Head banner cloud 2 english natal.jpg (218871 bytes)

colunas.jpg (2419 bytes)

servicos da cl.JPG (5342 bytes)       loja do peaze.JPG (3248 bytes)

Share/Bookmark

figura1.jpg (5432 bytes)

figura1a.jpg (6228 bytes)

figura2.jpg (4823 bytes)

figura3.jpg (3455 bytes)

figura3a.jpg (4476 bytes)

figura4.jpg (2917 bytes)

figura5.jpg (3428 bytes)

figura6.jpg (3208 bytes)

figura7.jpg (5144 bytes)

figura8.jpg (2243 bytes)

figura10.jpg (2681 bytes)

figura9.jpg (1781 bytes)

Share/Bookmark

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Lomadee, uma nova espécie na web. A maior plataforma de afiliados da América Latina

O conteúdo deste site é propriedade intelectual privada e toda e qualquer reprodução do mesmo em parte no todo sem a prévia autorização será considerada violação de direitos autorais e estará sujeita a ação penal. Para permissão e-mail
Alguém tem que ficar de olho no
logoobservatorio.gif (7254 bytes)

Jornalismo & Medicina - Medicina & Jornalismo
LIBERDADE DE IMPRENSA
Repórter sem
libertaquaeseratamen.png (46857 bytes)Fronteiras
por Luís Peazê   publicado em 01/05/2010 00:00

Pelo Dia Mundial da Liberdade de Imprensa 03 de maio de 2910

Galinha de casa não se corre atrás, diz o ditado, isto é, o que a gente já tem a gente alimenta, protege, admira até e corre atrás daquilo que a gente ainda não tem. Sobre o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, instituído pelas Nações Unidas para ser celebrado no dia 3 de maio, gostaria de convidar todos os jornalistas com coragem, os sem coragem estão dispensados, converso com estes mais adiante, para invocar dentro de cada um o seu repórter sem fronteira, mas não se trata da ONG Repórteres sem Fronteiras, essa é como aquela galinha, mesmo que alguns a critiquem, está aí e merece milho e trato, me refiro a um repórter sem fronteira que não tenho visto ultimamente, aliás vi muito pouco. Os que me vêm à memória foram demitidos de seus empregos.

Em plena conjuntura histórica internacional que expõe cidadãos à discussão sobre o uso impróprio da burka, os repórteres, vamos promovê-los, todos, os jornalistas, com letras maiúsculas (com os de letra minúsculas eu trato mais adiante) insistem em usar uma burka que inclusive cobre-lhes os olhos completamente, o cérebro, a alma até. Até quando?

Não sei se algum repórter sem fronteira levantará esta bandeira que levanto aqui neste dia mundial da liberdade da imprensa de 2010 e eu pergunto, novamente, até quando vou ficar gritando quase sozinho?

Ao declarar o Dia Mundial da Liberdade de Imprensa as Nações Unidas justificam o ato pela necessidade de sensibilização dos governos quanto à importância da liberdade de  imprensa (nunca será demais frisar) e o respeito quanto à liberdade de expressão (em geral) consagrada sob oliberdade.jpg (72748 bytes) Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas até quando a ONU também manterá esta espécie de burka no texto e na própria essência desta declaração essencial, vital para todos os cidadãos do planeta?

Assunto peludo este da burka, porque traz à tona a velha máxima de Francis Bacon, para novos males novos remédios, posto que a tal indumentária pode esconder o perigo de um atentado (argumento absurdo!), é o que dizem na Bélgica os legisladores que proibiram por lei, semana passada, o uso da coisa, e na França querem fazer a mesma coisa. De qualquer jeito há de fato um fio da meada por onde se defender o perigo de um homem bomba vestido de mulher usando uma burka solto numa grande metrópole. Cabeluda esta discussão, pois abre precedente, por exemplo, há o risco de um gaúcho de bombacha ser impedido de caminhar pelas ruas de Paris com a indumentária que é inclusive o traje oficial instituído por lei na capital gaúcha, único lugar no Brasil que desfruta de preservação de regionalismo tão singular. Mas deixemos de circunlóquios, por que a analogia com a burka e a cegueira, ou falta de coragem dos jornalistas a que me refiro? Me refiro não! Peço a atenção, chamo à responsabilidade, conclamo que deixemos a galinha que mora dentro de cada um de nós (quem não tem medo de algo que atire a primeira pedra), e falemos de frente para o espelho sobre a verdadeira barreira da nossa liberdade de imprensa.

Ora, há um elã de ironia no web site da ANJ - Associação Nacional de Jornais  no convite oportuno à adesão necessária às cartas de protesto disponíveis no web site da WAN-IFRA – Associação Mundial dos Jornais:

Ao Irã: carta ao Presidente Mahmoud Ahmadinejad pedindo o fim da intimidação aos jornalistas.

Ao México – carta ao Presidente Felipe de Jesus Calderon Hinojosa ratificando a preocupação internacional quanto à violência a jornalistas.

Às Filipinas: carta à Presidente Gloria Macapal-Arroyo pedindo o fim à cultura de violência e impunidade contra jornalistas.

À China: carta ao Presidente Hu Jintao levantando a preocupação sobre o alto nível de intimidação e violência contra jornalistas.

Ao Sri Lanka: carta ao Presidente Mahinda Rajapaksa demandando o fim do assassinato e seqüestro de jornalistas.

Por que um elã de ironia sobre assuntos tão sérios e revestidos de importância declarada pela própria ONU e pela declaração dos Direitos Humanos?

Porque só ficaram os olhinhos de fora. Alexandre está diante de nosso sol, mas fingimos que preferimos a sombra. Não são os governos necessariamente os maiores inimigos da liberdade de imprensa, eles estão caindo do cavalo pouco a pouco, um a um, felizmente. Nosso medo, nossa galinha assustada cacareja frenética dentro do galinheiro com medo desse ninho das associações nacionais de jornais, de mídias de toda sorte, os donos dos veículos, o capital. A própria ONU não canta de galo porque seu milho vem da mão dos senhores do capital, dos governos financiados pelos poderosos e verdadeiros donos do capital.

chicken.jpg (22480 bytes)Trocamos de poleiro num mesmo cercado existencial limitado e alimentamos um comportamento insano, uma corrida tresloucada por consumo e produção de bens até a exaustão de energias, de terras, de águas, de valores e princípios vitais para a qualidade de vida e decência do homem sobre este planeta falido, mantido com os tubos do capital.

É contra este cerceamento da liberdade de imprensa que não temos lutado, do qual nos submetemos com os olhos baixos – ao patrão, ao capital –, até  quando?

Aqueles que não têm coragem de contrariar essa verdade são mais dignos de respeito do que todas as galinhas assanhadas que fazem (vou utilizar uma frase recorrente) revolução com um cadáver entre os dentes, vão até a metade do caminho, levantam a bandeira a meio pau, são medíocres defensores da liberdade de imprensa. Os demais, pelo menos são honestos com as próprias limitações.

Dedico estes minutos de reflexão, aos colegas que enfrentam todo o tipo de fronteira no seu dia-a-dia no exercício da profissão de jornalista.

Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Autor de O Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro.

Este artigo saiu originariamente no Comunique-se.

Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento

diploma.jpg (60105 bytes)E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
por Luís Peazê   Publicado em 07/04/2010 00:00

Dia do Jornalista

No princípio era o fato. Não havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.

A primeira notícia foi contada num tronco de árvore deitado no meio da estrada. “Aqui eu vi um animal tão alto quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois seguimos em fila, do jeito de sempre”.

Surgiu o precursor do jornalista, um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou, surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista, mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres só surgiriam muito tempo depois.

Surgiram também os cronistas, intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.

A partir daí o mundo nunca mais foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis, enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento, a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do homem.

Desde àqueles primórdios do jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra igreja...

Os meios disponíveis para fazer suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a notícia.

Não faz muito tempo, do romântico grito na rua do menino vendedor de jornais – Extra! Extra! Extra! – ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco ao caixeiro viajante.

O jornalista de hoje pode operar o inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.

Através dessa evolução, desde a prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica, e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência, diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não lhe autoriza julgar ninguém.

Daí uma das razões, entre outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.

O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não utilizar a palavra “que”, um exercício prático para a disciplina na construção de um texto.

Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/brcostal

FENAJ e o "re call" de Jornalista sem diplomaselo_fenaj(1).jpg (21224 bytes)

A Clínica Literária entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de comunicação.

Após muita polêmica e liminares, o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) “considerou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da profissão de jornalista” (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27 de março, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão máximo do sistema de justiça do país.

A Clínica Literária se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?

Isto posto, a Clínica Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de jornalista somente aos profissionais diplomados.

Sendo assim, uma fase de transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.

Acredita a Clínica Literária que entre os opositores da exigência do diploma  que não sejam empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar (na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de jornalista.

Se há uma massa muito grande de jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e inflam o debate. 

Para resolver este status quo, de peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária sugere:

a) há em franca atividade no mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens, possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria lançada no mercado, na sociedade brasileira, um “re call”, uma chamada para a regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.

Em paralelo a este ato inédito de um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem, necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um debate no Congresso com parlamentares e  juristas, legisladores e profissionais do jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.

Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia

por Luís Peazê   Publicado em 09/04/2010 11;24

Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um exemplar de o Crônico – Uma Aventura Diária Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.

Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte, cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia, a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico, Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva, seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.

No dia seguinte, um pouco antes da meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo? Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu, sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.

O jornalista Luiz Martins da Silva publica hoje (09/04/2010) no Observatório da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta, o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.

Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante, sobre as questões do meio ambiente – que nunca estão dissociadas das questões urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar. É onde estamos no exato momento.

Nos congressos sobre jornalismo ambiental, tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que um setor da sociedade – o quarto poder – que  poderia estar exercendo este poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.

Mas o viés não é este aqui, trata-se apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada   pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente – começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias – a tragédia de Abril no Rio de Janeiro – mas fica o registro.

Trata-se esta crônica do diploma da tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo por ruas de  bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá novamente repetindo as mesmas perguntas.

Neste sentido os atalaias, eficientes ou não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.

Metáfora irônica, essa do diploma, de quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas, quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do medo de perdê-los.

Leias também sobre Jornalismo:

Lixo de Notícias Flutuando de Graça na Rede
por Luís Peazê   Publicado em 15/04/2010 19:00

Jornalismo
O que é isso? No Japão não existe. E no Brasil?
por Luís Pleazê - 07/03/2010 13:30

Discutir Jornalismo é Discutir Tudo
por Luís Peazê   em 14//12/2009 12:00:05

O debate eclodiu: o jornalismo morreu?
Queremos ler jornais do mesmo jeito que líamos antes?
 
por Luís Peazê  em 08//12/2009 16:00:05

LOBBIES & DROGAS - Seriam os políticos ventríloquos das empresas? 1/12/2009

Não é jornalismo, é entretenimento - Observatório da Imprensa
por Luís Peazê em 28/6/2006

Pishing no jornalismo - Observatório da Imprensa
por Luís Peazê  em 8/8/2006

JORNALISMO ECONÔMICO A miopia do colunista
por Luís Peazê  17/3/2009

O nu mais antigo no jornalismo - Observatório da Imprensa
por Luís Peazê  em 8/6/2006

A saúde (combalida) da imprensa - Observatório da Imprensa
por Luís Peazê  em 4/7/2006

setinha down.JPG (713 bytes)Comentários:

Nome:   E-mail:

Share/Bookmark

 

--------------------------------------------------------------

 

logo submarino.png (2338 bytes)

logo dell.gif (1372 bytes)
associates-logo-small__V265885005_.gif (1629 bytes)


 

 

 

 

 

 

 

 

Copyright © 1998-2010 - Todos os Direitos Reservados
Clínica Literária - Consultoria, Traduções, Editora e Agência de Notícias Ltda.