Charge pirateada do site da
ASA
ASA Seeks End to Seed Piracy in Brazil
Yo ho ho and a bag of pirated soybean seed.
Bush
ameaça Brasil
com armas químicasDa mesma forma que as armas químicas letais agem de modo inicialmente imperceptível e nem sempre
estourando como bombas convencionais, falso motivo para a recente invasão ao Iraque, o
presidente Bush e seus asseclas estão agindo dentro e fora dos Estados Unidos como
senhores do mundo e por interesse próprio.
A ASA American Soybeam Association (Associação Americana de Soja) faz graves
acusações em seu site contra agricultores brasileiros. A ASA afirma que pelo menos
70% da produção semeada no Rio Grande do Sul em 2002 é de soja transgênica, e que 30%
da produção de soja do país é ilegal, fruto da pirataria de suas sementes
transgênicas da marca Roudup Ready e que agricultores estão contrabandeando sementes
através da fronteira com a Argentina para o território brasileiro. Esta marca de
sementes é de propriedade da Monsanto, poderosa empresa americana que está interessada
apenas no recebimento de royalties pelo uso de suas sementes, indiferente se no Brasil se
quer alimento geneticamente modificado (nossa lei proíbe o plantio de transgênico),
ofensivos ao ser humano e meio ambiente como um todo. Seguem os fatos alarmantes desta
verdaderia guerra de armas químicas patrocinada por um seleto grupo do alto escalão da
administração Bush, incluindo o próprio tirano, à frente dos futuros acordos da ALCA:
A Monsanto contribuiu com o caixa da campanha do senador John Ashcroft e do
Secretário de Serviços Sociais e Saúde Tommy Thompson. O Secretário de Defesa Donald
Rumsfeld e a Secretária da Agricultura Ann Veneman foram executivos de empresas de
propriedade da Monsanto, que controla 80% do mercado global de sementes transgênicas
RoundupReady, assim como da herbicida Roundup, compatível com lavouras originadas de
transgênicos da mesma marca, mas devastadora para as demais. Isto é, a Monsanto fabrica
a droga para matar as pragas e as sementes apropriadas para sobreviverem à droga. Ela
ainda comercializa a semente Terminator, que germina produtos com sementes estéreis
obrigando o plantador a comprar novo lote de sementes para a safra seguinte, ou, para
aquelas que ainda não têm a característica Terminator, os agricultores devem pagar
royalties à Monsanto cada vez que jogam uma semente na terra.
A escolhida de Bush para a admnistração da Agência de Proteção Ambiental,
Linda Fisher, foi chefe lobista e fomentadora de fundos para políticos junto à Monsanto.
Inúmeros executivos trocaram de cadeira da Monsanto para a Adminsitração de Drogas e
Alimentos (FDA Food and Drug Administration) que funciona mais como um braço forte
da indústria biotécnica do que uma agência regulatória. Como se a Nestlè no Brasil
gerisse a agricultura, agropecuária e indústria de remédios, e comandasse a Agência
Nacional de Águas, o que na verdade falta pouco se a sociedade civil não agir junto ao
Ministério Público imediatamente e em bloco.
Uma safra biotécnica originada de sementes da Monsanto é geneticamente
calculada para tolerar a herbicida Roundup, uma estratégia de mix de produto da empresa
para vender mais do super-tóxico Roundup. A sua propaganda promete aos agricultures que
sua herbicida pode ser aspergida sobre a plantação de sementes RoundUp Ready
exterminando as pragas mas deixando intacta a produção. Segundo artigo de Martin A Lee,
Prêmio 1994 Pope Foundation Award para jornalismo investigativo, o Dr. Charles Benbrook
do Centro de Política Ambiental e Ciência, em Sandpoint, Idaho, USA, os agricultores
têm sentido necessidade de aumentar gradualmente as doses de herbicidas Roundup em suas
fazendas. Uma estratégia de aumento de consumo conhecida do marketing predador, como
presenciei pessoalmente há alguns anos na indústria de cigarros que fabricava papéis
para cigarros incluindo drogas na composição já altamente tóxicas daqueles papéis, e
furinhos minúsculos filtrantes, para que os cigarros queimassem mais rápidos quando
fumados ao ar livre, hábito que tornou-se comum pela tendência a se proibir o fumo em
ambientes fechados. Da mesma forma que gastou dinheiro financiando campanhas em décadas
passadas para que as mulheres se liberassem e começassem a fumar, em público, isto é,
não era a liberação feminina e os direitos humanos o almejado.
Há uma década quase não havia transgênicos nos Estados Unidos. Hoje mais de
70% dos alimentos são transgênicos e não se tem tempo de experimentação nem provas
suficientes de que não há riscos graves ao meio ambiente, a inserção de novos
organismos (plantas, micro organismos, animais, seres vivos) que não foram criados
espontaneamente pela natureza.
No Brasil é proibida a agricultura de transgênicos e o decreto Federal número
3.871/01 de 18-07-2001, disciplina a rotulagem de alimentos importados que contenham ou
sejam produzidos com organismo geneticamente modificados. Quanto à qualidade de vida, que
é o que nos interessa, a alteração genética é feita para tornar plantas e animais
mais resistentes e, com isso, aumentar a produtividade de plantações e criações. A
utilização das técnicas transgênicas permite a alteração da bioquímica e do
próprio balanço hormonal do organismo transgênico, possibilitando a produção de
animais, por exemplo, maiores e mais resistentes à doenças graças a essas técnicas.
Sem contudo sabermos os efeitos ambientais.
Nos EUA, os produtores têm que assinar contrato se comprometendo a pagar
royalties pelas sementes transgênicas. E ainda, se comprometem a não guardar sementes
transgênicas produzidas em uma safra para o plantio na safra seguinte, e a não
comercializar estas sementes.
É sabido que o objetivo de lucro e os métodos de gerenciar negócios dos
americanos é tão entranhado na sua cultura que a sua própria vida é administrada
segundo o princípio prático do gerenciamento, e eles foram aceitando ao longo da
história toda a sorte de progresso e transformação, inclusive religiosos, sob a
proteção do antigo bordão de marketing cuja definição original é: "ações para
satisfazer necessidades"; distorcido para a "geração de necessidade e
criação de demanda, fertilizando o terreno para o comércio, consumo, e por fim o lucro
em escala, o status e o poder de fogo".
O interesse de empresas como a Coca-Cola, por exemplo, e a Nestlè, que como a
NASA e as grandes petrolíferas são as poucas entidades que possuem mapas geológicos
globais e monitoram os recursos naturais do mundo a partir de satélites, é privatizar os
recursos hídricos mundiais, notadamente residentes no hemisfério sul, onde 13% da
reserva mundial está nos lençóis freáticos e rios brasileiros, um reflexo claro
daquela cultura devastadora e alimentadora das guerras, onde vence o mais forte. Outro
pomo nevrálgico, e tão ou mais invisível do que os transgênicos, é a irradiação de
alimentos para conservação e viabilização de comércio transfronteiriços, alongando o
tempo de vida de produtos perecíveis. É sabido que quando se aumenta a vida dos
alimentos se diminui a vida dos animais que deles se nutrem. Seja o método de
irradiação pelo bombardeio de elétrons ou por radioisótopos, acontece o empobrecimento
de nutrientes nos alimentos entre outros efeitos nocivos à vida animal, racional e
irracional. No Brasil não há legislação clara quanto à irradiação de alimentos, mas
a empresa americana Surebeam, acaba de socorrer a TechIon, empresa moribunda do
empresário José Francisco Buffara de Medeiros, com15 milhões de dólares e passará a
irradiar frutas ao lado da Ceasa, no Rio de Janeiro, tudo feito na surdina porque este é
um mercado de bilhões de dólares anuais, e, quem ancora primeiro no mercado, vencerá
todas as guerras futuras. Para se ter uma idéia da amoralidade que permeia este negócio,
numa entrevista por telefone, Buffara entendeu que eu não era especialista no assunto e
disse que havia uma certa empresa chamada Surebeam no mercado, mas não sabia se ela
estava operando.
Este é o jogo e estilo do Presidente Bush, esperto em negócios de vulto, de
petróleo, de reconstrução de países dizimados por bombardeios premeditados,
indiferente ao que acontece aos demais seres vivos, incluindo os próprios americanos,
tratados por ele como saudáveis animais estabulados
prontos para o abate.
Copyrigh©2003 Luís Peazê é escritor e
jornalista www.luispeaze.com agua@luispeaze.com |