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Lançamento
Bienal do Livro
São Paulo, 15 à 25 de abril
Por Quem os Sinos Dobram
E. Hemingway
Tradução de
Luís Peazê
John Hemingway, neto de Ernest Hemingway,
Prêmio Nobel de Literatura, 1954, com O Velho e o Mar, e autor de extensa obra,
editada pela Bertrand Brasil, me contou que leu Por Quem os Sinos Dobram aos
treze anos de idade, em 1973. Ficara tão impressionado, que colocara o poema de John
Donne, da abertura do livro, em sua carteira, onde está até hoje. Curiosamente só
então John se dera conta da magnitude do avô Ernest, da sua importância para a
história da literatura americana, e universal.
Para John "Por Quem os Sinos Dobram é
um livro que vai ao âmago de tudo o que meu avô acreditava. Sacrifício, coragem,
abnegação, tudo expressado lindamente no poema de John Donne que inspirou o
título".
A história central pode ser resumida em cinco linhas, como todos os
clássicos, de Ilíada a Romeu e Julieta a Dom Quixote.
Robert Jordan, jovem professor americano, engaja-se na Brigada
Internacional que apoia a guerrilha antifascista, na Guerra Civil Espanhola (1937). Sua
missão é explodir uma ponte, mas, ao encontrar-se com um bando de guerrilheiros, se
apaixona por Maria e começa a questionar valores e princípios éticos e morais, as
guerras, inimigos e aliados, o suicídio do pai, o amor, a vida e a morte.
E, como todo o clássico, desdobra-se numa cadeia interminável de
venturas, referências histórico-culturais, intrigantes questões e, no caso de
Hemingway, tudo verossímil. Sua própria vida confundiu-se com a sua obra. Ele
experimentava apaixonadamente ambiências verídicas utilizadas em seus romances, como as
touradas, caçadas, pescarias em alto mar, guerras e os conflitos sociais e individuais
mais humanamente plausíveis.
Sobre o seu estilo elíptico, desadjetivado e seco, Hemingway dizia que
tentava escrever sempre com base no princípio do iceberg, que tem sete oitavos de
seu volume submerso. Ele acreditava que qualquer coisa que o escritor saiba, por
experiência própria, que possa ser eliminado de sua obra, a fortalecerá ainda mais. O
acadêmico americano David Lodge, comentando o seu recurso da "repetição
lexical" diz que Hemingway rejeitava a retórica tradicional, por razões literárias
e filosóficas ele achava que a
literatura refinada falsificava as experiências, assim, esforçava-se para escrever as
ações que realmente aconteciam, as coisas reais que provocavam a emoção que alguém
experimentava, usando uma linguagem denotativa, purgada de decoração estilística.
A única exigência que sua literatura impõe é uma entrega, e por que
não uma dose de coragem, do leitor, para aceitar o seu estilo único, rico em diálogos,
onde cada linha foi exaustivamente esculpida não à perfeição, mas à realidade.
Luiz Antônio Aguiar apresenta Por Quem os Sinos Dobram ao leitor,
comentando este romance diferenciado de Hemingway a maior de suas novelas e cuja
linguagem tem tratamento especial, não por acaso simplória, e pulverizada de sutilezas,
como é a vida, onde cada ínfimo detalhe tem um porquê.
Ao final da leitura, é quase impossível não se voltar ao início
respondendo o por que disso e daquilo. Mas uma resposta nós já temos antes de
começarmos, revelada por John jamais pergunte
por quem os sinos dobram, eles dobram por ti.
Luís Peazê é membro da Hemingway
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