Por muito menos vimos japoneses e africanos chorando atirados no gramado, mas nem isso nós vimos em nossos jogadores. Tudo foi muito estranho, sem explicação, mas acho que tudo foi muito coerente, com o que somos no Brasil.

Vejamos o resumo da Copa, sejam quais forem os times da grande final. Estou torcendo para o Paraguai. Claro, sei que vou perder novamente...

Começara nos bastidores da seleção da França e refletiu no gramado. O resultado foi uma sequência de episódios para esquecer realmente, interferência de ex-jogadores, ofensa de jogador para o treinador, briga de preparador físico com o capitão da seleção, abandono de diretor de futebol em plena competição... Culminando com a falta de fair play do treinador não aceitar os cumprimentos do técnico da seleção sul africana, Carlos Alberto Parreira. Porém, tudo explicado, um fiasco visível do início ao fim.

Não foi diferente com a seleção dos Estados Unidos, que caiu de pé, mostrou espírito de luta, que, aliás, não falta para os americanos. Igualmente com a Itália, Inglaterra e Portugal, nada escandalosamente imprevisível. Seleções estas últimas com tradição de futebol competitivo, de chegada. Apenas não chegaram.

Quanto à queda precoce das seleções de países africanos e asiáticos, era mais ou menos fácil de prever. Apesar do que justifica-se o trocadilho: deu zebra no país da zebra.

No caso brasileiro uma zebra ao avesso. Isto é, não vale mais o escrito, a explicação para a seleção brasileira ter perdido para a Holanda e ter azedado a festa de duas vezes noventa milhões em ação. Perdemos porque jogamos mal, na cabeça, na dezena, na centena, no milhar, do primeiro ao quinto, invertido. Quebramos a banca. Todos os brasileiros são culpados, mesmo que o próprio Dunga pense que ele apenas tenha a maior parte da culpa. O prêmio é para todos.

Em seguida viria o gol contra registrado pelo juiz como sendo de Felipe Melo, e alterado pelo comando maior da FIFA como sendo do jogador holandês. Depois a falha de Julio César, que não saiu gritando é minha, sai, sai, sai... Na sequência ao inverso, a falta de agressividade do lateral Michel Bastos, não encurtando o espaço para o jogador holandês cruzar aquela bola morta para a área do Brasil. E o fato de a linha de zaga brasileira não ter dado um passo para frente (ato que deveria ser automático daqueles jogadores) para deixar o ataque da Holanda em impedimento, e inclusive favorecer a defesa de Júlio César. Aliás, há uma pergunta que não quer calar: o que Felipe Melo estava fazendo no lugar errado, na hora errada? Ora, lugar de cabeça de área não é dentro da pequena área, na hora de um cruzamento da intermediária.

A explicação se estende e chega ao Kaká que não jogou nada e olhava para o telão do estádio, a cada vez que tocava na bola. Ao Luis Fabiano que não conseguiu brilhar; a Robinho que não conseguiu resolver tudo sozinho; ao Maicon que não acertou mais chutes como fizera naquele primeiro gol contra a Coreia. O Lúcio e Juan também, mesmo tendo sido as exceções, têm a sua dose de culpa. Alguma culpa eles devem ter, não podem ter sido perfeitos num time que foi imperfeito na soma geral dos pontos.

Fora de campo, contudo, parece que os culpados concorrem cabeça com cabeça para a derrota do Brasil sobre o Brasil. Sim, porque a esta altura fica claro que jogávamos contra nós mesmos. E o pior é que perdemos. A começar pela infantil, inapropriada, anti-ética e patética fricção da imprensa com o técnico Dunga.

Ora, o Dunga como todos sabemos viril tanto no meio de campo quanto com a gramática e a forma de se relacionar com as pressões sociais e empresarias de seu emprego como técnico de uma seleção de futebol num mundo globalizado (em todas as acepções deste termo), não poderia ter perdido para um gorrinho. A imprensa poderia ter-lhe aplicado um belo chapéu, uma janelinha, um elástico ou até a antiga meia lua. Mas preferiu um Alex Escobar a um Mário Sérgio. Resolveu fraturar a jogada, ficar na retranca e lutar pelo empate, para disputar nos pênaltis. É fantástico, a pobreza de grande parte da imprensa brasileira. Bueno, saiu mais cedo da Copa, feito um argentino fanfarrão com o rabo entre as pernas.

Ah, sim, a jabulani, bola louca. As vuvuzelas, ensurdecedoras. A arbitragem paupérrima. A ausência de Nelson Mandela. E talvez também alguma macumba feita por quem torcera pelas convocações de jogadores como Ronaldinho Gaúcho, Ganso, Neymar e o Roberto Carlos. Até a ameaça de Maradona ficar nu, explica nossa derrota...

Feriados forçados, festas, vendas de ambulantes, cardápios criativos de restaurantes que se fantasiaram e se reformaram para os jogos da Copa, campanhas publicitárias milionárias, preservativos nas praias de Copacabana e Salvador, nas noites de Belo Horizonte, pelo Brasil afora, tudo foi perdido, todos saíram perdendo.

Uma Copa para ser lembrada que o Brasil perdeu para o Brasil porque o Brasil inteiro foi o culpado.

logostatdna.png (42200 bytes)Esporte - Comportamento - Ciência & Tecnologia
Eras Dungas

por Luís Peazê       Publicado em 17/06/2010 17:50

Era uma vez uma posição ocupada por trombadores. Coutinho, conhecido por criar terminologias, falava em fraturar uma jogada, no meio de campo. Alguns jogadores, menos privilegiados de inteligência funcional, levavam isso ao pé da letra. A idéia era não deixar a jogada prosseguir além dos 2/3 de campo. Antes que chegasse à intermediária a ordem era: ripa no cara!

Eu preferia a orientação do Seu Adão, ex-lateral do Grêmio que treinava nosso imbatível time dente-de-leite do Lansul, pelo qual ganhamos um campeonato estadual cuja taça era maior do que a maioria de cada um de nós, na época em torno dos 13 anos de idade. Seu Adão dizia que center-half deveria jogar copiando uma espinha de peixe. Distribuindo a jogada em diagonal para frente, para as laterais do campo, em passes curtos, ou lançamentos longos, ou em profusão com força, em bloco, pelo meio.

Segundo Osmar Terra, autor de Entenda Melhor as Suas Emoções, alguns jogadores possuem o tipo específico de inteligência cinestésica-corporal, que lhes permitem realizar jogadas impossíveis de explicar, de ensinar. O autor diz que, “Garrincha era um analfabeto funcional, tinha grande dificuldade de relacionamento, apresentava sinais de retardamento mental e era alcoólatra. No entanto, quando entrava em campo, parecia estar possuído por uma magia”. Era a dinâmica do dom, na prática. Os dribles e passes milimétricos de Robinho são exemplos similares, ainda que ele não demonstre aqueles problemas de Garrincha. Pois, como explicar que ele enxergara aquela linha reta, com um ponto futuro, por entre vários jogadores adversários correndo de direções diversas para bloquear a área? Como explicar que calculara a força do passe rente a grama, prevendo o tempo e lugar exatos onde Elano poderia então chutar e marcar o segundo gol da estréia do Brasil na Copa da África do Sul? Pouco se falou daquele lance de gênio. O Desenho da situação, a distância, a velocidade da bola, a trajetória por entre os jogadores correndo...

Estou trabalhando num projeto americano hiper sofisticado, chamado www.StatDna.com, que captura informações táticas ofensivas e defensivas detalhadas de um jogo de futebol e posso garantir: aquele passe de Robinho extrapola todos os parâmetros de análise.

O Brasil jogava assim, quando esperávamos de cada jogador lances de gênio, até a “era Dunga” dentro de campo. Qualquer jogada simples, qualquer toquinho para o lado, era motivo para vaia, ou frustração. Uma trombada merecia uma ofensa pessoal. Éramos os melhores do mundo, os mais habilidosos, os inigualáveis. Mas perdemos uma Copa com um time formado por monstros sagrados e a acreditamos que o jeito do Dunga jogar era um sinal de novos tempos. Que empatou com o fim do tempo dos bobos. Ironia.

Mas a história do futebol está repleta de dungas. Não muito distante, do meu tempo até hoje, posso citar o Caçapava, muito mais forte e trombador do que o Dunga. Merica, que chutava a bola, o chão, terra, grama, e a perna do jogador adversário, tudo junto. Se buscarmos exemplares na defesa, aumenta o plantel de dungas. Se avançarmos para o ataque, formamos um exército. Um certo Claudiomiro, por exemplo, se atirava sobre a defesa, entrava no gol com a bola, zagueiros, goleiro e se enroscava no fundo da rede. Era assim que fazia gols, e era carregado semi-nu nos braços da torcida ao final dos campeonatos. Talvez o Brasil tenha uma galeria muito maior de dungas do que de pelés, ademires, airtonsantos, falcões, rivelinos, zicos, robinhos e kakás.

A história registrará que, em 2010, fomos disputar a décima nona copa do mundo, no continente onde diz-se a humanidade começou, com um time que parece ter fechado um círculo completo em dois ciclos. Dunga, fora de campo, buscou montar um time de gênios e dungas, mas pode ter convencido o time a pensar como aquele antigo Dunga meia-cancha. Espírito de equipe, em detrimento da habilidade individual. O time, por sua vez, potencialmente teria ensinado Dunga a pensar como meio-gênio: imprevisibilidade. Coisa impossível de ensinar (e aprender), mas parece que a seleção brasileira atingira um ponto intermediário qualquer, e a certeza para todos nós: a era pós dungas virá a partir de julho. Pode ser Dunga ao quadrado, isto é, tudo de novo.


Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/clinicaliteraria

Leia também:

A ética no jornalismo esportivo brasileiro
por Luís Peazê       Publicado em 13/06/2010 23:45

África de Tutu
por Luís Peazê       Publicado em 11/06/2010 18:15

Dunga e a sua convocação antológica
por Luís Peazê     publicado em 11/05/2010 14:40

Flamengo é campeão na Bahia, é campeão do Brasil.
por Luís Peazê      Publicado em 07/12/2009 11:35:00

Seu Juiz! O estará ofuscando a importância do Juiz de futebol dentro de campo?
por Luís Peazê      Publicado em 14/11/2009 08:35

Os corpos dentro e fora das quatro linhas
O pé tem 29 ossos mas ninguém quer saber disso

por Luís Peazê      Publicado em 05/11/2009 08:35

setinha down.JPG (713 bytes)Comentários:

Nome:   E-mail:

Share/Bookmark

Valdeia  Camargo
21/4/2010 - 10:56:31
Gostei muito, e principalmente de saber sobre Luiz Fernando Bindi.
Goleiro fazendo gol contra de bicicleta é fantástico, hein?
Gostaria de vê-lo comentando sobre Armando Nogueira, 
de quem fui e sou fã, autor da frase:
-"O Botafogo é bem mais que um clube -, 
é uma predestinação celestial". Valeu!
--------------------------------------------------------------
obrigado.jpg (19449 bytes)
logo submarino.png (2338 bytes)

logo dell.gif (1372 bytes)
associates-logo-small__V265885005_.gif (1629 bytes)

 

 

 

 

 

 

 

 

-Últimas publicações >>>
- Lixo Marinho e os Instrumentos de Mercado I/II
- Câncer: por que os médicos não explicam
- Crônico de Fofoca
- O mundo sucumbiu à ciência
- O que essas senhoras andam fazendo na Internet
- Os corpos dentro e fora das quatro linhas
- Crônico de Sexo
- Procura-se um túmulo para Sarney

Copyright © 1998-2009 - Todos os Direitos Reservados
Clínica Literária - Consultoria, Traduções, Editora e Agência de Notícias Ltda.