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Esporte Comportamento
Os corpos dentro e fora das quatro linhas
O pé tem 29 ossos mas ninguém quer saber disso
por Luís Peazê Publicado em 05/11/2009 08:35
No futebol há, subjacente ao esporte, ao
fenômeno da idolatria e da paixão clubística, da competição entre os times e da
exploração comercial de marcas, várias outras esferas onde gravitam interesses
diversos, nem mesmo escondidos, embora com freqüência disfarçados, relacionados à
medicina desportiva e à libido, por exemplo, para não esgotar o seu vasto universo.
Por ser um esporte das massas, como a
maioria dos esportes, o futebol é protagonizado por jovens, na curva ascendente da
vitalidade física e hormonal, tem revelado nas últimas décadas número crescente de fã
clubes femininos, visivelmente interessados na sensualidade de certos jogadores, com
efeito para aqueles que criam manchetes, óbvio. À parte as demais faixas etárias e
preferências sexuais.
É cada vez maior o destaque para o corpo
do atleta. Nunca as câmeras de TV e teleobjetivas de fotojornalistas esportivos foram
tão meticulosas quanto hoje em dia, na era digital. Nisso até o atletismo tem sido
objeto para o foco dos profissionais de comunicação que extraem de imagens a sua
informação.
Mas quantos de nós se dão conta de
quantos músculos e ossos do corpo dos atletas trabalham nas mais inusitadas posições e
demandas de esforços. Só abaixo da pelve são dezenas de músculos, do maior do corpo
humano ao mais escondido por trás de veias e cartilagens; o pé, por exemplo, por um
silogismo (esportivo) a parte mais importante do corpo do jogador de futebol, é formado
por 29 ossos, e um mínimo de músculos...

Além de mídia, corpos no esporte, dentro
e fora da arena de competição, viraram objeto de desejo e, na década de 1970, o Canal
100 talvez tenha sido, no Brasil, o grande precursor da coisa. Você sentava numa cadeira
de madeira, ficava aterrorizando o lanterninha, coitado, vinha o baleiro, com a bandeja de
madeira pendurada no pescoço, sussurrando balas, olha o baleiro, balas e,
enquanto o filme era preparado no projetor número 1, rodavam no projetor número 2
tomadas de jogos do Flamengo só lembro de tomadas do Flamengo, algumas da
seleção Canarinho. Lembro da primeira vez que fui ao cinema, para assistir Giuliano
Gema, tocava a música Keeling me Softly, nunca mais esqueci. Toda vez que ouço esta
música, lembro daquele dia. Chovia e eu também nunca mais esqueci dos close ups nos
jogadores, do som do chute na bola, da grama levantando, acho que eu sentia até o cheiro
da grama, tudo em câmera lenta, que bonito é, as bandeiras tremulando, refrão de outra
música que nunca mais me saiu da cabeça.
Mas só lembro das canelas dos jogadores,
da chuteira, da bola, da grama, do grito da torcida e da música. Hoje em dia as câmeras
realmente fazem a gente lembrar de muito mais e além das quatro linhas. Até de corpos
sensuais na torcida.
Luís Peazê, que já jogou
bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos
Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária Consultoria e
Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade sem fins
lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/clinicaliteraria

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