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Esporte - Comportamento -
Política
Dunga e a sua convocação antológica
por Luís Peazê publicado em 11/05/2010 14:40
O Dunga pode não ganhar a Copa do Mundo
com o time que montou para levar à África, mas se os brasileiros da lista abaixo levarem
a sério as palavras e moldarem sua atitude, comportamento e princípios em tudo que fizerem
no dia-a-dia de acordo com o preâmbulo feito por Dunga na abertura da coletiva da
convocação dos jogadores da seleção brasileira, o Brasil se transformará, da noite
para o dia, num país tão forte quanto os Estados Unidos, tão rico quanto o Japão, tão
feliz quanto o próprio Brasil quando ganha uma Copa do Mundo:
- metade dos brasileiros, pois a outra
metade sairá perdendo esse jogo;
- trinta por cento dos servidores
públicos, o restante trocará de lado gradualmente;
- dez por cento dos empresários das
grandes empresas, os demais copiarão a concorrência;
- um por cento dos empresários de
empresas médias, idem ao item acima;
- meio por cento dos profissionais
liberais, a começar pelos médicos, pois os noventa e nove e meio por cento restantes
não perderiam mercado e os das demais profissões igualmente, teriam que reeducar-se num
cenário todo novo para eles, mais altruista, menos mesquinho;
- zero vírgula zero um por cento dos
políticos, aliás, bastaria apenas um político, o Presidente da República, levar a sério as palavras de Dunga.
...resgatar a vontade de jogar na
seleção brasileira..., minha mãe me ensinou a ser patriota..., o espírito de
equipe..., o comprometimento, integridade..., construir sua casinha tijolinho por
tijolinho..., não sou vítima.... O preâmbulo de Dunga na sua entrevista coletiva
deste dia 11 de maio de 2010 e algumas outras frases na mesma ocasião deveriam ser
cunhadas, navegar pela internet como esses vídeos de bobagem que circulam com enorme
repercussão, deveriam ser impressas em cartilha distribuída nos ambientes públicos,
coletivos, igrejas, campos de futebol, em domicílios, zonas rurais, nas embaixadas pelo
mundo afora.
Mas, se o Dunga perder a Copa do Mundo,
não precisa muito, se empatar a primeira partida, pode tentar um emprego na sede da ONU
no Quênia, lá do outro lado da África, coitado do Dunga. Até lá, vou torcer pela
seleção, parabéns Dunga, o futebol é mesmo um fenômeno social, indizível, pois como
explicar uma pessoa que nunca jogou bola, ou, pior, jogou mas era ou é perna de pau,
duzentos milhões de pessoas, querer escalar um time de futebol.
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Política
Porque o Dunga (não) convocou Neymar: Surpresa!
por Luís Peazê Publicado em 20/04/2010 07:35
Dunga,
treinador carrancudo como era o seu futebol, guerreiro, é verdade, mas tão cabeça dura
no meio de campo quanto na maneira de escalar um time, (não) vai convocar Neymar
porque (não) é burro, como disse Milton Neves naquele seu sotaque de peão do
asfalto. Dunga (não ) sabe o que faz.
Por outro
lado, quem (não) estaria nas posições onde Neymar pode jogar? Ou melhor, quem (não)
sairia lá de trás, para o Dunga mexer na sua lista de frente engessada, isto é,
definida desde o último treino amistoso da seleção? Metade quase no gesso mesmo, quer
dizer, com problemas de lesões na anca, na coxa, lombar, na testa testa?!
É o que eu ouvi de um torcedor do Flamengo, segunda-feira, furioso porque o Flamengo
perdeu para o Botafogo por causa daquele pênalti batido por um rapaz traído pela
mulher... Relevemos, o torcedor estava de cabeça inchada.
É certo
que o torcedor escala com o coração, mas não é esse o objetivo do futebol, mexer com a
emoção das pessoas (consumidores potenciais), tocar seus corações, levá-las à
euforia? Então a lógica é dar à massa o que é da massa. Ou o Dunga prefere dar pra
Nike?
Todos
pedem Neymar. A imprensa pede Neymar. Até Robinho, titular lá na frente, pede Neymar
Joga muito, tem que ir disse Robinho. Então, põe o Neymar, Dunga!
Aliás,
quando Robinho embarcou na Inglaterra para uma temporada de reciclagem no Brasil, depois
de frustrar a torcida inglesa e os investidores, segundo o próprio Dunga, Robinho teria
resgatado o seu belo futebol dentro do avião, ainda em Londres. Ora, se mudanças
miraculosas assim podem acontecer, se o Dunga (não) for coerente, (não) convocará
Neymar. Levando todos à loucura.
Neymar,
neste momento enquanto escrevo e o Brasil inteiro grita o seu nome para a lista de
convocados, pode ser comparado a uma brisa do espírito de Pelé que ao encerrar a
carreira, parar de jogar, um segundo antes que qualquer um de nós pudesse imaginar, como
eram os seus dribles, seus passes de gênio, sua incansável busca pelo gol, a explosão
objetiva, que transformava um jogo num filme eletrizante de ação, prendendo o olhar de
todos e a certeza de que a qualquer instante algo inusitado poderia sair de seus pés, de
sua cabeça, de sua alma, o fez de um modo que nunca mais parou de fato de jogar em nossa
memória. Indizível. É por isso que estamos eternamente sonhando em ver um Pelé jogar
novamente. Neymar, seja eterno enquanto dure.
O fato é
o seguinte: com Neymar na Copa da África ou não, Dunga terá errado pelo menos em uma
coisa e isso é imperdoável. Ele declarou na semana que antecedeu aquele jogo espetacular
entre Santos e São Paulo, que quem conhece futebol sabe que em futebol não há
surpresas.
Dunga,
futebol é justamente isso, uma caixinha de surpresas. Frase cunhada por Benjamim Wright,
botafoguense ilustre radialista, um dos fundadores da Rádio Nacional, pai do juiz de
futebol aposentado Roberto Wright. Deve estar surpreso lá no céu, com o título do
Botafogo (a ironia é porque este observador é rubronegro). Enfim, é um velho ditado. A
história do maior espetáculo da terra está aí para provar, mas nem precisa tanto,
qualquer peladeiro sabe disso. Há até livro com esse título, Futebol é Uma Caixinha de
Surpresas (um mini almanaque do futebol, de Luiz Fernando Bindi, Panda Books).
Então, dito isto, isto
posto, vale a escrita, é certo que Dunga (não) surpreenderá a todos e (não) convocará
Neymar. Enlouqueceríamos pela surpresa.
Luís Peazê, que já jogou
bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos
Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária Consultoria e
Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade sem fins
lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/clinicaliteraria
SERVIÇO:
Futebol é Uma Caixinha de Surpresas, Luiz Fernando Bindi, Panda
Books: Gol de gandula? Sapo enterrado em campo? Jogador japonês na Itália? Como
disse o jornalista Benjamin Wright, 'O futebol é uma caixinha de surpresas'. E é
exatamente isso que fascina Luiz Fernando Bindi, um fã alucinado por futebol, do tipo que
assiste a jogos da Segunda Divisão e sai do estádio todo feliz. Bindi é o maior
colecionador de distintivos do mundo! Estamos falando de um arquivo de cerca de 50 mil
emblemas. Mas a paixão vai além de colecionar. Bindi faz questão de saber a origem de
cada pequeno detalhe de seus distintivos. Ele sabe, por exemplo, o que significam aqueles
'coraçõezinhos vermelhos' do Heerevenveen, da Holanda, ou quem foi o índio Colo-Colo,
que ilustra o emblema que dá nome ao time chileno. Por este carinho, e por montes e
montes de informações armazenadas e pesquisadas avidamente, Bindi pode ser considerado
um arquivo vivo das 'surpresas' do futebol. Como o comentarista Mauro Beting afirma no
prefácio do livro, 'Tem jornalista que consulta o Google, tecla o Yahoo!, vai aos livros.
Eu chamo o Bindi'. No livro 'Futebol é uma caixinha de surpresas', Luiz Fernando Bindi
reúne as mais engraçadas e intrigantes curiosidades sobre o futebol mundial. Do técnico
que invadiu o campo com seu Jipe atrás do árbitro ao goleiro que fez um lindo gol contra
de bicicleta.
Leia tabmém:
Flamengo
é campeão na Bahia, é campeão do Brasil.
por Luís Peazê Publicado em 07/12/2009 11:35:00
Seu Juiz! O
estará ofuscando a importância do Juiz de futebol dentro de campo?
por Luís Peazê Publicado em 14/11/2009 08:35
Os corpos dentro e
fora das quatro linhas
O pé tem 29 ossos mas ninguém quer saber disso
por Luís Peazê Publicado em 05/11/2009 08:35

Comentários:

Valdeia Camargo
21/4/2010 - 10:56:31
Gostei muito, e principalmente de saber sobre Luiz Fernando Bindi.
Goleiro fazendo gol contra de bicicleta é fantástico, hein?
Gostaria de vê-lo comentando sobre Armando Nogueira,
de quem fui e sou fã, autor da frase:
-"O Botafogo é bem mais que um clube -,
é uma predestinação celestial". Valeu!
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