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Esporte Comportamento
Porque o Dunga (não) convocou Neymar: Surpresa!
por Luís Peazê Publicado em 20/04/2010 07:35
Dunga,
treinador carrancudo como era o seu futebol, guerreiro, é verdade, mas tão cabeça dura
no meio de campo quanto na maneira de escalar um time, (não) vai convocar Neymar
porque (não) é burro, como disse Milton Neves naquele seu sotaque de peão do
asfalto. Dunga (não ) sabe o que faz.
Por outro
lado, quem (não) estaria nas posições onde Neymar pode jogar? Ou melhor, quem (não)
sairia lá de trás, para o Dunga mexer na sua lista de frente engessada, isto é,
definida desde o último treino amistoso da seleção? Metade quase no gesso mesmo, quer
dizer, com problemas de lesões na anca, na coxa, lombar, na testa testa?!
É o que eu ouvi de um torcedor do Flamengo, segunda-feira, furioso porque o Flamengo
perdeu para o Botafogo por causa daquele pênalti batido por um rapaz traído pela
mulher... Relevemos, o torcedor estava de cabeça inchada.
É certo
que o torcedor escala com o coração, mas não é esse o objetivo do futebol, mexer com a
emoção das pessoas (consumidores potenciais), tocar seus corações, levá-las à
euforia? Então a lógica é dar à massa o que é da massa. Ou o Dunga prefere dar pra
Nike?
Todos
pedem Neymar. A imprensa pede Neymar. Até Robinho, titular lá na frente, pede Neymar
Joga muito, tem que ir disse Robinho. Então, põe o Neymar, Dunga!
Aliás,
quando Robinho embarcou na Inglaterra para uma temporada de reciclagem no Brasil, depois
de frustrar a torcida inglesa e os investidores, segundo o próprio Dunga, Robinho teria
resgatado o seu belo futebol dentro do avião, ainda em Londres. Ora, se mudanças
miraculosas assim podem acontecer, se o Dunga (não) for coerente, (não) convocará
Neymar. Levando todos à loucura.
Neymar,
neste momento enquanto escrevo e o Brasil inteiro grita o seu nome para a lista de
convocados, pode ser comparado a uma brisa do espírito de Pelé que ao encerrar a
carreira, parar de jogar, um segundo antes que qualquer um de nós pudesse imaginar, como
eram os seus dribles, seus passes de gênio, sua incansável busca pelo gol, a explosão
objetiva, que transformava um jogo num filme eletrizante de ação, prendendo o olhar de
todos e a certeza de que a qualquer instante algo inusitado poderia sair de seus pés, de
sua cabeça, de sua alma, o fez de um modo que nunca mais parou de fato de jogar em nossa
memória. Indizível. É por isso que estamos eternamente sonhando em ver um Pelé jogar
novamente. Neymar, seja eterno enquanto dure.
O fato é
o seguinte: com Neymar na Copa da África ou não, Dunga terá errado pelo menos em uma
coisa e isso é imperdoável. Ele declarou na semana que antecedeu aquele jogo espetacular
entre Santos e São Paulo, que quem conhece futebol sabe que em futebol não há
surpresas.
Dunga,
futebol é justamente isso, uma caixinha de surpresas. Frase cunhada por Benjamim Wright,
botafoguense ilustre radialista, um dos fundadores da Rádio Nacional, pai do juiz de
futebol aposentado Roberto Wright. Deve estar surpreso lá no céu, com o título do
Botafogo (a ironia é porque este observador é rubronegro). Enfim, é um velho ditado. A
história do maior espetáculo da terra está aí para provar, mas nem precisa tanto,
qualquer peladeiro sabe disso. Há até livro com esse título, Futebol é Uma Caixinha de
Surpresas (um mini almanaque do futebol, de Luiz Fernando Bindi, Panda Books).
Então, dito isto, isto
posto, vale a escrita, é certo que Dunga (não) surpreenderá a todos e (não) convocará
Neymar. Enlouqueceríamos pela surpresa.
Luís Peazê, que já jogou
bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos
Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária Consultoria e
Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade sem fins
lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/clinicaliteraria
SERVIÇO:
Gol de gandula? Sapo enterrado em campo? Jogador japonês na Itália? Como
disse o jornalista Benjamin Wright, 'O futebol é uma caixinha de surpresas'. E é
exatamente isso que fascina Luiz Fernando Bindi, um fã alucinado por futebol, do tipo que
assiste a jogos da Segunda Divisão e sai do estádio todo feliz. Bindi é o maior
colecionador de distintivos do mundo! Estamos falando de um arquivo de cerca de 50 mil
emblemas. Mas a paixão vai além de colecionar. Bindi faz questão de saber a origem de
cada pequeno detalhe de seus distintivos. Ele sabe, por exemplo, o que significam aqueles
'coraçõezinhos vermelhos' do Heerevenveen, da Holanda, ou quem foi o índio Colo-Colo,
que ilustra o emblema que dá nome ao time chileno. Por este carinho, e por montes e
montes de informações armazenadas e pesquisadas avidamente, Bindi pode ser considerado
um arquivo vivo das 'surpresas' do futebol. Como o comentarista Mauro Beting afirma no
prefácio do livro, 'Tem jornalista que consulta o Google, tecla o Yahoo!, vai aos livros.
Eu chamo o Bindi'. No livro 'Futebol é uma caixinha de surpresas', Luiz Fernando Bindi
reúne as mais engraçadas e intrigantes curiosidades sobre o futebol mundial. Do técnico
que invadiu o campo com seu Jipe atrás do árbitro ao goleiro que fez um lindo gol contra
de bicicleta.
Leia tabmém:
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é campeão na Bahia, é campeão do Brasil.
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