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Jornalismo &
Medicina - Medicina & Jornalismo
LIBERDADE DE IMPRENSA
Repórter sem Fronteiras
por Luís Peazê publicado em 01/05/2010 00:00
Pelo Dia
Mundial da Liberdade de Imprensa 03 de maio de 2910
Galinha de casa não se corre
atrás, diz o ditado, isto é, o que a gente já tem a gente alimenta, protege, admira
até e corre atrás daquilo que a gente ainda não tem. Sobre o Dia Mundial da Liberdade
de Imprensa, instituído pelas Nações Unidas para ser celebrado no dia 3 de maio,
gostaria de convidar todos os jornalistas com coragem, os sem coragem estão dispensados,
converso com estes mais adiante, para invocar dentro de cada um o seu repórter sem
fronteira, mas não se trata da ONG Repórteres sem Fronteiras, essa é como aquela
galinha, mesmo que alguns a critiquem, está aí e merece milho e trato, me refiro a um
repórter sem fronteira que não tenho visto ultimamente, aliás vi muito pouco. Os que me
vêm à memória foram demitidos de seus empregos.
Em plena conjuntura histórica
internacional que expõe cidadãos à discussão sobre o uso impróprio da burka, os
repórteres, vamos promovê-los, todos, os jornalistas, com letras maiúsculas (com os de
letra minúsculas eu trato mais adiante) insistem em usar uma burka que inclusive
cobre-lhes os olhos completamente, o cérebro, a alma até. Até quando?
Não sei se algum repórter sem
fronteira levantará esta bandeira que levanto aqui neste dia mundial da liberdade da
imprensa de 2010 e eu pergunto, novamente, até quando vou ficar gritando quase sozinho?
Ao declarar o Dia Mundial da
Liberdade de Imprensa as Nações Unidas justificam o ato pela necessidade de
sensibilização dos governos quanto à importância da liberdade de imprensa
(nunca será demais frisar) e o respeito quanto à liberdade de expressão (em geral)
consagrada sob o
Artigo 19 da Declaração Universal dos Direitos Humanos. Mas até quando a ONU também
manterá esta espécie de burka no texto e na própria essência desta declaração
essencial, vital para todos os cidadãos do planeta?
Assunto peludo este da burka,
porque traz à tona a velha máxima de Francis Bacon, para novos males novos remédios,
posto que a tal indumentária pode esconder o perigo de um atentado (argumento absurdo!),
é o que dizem na Bélgica os legisladores que proibiram por lei, semana passada, o uso da
coisa, e na França querem fazer a mesma coisa. De qualquer jeito há de fato um fio da
meada por onde se defender o perigo de um homem bomba vestido de mulher usando uma burka
solto numa grande metrópole. Cabeluda esta discussão, pois abre precedente, por exemplo,
há o risco de um gaúcho de bombacha ser impedido de caminhar pelas ruas de Paris com a
indumentária que é inclusive o traje oficial instituído por lei na capital gaúcha,
único lugar no Brasil que desfruta de preservação de regionalismo tão singular. Mas
deixemos de circunlóquios, por que a analogia com a burka e a cegueira, ou falta de
coragem dos jornalistas a que me refiro? Me refiro não! Peço a atenção, chamo à
responsabilidade, conclamo que deixemos a galinha que mora dentro de cada um de nós (quem
não tem medo de algo que atire a primeira pedra), e falemos de frente para o espelho
sobre a verdadeira barreira da nossa liberdade de imprensa.
Ora, há um elã de ironia no web
site da ANJ - Associação Nacional de Jornais no convite oportuno à adesão
necessária às cartas de protesto disponíveis no web site da WAN-IFRA
Associação Mundial dos Jornais:
Ao Irã: carta ao Presidente
Mahmoud Ahmadinejad pedindo o fim da intimidação aos jornalistas.
Ao México carta ao
Presidente Felipe de Jesus Calderon Hinojosa ratificando a preocupação internacional
quanto à violência a jornalistas.
Às Filipinas: carta à
Presidente Gloria Macapal-Arroyo pedindo o fim à cultura de violência e impunidade
contra jornalistas.
À China: carta ao Presidente Hu
Jintao levantando a preocupação sobre o alto nível de intimidação e violência contra
jornalistas.
Ao Sri Lanka: carta ao Presidente
Mahinda Rajapaksa demandando o fim do assassinato e seqüestro de jornalistas.
Por que um elã de ironia sobre
assuntos tão sérios e revestidos de importância declarada pela própria ONU e pela
declaração dos Direitos Humanos?
Porque só ficaram os olhinhos de
fora. Alexandre está diante de nosso sol, mas fingimos que preferimos a sombra. Não são
os governos necessariamente os maiores inimigos da liberdade de imprensa, eles estão
caindo do cavalo pouco a pouco, um a um, felizmente. Nosso medo, nossa galinha assustada
cacareja frenética dentro do galinheiro com medo desse ninho das associações nacionais
de jornais, de mídias de toda sorte, os donos dos veículos, o capital. A própria ONU
não canta de galo porque seu milho vem da mão dos senhores do capital, dos governos
financiados pelos poderosos e verdadeiros donos do capital.
Trocamos de poleiro num mesmo cercado
existencial limitado e alimentamos um comportamento insano, uma corrida tresloucada por
consumo e produção de bens até a exaustão de energias, de terras, de águas, de
valores e princípios vitais para a qualidade de vida e decência do homem sobre este
planeta falido, mantido com os tubos do capital.
É contra este cerceamento da
liberdade de imprensa que não temos lutado, do qual nos submetemos com os olhos baixos
ao patrão, ao capital , até quando?
Aqueles que não têm coragem de
contrariar essa verdade são mais dignos de respeito do que todas as galinhas assanhadas
que fazem (vou utilizar uma frase recorrente) revolução com um cadáver entre os dentes,
vão até a metade do caminho, levantam a bandeira a meio pau, são medíocres defensores
da liberdade de imprensa. Os demais, pelo menos são honestos com as próprias
limitações.
Dedico estes minutos de
reflexão, aos colegas que enfrentam todo o tipo de fronteira no seu dia-a-dia no
exercício da profissão de jornalista.
Luís Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista (MTB
24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Autor de O
Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária Consultoria e Agência de Notícias e o
Instituto Brasil Costal BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão
das questões do meio ambiente marinho e costeiro.
Jornalismo -
Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
E o Diploma de Jornalista,
Meritíssimo?
por Luís Peazê Publicado em 07/04/2010
00:00
Dia do Jornalista
No princípio era o fato. Não
havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se
interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.
A primeira notícia foi contada
num tronco de árvore deitado no meio da estrada. Aqui eu vi um animal tão alto
quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com
um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois
seguimos em fila, do jeito de sempre.
Surgiu o precursor do jornalista,
um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia
de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou,
surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista,
mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde
viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres
só surgiriam muito tempo depois.
Surgiram também os cronistas,
intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos
vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de
se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.
A partir daí o mundo nunca mais
foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não
evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar
oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis,
enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo
dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento,
a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do
homem.
Desde àqueles primórdios do
jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre
outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas
ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco
Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano
influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de
perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra
igreja...
Os meios disponíveis para fazer
suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das
notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a
importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a
disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a
notícia.
Não faz muito tempo, do
romântico grito na rua do menino vendedor de jornais Extra! Extra! Extra!
ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em
tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor
da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu
exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco
ao caixeiro viajante.
O jornalista de hoje pode operar o
inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama
repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.
Através dessa evolução, desde a
prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade
jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica,
e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o
de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência,
diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal
função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não
lhe autoriza julgar ninguém.
Daí uma das razões, entre
outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.
O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não
utilizar a palavra que, um exercício prático para a disciplina na
construção de um texto.
Luís
Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de
"Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária
Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal,
entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e
costeiro www.luispeaze.com/brcostal
FENAJ e o "re call" de
Jornalista sem diploma.jpg)
A Clínica Literária
entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a
sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de
comunicação.
Após muita polêmica e liminares,
o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) considerou
inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da
profissão de jornalista (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27
de março, a FENAJ Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos
sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de
profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão
máximo do sistema de justiça do país.
A Clínica Literária
se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o
assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que
possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em
segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Isto posto, a Clínica
Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma
reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de
transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do
diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de
jornalista somente aos profissionais diplomados.
Sendo assim, uma fase de
transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário
conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que
mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste
sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma
são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.
Acredita a Clínica
Literária que entre os opositores da exigência do diploma que não sejam
empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar
(na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições
trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses
opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e
representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o
seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de
jornalista.
Se há uma massa muito grande de
jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica
Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e
inflam o debate.
Para resolver este status quo, de
peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária
sugere:
a) há em franca atividade no
mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos
de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de
jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens,
possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes
voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o
julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação
acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez
composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria
lançada no mercado, na sociedade brasileira, um re call, uma chamada para a
regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.
Em paralelo a este ato inédito de
um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado
a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma
profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente
com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem,
necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um
debate no Congresso com parlamentares e juristas, legisladores e profissionais do
jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a
idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E
consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.
Jornalismo
- Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia
por Luís Peazê Publicado em 09/04/2010
11;24
Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do
Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um
exemplar de o Crônico Uma Aventura Diária
Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em
livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de
abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para
Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente
no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos
responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.
Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo
um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte,
cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para
voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia,
a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico,
Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva,
seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.
No dia seguinte, um pouco antes da
meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas
este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu,
sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do
Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.
O jornalista Luiz Martins da Silva publica
hoje (09/04/2010) no Observatório
da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do
atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os
inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num
outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta,
o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para
passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre
alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem
havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.
Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia
que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de
estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante,
sobre as questões do meio ambiente que nunca estão dissociadas das questões
urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de
vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar.
É onde estamos no exato momento.
Nos congressos sobre jornalismo ambiental,
tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar
na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é
unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que
um setor da sociedade o quarto poder que poderia estar exercendo este
poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.
Mas o viés não é este aqui, trata-se
apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada
pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de
audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a
atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e
repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente
começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos
tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico
esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias a tragédia de Abril no Rio
de Janeiro mas fica o registro.
Trata-se esta crônica do diploma da
tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo
por ruas de bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com
lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um
prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no
mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador
deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá
novamente repetindo as mesmas perguntas.
Neste sentido os atalaias, eficientes ou
não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do
meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro
neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam
dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da
tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados
estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à
sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os
únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.
Metáfora irônica, essa do diploma, de
quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução
necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por
exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas,
quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais
formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são
escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas
de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do
medo de perdê-los.
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