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Jornalismo - Literatura
Adeus às Armas dos Jornaslistas do Brasil
Por Luís Peazê publicado em 19/07/2010 08:59
Sobre a morte do JB impresso, Dines deu o recado no
Observatório da Imprensa com o belo texto Morte sem epitáfio; curto e
certeiro, como quase sempre faz irretocavelmente. Ao iniciar com uma analogia ao poema de
John Donne que inspirou Hemingway em Por Quem os Sinos Dobram, costura a metáfora na
metáfora e diz quase tudo. Só faltou dizer que o JB será sepultado como indigente, sem
velório, sem nome, sem uma sepultura adequada. Pelo menos o acervo de encalhe do último
formato, ou do último dono, poderia ser cremado, com as cinzas jogadas ao vento na Baía
da Guanabara...
Uma contribuição útil do texto de Dines é o seu final, que não tem nada de
simbólico, como ele avisa. É na verdade alarmante! E um golpe sórdido no jornal que
publicou o pedaço mais importante da história do Brasil. O pedaço mais viril, mais
romântico também, mais revolucionário, mais vencedor e mais sofrido ao mesmo tempo. O
período mais rico da história do país, de 1891 a 2010.
Comunicar ao público o fim de uma era através de anúncio publicitário é mais do que
simplesmente não valorizar o texto, como infere Dines. Contudo, é um erro ainda
passível de reparo. Atenção senhores de gravata e paletó por trás da gestão
financeira, patrimonial e pendências jurídicas do JB: a sua última impressão, logo
após o grito final de parem as rotativas será histórica e merece respeito.
Se não pensarem que ela mereça, pelo menos pensem que pode ser lucrativa, saiam com um
jornal volumoso; abram as páginas para todos os seus antigos colaboradores e colunistas
ainda vivos. Pode ser uma grande tacada publicitária. Gastem todo o estoque de tinta, de
papel e de fita para amarrar os fardos de jornais. Abram espaço para o público também.
Inclusive cobrem a publicação de comentários (sem monitoramento), como está fazendo o
jornal americano Texas Tribune que, de tanto gastar energia para moderar interferências
obscenas de leitores, passou a cobrar pelas mesmas.
É tudo por dinheiro, afinal de contas... Está aí o exemplo do The Times tentando cobrar
pela sua versão online, reinventado a roda num universo onde se anda a jato hipersônico.
Assisti uma palestra no auditório do JB no início da década de 1980 onde o Prof. Marcos
Cobra ensinava que o ciclo de vida de uma empresa pode ser visto como o de uma mulher.
Suas analogias eram cada vez mais reveladoras, a medida que ele ia comparando até as
(in)decisões de uma mulher na hora de trocar uma peça de roupa, culminando com o ponto
em que uma empresa se torna uma senhora e já não pode mais fazer o que, mocinha, fez no
passado. Poderá, entretanto, reinventar-se e disseminar experiência acumulada, gerar
filhos e povoar um mundo. Não cabe em duas linhas a aula do Prof. Cobra, mas está claro
que a senhora JB morre feito Macabéa, tristemente. E dizer que foi cortejada em sua longa
vida por varões ilustres, de Rui Barbosa a Eça de Queirós, de Drummond de Andrade à
Barbosa Lima Sobrinho, para citar apenas alguns pilares inatacáveis. Quem diria, nasceu
nobre, apologista da monarquia, tornou-se de vanguarda lutadora pela República, mas
acabou na miséria, e até traidora e mundana.
Voltando ao texto de Dines, outra contribuição sua importante merecia um desdobramento
coletivo, da classe, do meio, do povo: Ninguém vestiu luto só os
jornalistas porque há muito aboliu-se o luto. O luto e a luta. Sobreviventes não
lamentaram, dão-se bem no jornalismo morno, sem disputa. Juntaram-se para revogar a
concorrência e enterraram a porção vital do seu ofício. Esqueceram a animada
dissonância, preferiram a consonância melancólica. Há muito tempo que a utopia
é uma vontade inexistente, morta.
No livro Adeus às Armas, Henry diz para si mesmo: Fique um pouco neste
mundo, e acabará morto, sempre. Seu filho acabara de nascer morto, e sua amada iria
morrer, do parto, logo em seguida. Final trágico, e carregado de romantismo. Uma
fatalidade vulgar da vida, encerramento de uma das melhores novelas produzidas por Ernest
Hemingway, que faria 111 anos de vida nesta quarta-feira 21 de julho.
Quanto aos jornalistas do Brasil, estariam fados à inanição ou sem qualquer vontade
própria? Teriam dado irreversivelmente um coletivo adeus às armas?
Provável resposta, por Hemingway: Aos que trazem coragem a este mundo, o mundo
precisa quebrá-los, para conseguir eliminá-los, e é o que faz. O mundo os quebra, a
todos; no entanto, muitos deles tornam-se mais fortes, justamente no ponto onde foram
quebrados. Mas aos que não se deixam quebrar, o mundo os mata. Mata os muito bons, os
muito meigos, os muito bravos indiferentemente.
Que pelo menos tudo fique escrito, e publicado. E não nos surpreendamos se o JB renascer
da cinzas - que bela marca! -, voltar a ser impresso, em tinta eletrônica ou em uma tela
na fachada de um edifício na Av. Rio Branco.
- - - - - - - - - - - -
Luís Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista
(MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Autor
de O Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária Consultoria e Agência de Notícias e o
Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão
das questões do meio ambiente marinho e costeiro.
Jornalismo -
Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
E o Diploma de Jornalista,
Meritíssimo?
por Luís Peazê Publicado em 07/04/2010
00:00
Dia do Jornalista
No princípio era o fato. Não
havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se
interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.
A primeira notícia foi contada
num tronco de árvore deitado no meio da estrada. Aqui eu vi um animal tão alto
quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com
um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois
seguimos em fila, do jeito de sempre.
Surgiu o precursor do jornalista,
um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia
de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou,
surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista,
mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde
viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres
só surgiriam muito tempo depois.
Surgiram também os cronistas,
intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos
vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de
se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.
A partir daí o mundo nunca mais
foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não
evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar
oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis,
enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo
dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento,
a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do
homem.
Desde àqueles primórdios do
jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre
outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas
ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco
Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano
influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de
perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra
igreja...
Os meios disponíveis para fazer
suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das
notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a
importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a
disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a
notícia.
Não faz muito tempo, do
romântico grito na rua do menino vendedor de jornais Extra! Extra! Extra!
ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em
tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor
da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu
exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco
ao caixeiro viajante.
O jornalista de hoje pode operar o
inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama
repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.
Através dessa evolução, desde a
prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade
jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica,
e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o
de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência,
diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal
função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não
lhe autoriza julgar ninguém.
Daí uma das razões, entre
outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.
O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não
utilizar a palavra que, um exercício prático para a disciplina na
construção de um texto.
Luís
Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de
"Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária
Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal,
entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e
costeiro www.luispeaze.com/brcostal
FENAJ e o "re call" de
Jornalista sem diploma.jpg)
A Clínica Literária
entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a
sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de
comunicação.
Após muita polêmica e liminares,
o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) considerou
inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da
profissão de jornalista (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27
de março, a FENAJ Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos
sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de
profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão
máximo do sistema de justiça do país.
A Clínica Literária
se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o
assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que
possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em
segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Isto posto, a Clínica
Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma
reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de
transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do
diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de
jornalista somente aos profissionais diplomados.
Sendo assim, uma fase de
transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário
conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que
mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste
sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma
são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.
Acredita a Clínica
Literária que entre os opositores da exigência do diploma que não sejam
empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar
(na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições
trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses
opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e
representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o
seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de
jornalista.
Se há uma massa muito grande de
jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica
Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e
inflam o debate.
Para resolver este status quo, de
peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária
sugere:
a) há em franca atividade no
mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos
de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de
jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens,
possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes
voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o
julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação
acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez
composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria
lançada no mercado, na sociedade brasileira, um re call, uma chamada para a
regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.
Em paralelo a este ato inédito de
um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado
a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma
profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente
com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem,
necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um
debate no Congresso com parlamentares e juristas, legisladores e profissionais do
jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a
idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E
consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.
Jornalismo
- Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia
por Luís Peazê Publicado em 09/04/2010
11;24
Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do
Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um
exemplar de o Crônico Uma Aventura Diária
Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em
livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de
abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para
Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente
no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos
responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.
Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo
um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte,
cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para
voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia,
a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico,
Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva,
seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.
No dia seguinte, um pouco antes da
meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas
este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu,
sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do
Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.
O jornalista Luiz Martins da Silva publica
hoje (09/04/2010) no Observatório
da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do
atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os
inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num
outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta,
o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para
passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre
alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem
havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.
Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia
que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de
estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante,
sobre as questões do meio ambiente que nunca estão dissociadas das questões
urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de
vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar.
É onde estamos no exato momento.
Nos congressos sobre jornalismo ambiental,
tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar
na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é
unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que
um setor da sociedade o quarto poder que poderia estar exercendo este
poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.
Mas o viés não é este aqui, trata-se
apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada
pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de
audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a
atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e
repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente
começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos
tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico
esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias a tragédia de Abril no Rio
de Janeiro mas fica o registro.
Trata-se esta crônica do diploma da
tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo
por ruas de bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com
lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um
prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no
mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador
deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá
novamente repetindo as mesmas perguntas.
Neste sentido os atalaias, eficientes ou
não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do
meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro
neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam
dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da
tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados
estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à
sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os
únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.
Metáfora irônica, essa do diploma, de
quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução
necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por
exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas,
quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais
formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são
escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas
de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do
medo de perdê-los.
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