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Jornalismo - Esporte - Entretenimento
Dunga entre vírgulas
Por Luís Peazê publicado em 19/06/2010
Em entrevista coletiva
(19/06/2010), o treinador da seleção brasileira, Dunga, disse entre
vírgulas, parapraxia inferindo entre aspas, que a seleção da Costa do
Marfim, assim como todas as demais seleções hoje em dia jogam muito preocupadas com os
espaços para o adversário. Ninguém quer dar espaço. Ou, todos os times têm que
procurar os seus espaços. E foi além, disse que a imprensa, no afã de buscar o seu
espaço também, cria fantasias e não seria ele o bombeiro de alguns jornalistas
incendiários. Neste caso completou o Dunga , são estes jornalistas que
deveriam se explicar, se desculpar, com os seus leitores, sobre notícias inventadas.
Nesta mesma coletiva, Dunga
respondeu a um jornalista que o importante é a seleção, não o entorno. Primeiro
vêm as seleções, depois o entorno. Se inverter esta ordem, acabou o futebol.
Oportuno recomendar (re)ler artigo deste observador no Observatório da Imprensa, sobre a
ética no jornalismo esportivo. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594JDB005
É bem provável que o Dunga
tenha lido O vento das transformações de Alberto Dines, seu comentário para
o programa radiofônico do OI, 18/6/2010: A Suíça não é a única
"zebra" neste Mundial sul-africano. O inesperado, o acidental, o imprevisto e o
inopinado por enquanto dominam a 19ª Copa nos gramados, nos placares, no
entorno. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594JDB013
Somatório verbal
Observando sobre a web
metrics (análise comportamental de usuários da internet pela tabulação de
cliques), no mesmo OI criei o termo buscabilidade, sobre a consolidação da
importância dos motores de busca, como o Google, para o jornalismo moderno, em vários
sentidos. No passo seguinte, eu deveria ter explorado a importância de uma das
metodologias de otimização (de web sites e seus conteúdos) voltadas para os motores. O
uso de palavras chaves, atribuição dos analistas de SEO. O OI já está inundado de
textos abordando o assunto. Mas, lá na década de 1980 e 90 a gente se referia a coisa
parecida, no âmbito das pesquisas de mercado, como somatório verbal. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=567JDB014
Assim como atualmente poucos
jornalistas cedem imediatamente à voracidade das novidades tecnológicas de hoje (parece
que a maioria tem preguiça de aprender), naquela época não era diferente. Em 1981
escrevi para um jornal do Rio um artigo sobre a capacidade monstruosa de um chip de
computador ser capaz de armazenar 16 milhões de informações num espaço do tamanho de
uma unha do polegar, e na velocidade/tempo de uma xícara de café caindo da mesa ao chão
(os mais antigos devem lembrar de um certo comercial da IBM). O artigo lido hoje soa
jurássico.
Eu utilizara o somatório verbal
resultante de uma pesquisa de mercado, que destacava certas palavras, de uma classe social
de consumidores, com a intenção de avaliar o impacto do texto. Ora, na época, somente
outra pesquisa de mercado poderia responder à minha curiosidade. Mas insisti no meu
empirismo, mostrei para pessoas mais próximas e enviei por fax, a cópia do jornal, para
uma dezena de pessoas desconhecidas, perguntando o que você acha?. Recebi
como resposta um telefonema e um fax, e das pessoas mais próximas ouvi e anotei os
comentários.
Jornalismo esportivo a la
Dunga
O que eu queria saber era se
determinadas palavras seriam reproduzidas, repetidas, mencionadas acidentalmente nas
respostas. Foram, todas elas. A pesquisa não me rendeu nenhum prêmio de comunicação, e
não servia para nada objetivamente, mas era a minha forma de pesquisa, de
experimentação, sei lá, coisa de autodidata, sem um orientador de pós doutorado à
mão... Tempos mais adiante, ainda antes da Internet, procurei conversar com um amigo
aposentado do Correio do Povo (Porto Alegre), que foi vizinho de mesa de Mário Quintana e
outros monstros sagrados, o Seu Kleber Borges de Assis (in memorian), sobre a
minha experiência e fui nocauteado com uma interjeição de gaúcho da antiga,
indefensável. Para jornal, eu deveria me concentrar em aprender a escrever com clareza e
ponto.
Voltando às aspas do Dunga, que
lembram uma dupla de marfins, vírgula, naquela coletiva perguntado sobre o nivelamento
técnico das seleções desta Copa de 2010 na África, comparadas com seleções de outros
tempos, quando as muito melhores se destacavam substancialmente, ele respondeu o seguinte:
olha, será que não são alguns jornalistas que não devem mudar o pensamento?
Veja, a maioria dos jogadores da Costa do Marfim ou asiáticos, por exemplo, cresceram na
Europa, jogam na Europa... Hoje em dia temos mais informações... Pela internet, pela
experiência de jogar fora... é normal que os times, as seleções se nivelem. Depende da
qualidade técnica de cada jogador fazer a diferença... superar o adversário....
Diante dessa aula básica de
fundamentos do treinador da seleção brasileira, ficam duas perguntas em aberto, entre
vírgulas (seja lá o que isso signifique): será que o
jornalismo esportivo não está repleto de dungas (de quando do Dunga jogava no meio de
campo, duro, trombando, fraturando as jogadas), como será o jornalismo esportivo após a
era dunga de jornalistas esportivos?
LEIA
TAMBÉM Eras Dungas, aqui na Clìnica Literária em "Esportes"
Jornalismo - Cinema
- Direitos Humanos
Robert Redford defende direitos
de jornalista:
Todos devem defender o cinema independente
por Robert Redford, traduzido por Luís Peazê - publicado
originariamente Copyright © 2010 HuffingtonPost.com, Inc. em 04/06/2010 18:50 e na Clínica Literária em 06/06/2010 16:20
Robert Redford ator, diretor e ativista ambiental
Devotei uma
parte significante do trabalho em minha vida para apoiar o artista independente
independente não com relação ao tamanho de um projeto, ao seu orçamento ou assunto de
que trata; mas sim, à visão singular e voz do artista. Fundei o Instituto Sundance há
30 anos atrás crendo que é vital assegurar que a voz do artista permaneça vibrante,
valorizada e ouvida no sociedade civil como um todo.
É com isto
em mente que eu peço a você para unir-se a mim no sentido de ampliar a atenção e o
apoio a um caso extremamente importante atualmente em curso na justiça dos Estados
Unidos.
Em 6 de maio
de 2010, o juiz Lewis A. Kaplan ordenou ao cineasta Joe Berlinger a entregar para a
Chevron Corporation todo o material bruto de filmagem em torno de 600 horas
da produção de seu documentário, Crude: The Real Price of Oil / Bruto: O Preço
Real do Petróleo. A Chevron demandou o uso desse material de filmagem para reforçar seu
processo legal, no próprio caso cujo assunto central trata o filme de Berlinger. As
conseqüências dessa ocorrência para a comunidade de jornalistas, o mundo do cinema e a
sociedade em geral são chocantes e profundas.
[Nota do tradutor: este artigo deve ser lido em combinação com o "Desastre
com petróleo na Amazônia, pior do que no Golfo do México" neste website
na coluna "Ambiente Marinho"
Por Bob Herbert, New York Times 05/06/2010 traduzido por Luís
Peazê/Clínica Literária -- Publicado em 06/06/2010 11:35]
Joe
Berlinger está ligado à família Sundance de várias maneiras, há muitos anos. Crude
fez a sua estréia mundial no Festival de Filme Sundance de 2009; ele dedicou seu tempo e
especialidade ao Instituto Sundance como voluntário, trabalhando como um dos jurados da
competição e como palestrante do Festival, e participou no Programa de Filme
Documentário do Instituto. Joe dirigiu a série iconoclasta premiada do Canal Sundance,
com Bruce Sinofsky, assim como seu próprio filme foi difundido também no Canal.
Sua carreira
estelar inclui documentários marcantes tais como Brothers Keeper, Paradise Lost
and Metallica: Some Kind of Monster (Guardião de Irmãos, Paraíso Perdido e
Metálica: um tipo de monstro), todos os quais estreiaram em nosso Festival. Mas mesmo que
essas conexões não existissem, eu pediria veementemente pelo seu apoio. Aqui eu explico
porque:
Cineastas,
como Joe Berlinger, preenchem o papel crucial em nossa atual sociedade de fornecerem
informação independente sobre questões contemporâneas de pressão aos direitos humanos
e sociais. Seu sucesso como contadores de história dependem to acesso aqueles homens e
mulheres dispostos a falarem diante de uma câmera. Se os protagonistas desses
documentários estiverem com medo das conseqüências de falarem a verdade, então o
cineasta não tem uma história.
Sem uma lei
protetora, não há proteção reconhecida para o jornalista, cineasta e para a fonte,
criando este cenário que temos agora. O juiz deste caso deve reconhecer que aqui se
trata, acima de tudo, de uma questão primordial de emenda. Os tribunais superiores
precisam reverter a sua decisão e aderirem a padrões mais altos de privilégio
jornalístico.
Se
permitirmos que a voz do artista independente seja sufocada, devemos esperar nada menos do
que extremas repercussões de liberdade de informação... e liberdade em geral. [artigo
original em inglês em http://www.huffingtonpost.com/robert-redford/joe-berlinger-vs-chevron_b_600433.html ]
Você pode apoiar o esforço legal de
Berlinger clicando aqui.
Luís Peazê, que já jogou bola, é escritor e
jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest
Hemingway. Autor de O Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária
Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal
BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente
marinho e costeiro.
Jornalismo -
Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
E o Diploma de Jornalista,
Meritíssimo?
por Luís Peazê Publicado em 07/04/2010
00:00
Dia do Jornalista
No princípio era o fato. Não
havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se
interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.
A primeira notícia foi contada
num tronco de árvore deitado no meio da estrada. Aqui eu vi um animal tão alto
quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com
um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois
seguimos em fila, do jeito de sempre.
Surgiu o precursor do jornalista,
um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia
de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou,
surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista,
mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde
viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres
só surgiriam muito tempo depois.
Surgiram também os cronistas,
intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos
vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de
se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.
A partir daí o mundo nunca mais
foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não
evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar
oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis,
enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo
dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento,
a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do
homem.
Desde àqueles primórdios do
jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre
outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas
ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco
Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano
influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de
perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra
igreja...
Os meios disponíveis para fazer
suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das
notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a
importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a
disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a
notícia.
Não faz muito tempo, do
romântico grito na rua do menino vendedor de jornais Extra! Extra! Extra!
ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em
tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor
da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu
exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco
ao caixeiro viajante.
O jornalista de hoje pode operar o
inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama
repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.
Através dessa evolução, desde a
prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade
jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica,
e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o
de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência,
diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal
função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não
lhe autoriza julgar ninguém.
Daí uma das razões, entre
outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.
O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não
utilizar a palavra que, um exercício prático para a disciplina na
construção de um texto.
Luís
Peazê, que já jogou bola, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de
"Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária
Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal BRCostal,
entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e
costeiro www.luispeaze.com/brcostal
FENAJ e o "re call" de
Jornalista sem diploma.jpg)
A Clínica Literária
entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a
sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de
comunicação.
Após muita polêmica e liminares,
o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) considerou
inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da
profissão de jornalista (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27
de março, a FENAJ Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos
sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de
profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão
máximo do sistema de justiça do país.
A Clínica Literária
se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o
assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que
possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em
segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Isto posto, a Clínica
Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma
reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de
transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do
diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de
jornalista somente aos profissionais diplomados.
Sendo assim, uma fase de
transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário
conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que
mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste
sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma
são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.
Acredita a Clínica
Literária que entre os opositores da exigência do diploma que não sejam
empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar
(na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições
trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses
opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e
representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o
seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de
jornalista.
Se há uma massa muito grande de
jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica
Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e
inflam o debate.
Para resolver este status quo, de
peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária
sugere:
a) há em franca atividade no
mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos
de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de
jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens,
possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes
voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o
julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação
acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez
composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria
lançada no mercado, na sociedade brasileira, um re call, uma chamada para a
regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.
Em paralelo a este ato inédito de
um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado
a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma
profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente
com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem,
necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um
debate no Congresso com parlamentares e juristas, legisladores e profissionais do
jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a
idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E
consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.
Jornalismo
- Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia
por Luís Peazê Publicado em 09/04/2010
11;24
Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do
Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um
exemplar de o Crônico Uma Aventura Diária
Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em
livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de
abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para
Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente
no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos
responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.
Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo
um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte,
cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para
voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia,
a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico,
Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva,
seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.
No dia seguinte, um pouco antes da
meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas
este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu,
sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do
Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.
O jornalista Luiz Martins da Silva publica
hoje (09/04/2010) no Observatório
da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do
atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os
inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num
outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta,
o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para
passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre
alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem
havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.
Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia
que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de
estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante,
sobre as questões do meio ambiente que nunca estão dissociadas das questões
urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de
vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar.
É onde estamos no exato momento.
Nos congressos sobre jornalismo ambiental,
tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar
na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é
unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que
um setor da sociedade o quarto poder que poderia estar exercendo este
poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.
Mas o viés não é este aqui, trata-se
apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada
pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de
audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a
atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e
repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente
começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos
tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico
esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias a tragédia de Abril no Rio
de Janeiro mas fica o registro.
Trata-se esta crônica do diploma da
tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo
por ruas de bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com
lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um
prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no
mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador
deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá
novamente repetindo as mesmas perguntas.
Neste sentido os atalaias, eficientes ou
não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do
meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro
neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam
dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da
tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados
estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à
sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os
únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.
Metáfora irônica, essa do diploma, de
quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução
necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por
exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas,
quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais
formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são
escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas
de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do
medo de perdê-los.
Leias também
sobre Jornalismo:
O Jornalismo e as Tragédias das Nações
por Luís Peazê publicado em 02/05/2010 13:55
Lixo de Notícias Flutuando de Graça na Rede
por Luís Peazê Publicado em 15/04/2010 19:00
Jornalismo
O que é
isso? No Japão não existe. E no Brasil?
por Luís
Pleazê - 07/03/2010 13:30
Discutir
Jornalismo é Discutir Tudo
por Luís Peazê em 14//12/2009 12:00:05
O debate eclodiu: o jornalismo morreu?
Queremos ler jornais do mesmo jeito que líamos antes?
por Luís Peazê em 08//12/2009 16:00:05
LOBBIES &
DROGAS - Seriam os políticos ventríloquos das empresas? 1/12/2009

Comentários:

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