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setinha down.JPG (713 bytes)Ambiente Marinho - Ciência & Tecnologia - Jornalismo - Mundo
Uma bomba-relógio no fundo do mar

por John Hemingway (traduzido por Luís Peazê) Publicado em 05//11/2005

Capinha cronico de Lixo Marinho e-book verysmall.jpg (34511 bytes) [Após a publicação deste artigo, a DPC - Diretoria de Portos e Costas foi consultada sobre a posição do Brasil em relação estes fatos e recebeu a seguinte resposta, leia no link
http://www.aventuranobrasilcostal.com.br/alijamentoderesiduos.doc ]

Colaboração sobre Alijamentos de Armas Tóxicas pelo jornalista fotógrafo, o veterano Armando Rosário, que já em 1957 fora citado no Jornal do Brasil em crônica de Carlos Drummond de Andrade

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O miserável Bush desperdiçou milhões de dólares enviando seus soldados ao Iraque, para peneirar as suas desérticas areias à procura das armas de destruição em massa de Saddam, quando poderia (e ainda pode) achá-las bem mais perto de casa.

Não são muitas as pessoas que sabem do fato, mas, desde o fim da Segunda Guerra Mundial até 1970, os Estados Unidos despejaram na costa americana e ao redor do mundo, pelo menos 30 mil toneladas de agentes químicos, tais como o gás VX, o gás nervoso (conhecido como Agente Laranja) contido em bombas e torpedos.

Em recente versão on-line, o jornal digital dailypress.com analisou milhares de documentos governamentais recentemente liberados, e entrevistou vários especialistas que previram o tique-taque de uma “bomba-relógio biológica” no fundo dos oceanos. Segundo esse jornal, o enorme estoque de munição e bombas tóxicas militares, eventualmente levadas para alto mar e furadas para afundarem rapidamente, estão agora se decompondo e o Pentágono admite que muitos de seus registros de posicionamento se perderam ou foram destruídos. E eles sabem que existiam pelo menos 26 zonas de descarte de lixo em 11 estados litorâneos, em ambas as costas, incluindo Hawai e Alaska, mas que há provavelmente muitas outras áreas que ninguém sabe nada a respeito.

Centenas de pescadores ao redor do mundo têm pescado balas com o Agente Laranja ao longo de anos e têm sofrido graves queimaduras. Na Noruega, o governo teve que derramar concreto para vedar vazamentos de gás nervoso em alto mar, em sítios criados pelas marinhas britânica e americana para lidar com os resíduos do Terceiro Reich. Em outros lugares, navios e rebocadores repletos de armas químicas foram afundados ao longo das costas da Itália, França, Índia, Austrália, Filipinas, Japão e Dinamarca. Outros possíveis depósitos desses resíduos incluem antigos aliados da Segunda Guerra como a Nova Zelândia, a China, a antiga União Soviética e “países latino-americanos não indentificados”. As Forças Armadas dos Estados Unidos disseram que informaram aos governos desses “países não identificados” sobre os perigos submersos em suas costas, mas que esses mesmos países pediram para não liberarem essa informação para o público. 



As Forças Armadas americanas declararam que todos os descartes de lixo foram feitos bem longe da costa e que o risco para os humanos e para a fauna marinha é mínimo, mas nenhum desses sítios foi monitorado desde meados dos anos 1970, e nenhum estudo tem sido conduzido para estabelecer em quanto tempo essas armas químicas se decompõem em diferentes profundidades e temperaturas da água. Tampouco se fez qualquer teste quanto aos efeitos desse gás nervoso sobre os mamíferos marinhos. Centenas de golfinhos bico-de-garrafa, por exemplo, foram misteriosamente jogados nas praias da Virginia e Nova Jersey em 1987. Eles morreram com grandes bolhas na pele nunca explicadas e assemelhadas às queimaduras do Agente Laranja em humanos.

Massivos depósitos de resíduos de armas químicas foram criados pelos governos canadense e americano, ao longo da costa de Nova Escócia, e hoje pescadores de vieira têm que fazer a pesca de arrasto em águas de mais de 13.200 metros de profundidade, a mais de uma centena de milhas do litoral em alguns pontos, para encontrar alguma coisa.

Próximo da costa, comunidades de moluscos e bacalhau virtualmente desapareceram.

Não chega a surpreender, considerando que uma gota de gás nervoso na água mata tudo que ela toca e pode levar até seis semanas para seus componentes se degradem à forma inerte.

Segundo um grupo de cientistas noruegueses que estudou os depósitos de resíduos britânicos e americanos em suas costas, o tempo de decomposição dessas bombas enquanto liberam agentes químicos fatais pode ser de 100 anos, com efeitos inimagináveis para o meio-ambiente. Um desastre ecológico com o qual teremos que conviver, nós, nossos filhos e nossos netos. (Tradução por Luís Peazê)

(Publicado originariamente no site
www.diretodaredacao.com
e traduzido por Eliakim Araújo)

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DECADES OF DUMPING CHEMICAL ARMS LEAVE A RISKY LEGACY
SPECIAL REPORT

Weapons of mass destruction thrown into the sea years ago present danger now - and the Army doesn't know where they all are.

BY JOHN M.R. BULL

October 30, 2005

In the summer of 2004, a clam-dredging operation off New Jersey pulled up an old artillery shell.

The long-submerged World War I-era explosive was filled with a black tarlike substance. Leia mais em dailypress.com




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Leia Também:

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Lixo Marinho e os Instrumentos de Mercado (I e II/II)
- (I)  Ou armas para educar à força
-
(II) Uma solução aparentemente etérea, mas é mais simples do que parece

Uma Onda Gigante de Lixo Marinho

O Maior Aterro de Lixo do Mundo está Localizado no Meio do Oceano
Por Capt. Charles Moore, traduzido por Luís Peazê

Global Garbage.org (farto material sobre o assunto)

*Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/brcostal

setinha down.JPG (713 bytes)Comentários:

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