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marfins.jpg (14192 bytes)Jornalismo - Esporte - Entretenimento
Dunga entre vírgulas
Por Luís Peazê publicado em 19/06/2010

Em entrevista coletiva (19/06/2010), o treinador da seleção brasileira, Dunga, disse “entre vírgulas”, parapraxia inferindo “entre aspas”, que a seleção da Costa do Marfim, assim como todas as demais seleções hoje em dia jogam muito preocupadas com os espaços para o adversário. Ninguém quer dar espaço. Ou, todos os times têm que procurar os seus espaços. E foi além, disse que a imprensa, no afã de buscar o seu espaço também, cria fantasias e não seria ele o bombeiro de alguns jornalistas incendiários. Neste caso – completou o Dunga –, são estes jornalistas que deveriam se explicar, se desculpar, com os seus leitores, sobre notícias inventadas.

Nesta mesma coletiva, Dunga respondeu a um jornalista que “o importante é a seleção, não o entorno. Primeiro vêm as seleções, depois o entorno. Se inverter esta ordem, acabou o futebol”. Oportuno recomendar (re)ler artigo deste observador no Observatório da Imprensa, sobre a ética no jornalismo esportivo. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594JDB005 

É bem provável que o Dunga tenha lido “O vento das transformações” de Alberto Dines, seu comentário para o programa radiofônico do OI, 18/6/2010: “A Suíça não é a única "zebra" neste Mundial sul-africano. O inesperado, o acidental, o imprevisto e o inopinado por enquanto dominam a 19ª Copa – nos gramados, nos placares, no entorno.” http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=594JDB013

Somatório verbal

Observando sobre a web metrics (análise comportamental de usuários da internet pela tabulação de cliques), no mesmo OI criei o termo “buscabilidade”, sobre a consolidação da importância dos motores de busca, como o Google, para o jornalismo moderno, em vários sentidos. No passo seguinte, eu deveria ter explorado a importância de uma das metodologias de otimização (de web sites e seus conteúdos) voltadas para os motores. O uso de palavras chaves, atribuição dos analistas de SEO. O OI já está inundado de textos abordando o assunto. Mas, lá na década de 1980 e 90 a gente se referia a coisa parecida, no âmbito das pesquisas de mercado, como “somatório verbal”. http://www.observatoriodaimprensa.com.br/artigos.asp?cod=567JDB014 

Assim como atualmente poucos jornalistas cedem imediatamente à voracidade das novidades tecnológicas de hoje (parece que a maioria tem preguiça de aprender), naquela época não era diferente. Em 1981 escrevi para um jornal do Rio um artigo sobre a capacidade monstruosa de um chip de computador ser capaz de armazenar 16 milhões de informações num espaço do tamanho de uma unha do polegar, e na velocidade/tempo de uma xícara de café caindo da mesa ao chão (os mais antigos devem lembrar de um certo comercial da IBM). O artigo lido hoje soa jurássico.

Eu utilizara o somatório verbal resultante de uma pesquisa de mercado, que destacava certas palavras, de uma classe social de consumidores, com a intenção de avaliar o impacto do texto. Ora, na época, somente outra pesquisa de mercado poderia responder à minha curiosidade. Mas insisti no meu empirismo, mostrei para pessoas mais próximas e enviei por fax, a cópia do jornal, para uma dezena de pessoas desconhecidas, perguntando “o que você acha?”. Recebi como resposta um telefonema e um fax, e das pessoas mais próximas ouvi e anotei os comentários.

Jornalismo esportivo a la Dunga

O que eu queria saber era se determinadas palavras seriam reproduzidas, repetidas, mencionadas acidentalmente nas respostas. Foram, todas elas. A pesquisa não me rendeu nenhum prêmio de comunicação, e não servia para nada objetivamente, mas era a minha forma de pesquisa, de experimentação, sei lá, coisa de autodidata, sem um orientador de pós doutorado à mão... Tempos mais adiante, ainda antes da Internet, procurei conversar com um amigo aposentado do Correio do Povo (Porto Alegre), que foi vizinho de mesa de Mário Quintana e outros monstros sagrados, o Seu Kleber Borges de Assis (in memorian), sobre a minha experiência e fui nocauteado com uma interjeição de gaúcho da antiga, indefensável. Para jornal, eu deveria me concentrar em aprender a escrever com clareza e ponto. 

Voltando às aspas do Dunga, que lembram uma dupla de marfins, vírgula, naquela coletiva perguntado sobre o nivelamento técnico das seleções desta Copa de 2010 na África, comparadas com seleções de outros tempos, quando as muito melhores se destacavam substancialmente, ele respondeu o seguinte: “olha, será que não são alguns jornalistas que não devem mudar o pensamento? Veja, a maioria dos jogadores da Costa do Marfim ou asiáticos, por exemplo, cresceram na Europa, jogam na Europa... Hoje em dia temos mais informações... Pela internet, pela experiência de jogar fora... é normal que os times, as seleções se nivelem. Depende da qualidade técnica de cada jogador fazer a diferença... superar o adversário...”.

Diante dessa aula básica de fundamentos do treinador da seleção brasileira, ficam duas perguntas em aberto, entre vírgulas (seja lá o que isso signifique):  será que o jornalismo esportivo não está repleto de dungas (de quando do Dunga jogava no meio de campo, duro, trombando, fraturando as jogadas), como será o jornalismo esportivo após a era dunga de jornalistas esportivos?

LEIA TAMBÉM Eras Dungas, aqui na Clìnica Literária em "Esportes"

 

Jornalismo - Cinema - Direitos Humanos
redford.jpg (14162 bytes)Robert Redford defende direitos de jornalista:
Todos devem defender o cinema independente

por Robert Redford, traduzido por Luís Peazê - publicado originariamente Copyright © 2010 HuffingtonPost.com, Inc. em 04/06/2010 18:50 e na Clínica Literária em 06/06/2010 16:20

Robert Redford ator, diretor e ativista ambiental

 

Devotei uma parte significante do trabalho em minha vida para apoiar o artista independente – independente não com relação ao tamanho de um projeto, ao seu orçamento ou assunto de que trata; mas sim, à visão singular e voz do artista. Fundei o Instituto Sundance há 30 anos atrás crendo que é vital assegurar que a voz do artista permaneça vibrante, valorizada e ouvida no sociedade civil como um todo.

É com isto em mente que eu peço a você para unir-se a mim no sentido de ampliar a atenção e o apoio a um caso extremamente importante atualmente em curso na justiça dos Estados Unidos.

Em 6 de maio de 2010, o juiz Lewis A. Kaplan ordenou ao cineasta Joe Berlinger a entregar para a Chevron Corporation todo o material bruto de filmagem – em torno de 600 horas – da produção de seu documentário, Crude: The Real Price of Oil / Bruto: O Preço Real do Petróleo. A Chevron demandou o uso desse material de filmagem para reforçar seu processo legal, no próprio caso cujo assunto central trata o filme de Berlinger. As conseqüências dessa ocorrência para a comunidade de jornalistas, o mundo do cinema e a sociedade em geral são chocantes e profundas.

[Nota do tradutor: este artigo deve ser lido em combinação com o "Desastre com petróleo na Amazônia, pior do que no Golfo do México" neste website na coluna "Ambiente Marinho"
Por Bob Herbert, New York Times 05/06/2010 traduzido por Luís Peazê/Clínica Literária -- Publicado em 06/06/2010 11:35]

Joe Berlinger está ligado à família Sundance de várias maneiras, há muitos anos. Crude fez a sua estréia mundial no Festival de Filme Sundance de 2009; ele dedicou seu tempo e especialidade ao Instituto Sundance como voluntário, trabalhando como um dos jurados da competição e como palestrante do Festival, e participou no Programa de Filme Documentário do Instituto. Joe dirigiu a série iconoclasta premiada do Canal Sundance, com Bruce Sinofsky, assim como seu próprio filme foi difundido também no Canal.

Sua carreira estelar inclui documentários marcantes tais como Brothers Keeper, Paradise Lost and Metallica: Some Kind of Monster (Guardião de Irmãos, Paraíso Perdido e Metálica: um tipo de monstro), todos os quais estreiaram em nosso Festival. Mas mesmo que essas conexões não existissem, eu pediria veementemente pelo seu apoio. Aqui eu explico porque:

Cineastas, como Joe Berlinger, preenchem o papel crucial em nossa atual sociedade de fornecerem informação independente sobre questões contemporâneas de pressão aos direitos humanos e sociais. Seu sucesso como contadores de história dependem to acesso aqueles homens e mulheres dispostos a falarem diante de uma câmera. Se os protagonistas desses documentários estiverem com medo das conseqüências de falarem a verdade, então o cineasta não tem uma história.

Sem uma lei protetora, não há proteção reconhecida para o jornalista, cineasta e para a fonte, criando este cenário que temos agora. O juiz deste caso deve reconhecer que aqui se trata, acima de tudo, de uma questão primordial de emenda. Os tribunais superiores precisam reverter a sua decisão e aderirem a padrões mais altos de privilégio jornalístico.

Se permitirmos que a voz do artista independente seja sufocada, devemos esperar nada menos do que extremas repercussões de liberdade de informação... e liberdade em geral. [artigo original em inglês em http://www.huffingtonpost.com/robert-redford/joe-berlinger-vs-chevron_b_600433.html ]

Você pode apoiar o esforço legal de Berlinger clicando aqui.

Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Autor de O Elo Perdido da Medicina, dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro.


Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento

diploma.jpg (60105 bytes)E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?
por Luís Peazê   Publicado em 07/04/2010 00:00

Dia do Jornalista

No princípio era o fato. Não havia ninguém para contar a história. Os fatos foram se acumulando e as pessoas se interessando cada vez mais sobre as novidades. Assim surgiu a notícia.

A primeira notícia foi contada num tronco de árvore deitado no meio da estrada. “Aqui eu vi um animal tão alto quanto às árvores ao redor, de quatro patas e um rabo muito grande, matei o animal com um tacape na presença de minha família, mulher, dois filhos e um parente. Depois seguimos em fila, do jeito de sempre”.

Surgiu o precursor do jornalista, um homem comum acumulando duas ocupações, a de caçador e cronista. Narrava a cronologia de suas andanças, quando algo inusitado acontecesse. Andava sem parar. Quando parou, surgiu um outro tipo de homem: o caixeiro viajante, o segundo precursor do jornalista, mais descritivo e mais seletivo nas notícias narradas pessoalmente, nas terras para onde viajava. Nesta época surgiram vários tipos de homens, os tipos diferentes de mulheres só surgiriam muito tempo depois.

Surgiram também os cronistas, intérpretes dos caixeiros viajantes e estudiosos da palavra escrita, com símbolos vários, depois consolidados em letras. Começaram a surgir as várias formas móveis de se divulgar as notícias, encadeadas na forma de histórias.

A partir daí o mundo nunca mais foi o mesmo. Pode-se afirmar o seguinte: sem a divulgação das notícias o homem não evoluiria ao ponto e da forma como evoluiu até os dias de hoje. Foi preciso cruzar oceanos desconhecidos, ultrapassar cadeias de montanhas aparentemente intransponíveis, enfrentar diferenças climáticas extremas, as barreiras das diferentes línguas, tudo dificultava a evolução do homem. Somente a divulgação da notícia, ou do conhecimento, a comunicação na sua essência, possibilitou e possibilita a evolução contínua do homem.

Desde àqueles primórdios do jornalismo e durante muito tempo, o precursor do jornalista apreendia informação sobre outras atividades humanas, profissões, para contar histórias, reportar as notícias, mas ele mesmo não tinha uma profissão definida. Um aventureiro irresponsável de nome Marco Pólo parte com seus navios sem rumo definido; a enchente do Rio Nilo deste ano influenciou na colheita do trigo, menor quantidade, subiu o preço; um novo fabricante de perfume chegou a Paris; fulano será enforcado; o Santo Padre mandou construir outra igreja...

Os meios disponíveis para fazer suas reportagens e imprimir as notícias eram poucos e simplórios, a apuração das notícias não era nada sofisticada e o público em geral não havia descoberto ainda a importância da imprensa, falada e escrita. Jamais imaginaria uma mídia instantânea, a disseminação da informação à velocidade da luz e a possibilidade de interação com a notícia.

Não faz muito tempo, do romântico grito na rua do menino vendedor de jornais – Extra! Extra! Extra! – ao silencioso painel eletrônico na fachada do edifício de uma megalópole divulgando em tempo real a descoberta para o câncer, a eclosão de mais uma guerra insana ou o vencedor da Copa do Mundo de Futebol, passaram-se apenas cinco séculos, mas o mundo evoluiu exponencialmente muito mais em comparação com a lenta evolução do narrador no tronco ao caixeiro viajante.

O jornalista de hoje pode operar o inconsciente coletivo, operar o sentimento das massas, guindar um desconhecido à fama repentina ou à difamação irreparável instantaneamente.

Através dessa evolução, desde a prensa de Guttenberg (para não se ir mais longe) a demanda pela ética e a complexidade jurídica do termo responsabilidade solidária impõem a formação criteriosa acadêmica, e o seu aperfeiçoamento contínuo, do jornalista, de um modo tão crítico quanto o é o de um neurocirurgião, o de um engenheiro espacial, o de um jurista, cuja essência, diga-se de passagem, qualquer indivíduo poderia, em tese, ser capaz de desempenhar tal função social. Mas ele precisa ter um diploma, do contrário a sociedade, a lei, não lhe autoriza julgar ninguém.

Daí uma das razões, entre outras, da importância do diploma para o desempenho da função de jornalista.

O texto acima foi escrito em 15 minutos com a determinação de não utilizar a palavra “que”, um exercício prático para a disciplina na construção de um texto.

Luís Peazê, que “já jogou bola”, é escritor e jornalista (MTB 24338), tradutor de "Por Quem os Sinos Dobram" de Ernest Hemingway. Dirige a Clínica Literária – Consultoria e Agência de Notícias e o Instituto Brasil Costal – BRCostal, entidade sem fins lucrativos dedicada à difusão das questões do meio ambiente marinho e costeiro www.luispeaze.com/brcostal

FENAJ e o "re call" de Jornalista sem diplomaselo_fenaj(1).jpg (21224 bytes)

A Clínica Literária entra na discussão sobre o diploma de jornalista como condição imprescindível para a sindicalização e, por extensão, desempenho da função de jornalista nos meios de comunicação.

Após muita polêmica e liminares, o Supremo Tribunal Federal de Justiça (em 17 de junho de 2009) “considerou inconstitucional a obrigatoriedade do diploma de Jornalista para o exercício da profissão de jornalista” (Fonte: FENAJ). Em reunião do Conselho do último dia 27 de março, a FENAJ – Federação Nacional dos Jornalistas decidiu recomendar, aos sindicatos, não aceitarem a sindicalização e nem mesmo a associação aos sindicatos de profissionais sem o diploma de jornalista, contrariando uma decisão daquele órgão máximo do sistema de justiça do país.

A Clínica Literária se posiciona da seguinte maneira: em primeiro lugar solicita aos interessados em debater o assunto, com a mesma, a não reproduzirem parcialmente a sua opinião, sempre que possível contextualizá-la com as informações e destaques aqui neste web site; em segundo lugar convida à leitura do texto criado especialmente para o Dia do Jornalista: E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo?

Isto posto, a Clínica Literária defende a idéia de que, apesar da luta da FENAJ pelo diploma ser uma reivindicação longeva, não se pode negar que a questão passa por uma fase de transição, com sorte para a premiação ao esforço dos que defendem a exigência do diploma para a sindicalização e consequentemente do direito de exercer a profissão de jornalista somente aos profissionais diplomados.

Sendo assim, uma fase de transição, a Clínica Literária está convicta de que é necessário conquistar os opositores à idéia de exigência ao diploma, em primeiro lugar, para que mudem sua opinião, para que passem a defender também a exigência do diploma; neste sentido é preciso expor publicamente os opositores, posto que os defensores do diploma são francamente vogais voluntários e passionais a respeito.

Acredita a Clínica Literária que entre os opositores da exigência do diploma  que não sejam empresários da mídia, empregadores, e, portanto, óbvios interessados em não engessar (na sua visão) suas gestões de recursos humanos, e não enfrentarem restrições trabalhistas amparadas por um órgão de classe (os sindicatos), então, excetuando esses opositores teoricamente bem identificados, há poucos profissionais com voz forte e representativos que não possuem diploma e que seriam prejudicados tempestivamente com o seu impedimento de continuar exercendo a profissão porque não dispõem de um diploma de jornalista.

Se há uma massa muito grande de jornalistas opositores à exigência de diploma, entre esses, infere a Clínica Literária, não há muitos que não têm diploma, apenas se posicionam contra, e inflam o debate. 

Para resolver este status quo, de peneirar o mercado e separar o joio do trigo, a Clínica Literária sugere:

a) há em franca atividade no mercado de trabalho um elenco enorme de profissionais maduros, experimentados e egressos de uma época que, de fato, não era nem discutida a exigência ou não do diploma de jornalista, muitos desses profissionais possivelmente treinaram jornalistas mais jovens, possivelmente alguns deles ainda o fazem; b) este elenco poderia oferecer alguns nomes voluntários ou convidados de modo a formar um Conselho em Caráter Temporário para o julgamento de casos de formação de jornalista pela prática, contudo sem a formação acadêmica; c) o Conselho da FENAJ consultaria esse Conselho Temporário, uma vez composto, para consolidar um critério de avaliação caso a caso; d) com isso seria lançada no mercado, na sociedade brasileira, um “re call”, uma chamada para a regulamentação do exercício profissional desses jornalistas não diplomados.

Em paralelo a este ato inédito de um órgão de classe, francamente revelado ao grande público, e uma vez tendo conquistado a massa crítica de opositores à idéia da exigência do diploma de jornalista, uma profissão cuja atividade é de interesse do público em geral, bombardeado diariamente com informação e notícias as quais precisa confiar, posto que não tem, necessariamente, meios de apurá-las, a Clínica Literária sugere um debate no Congresso com parlamentares e  juristas, legisladores e profissionais do jornalismo, e representantes da sociedade civil organizada, com o objetivo de consolidar a idéia da exigência do diploma para o exercício da profissão de jornalista. E consequentemente a sua legibilidade decretada por Lei Federal.

Jornalismo - Política - Ciência & Tecnologia - Comportamento
O Diploma da Tragédia

por Luís Peazê   Publicado em 09/04/2010 11;24

Eu saía do Sindicato dos Jornalistas do Rio de Janeiro, na segunda-feira 5, após deixar para a presidente Suzana Blass um exemplar de o Crônico – Uma Aventura Diária Nas Esquinas do Rio, a história inédita do gênero crônica nunca antes narrada em livro, na forma de crônica, e frustrou-me a impossibilidade de discutir uma nova forma de abordar a questão do diploma de jornalismo e apresentar o projeto de Prêmio para Jornalistas Formandos, bolsas no exterior e nacionais: Suzana sofrera um pequeno acidente no trajeto para o Sindicato, por conta da chuva. Era o prenúncio da formatura dos responsáveis pelas tragédias que iriam acontecer, e aconteceram.

Corri para casa, em Saquarema, pois, sendo um irremediável velejador de cruzeiro, estou continuamente perscrutando o horizonte, cheirando o tempo, lendo as nuvens, observando o vôo das aves no céu, impaciente para voltar para o mar, revivendo mentalmente o Alvídia, a história de meus dois anos velejando no Mar da Tasmânia, de Corais, Pacífico, Arafura, Timor, num veleiro que construí com as próprias mãos. Previa muita chuva, seguida de vento, frio e das ressacas anuais desta época.

No dia seguinte, um pouco antes da meia-noite, publiquei o texto E o Diploma de Jornalista, Meritíssimo? Abaixo do texto vem o início de uma série que discutirá a formação em jornalismo, mas este não repercutiu nada, até o momento, o outro sim, incluindo ofensas morais que eu, sinceramente, não entendi, pois o texto é até ingênuo, só pretendia celebrar o Dia do Jornalista, 7 de abril, dia do início da tragédia anunciada.

O jornalista Luiz Martins da Silva publica hoje (09/04/2010) no Observatório da Imprensa um belo texto onde faz uma analogia do jornalista com a figura bíblica do atalaia, que em dado episódio (Reis), após perscrutar do alto de uma torre, se os inimigos se aproximavam, foi mandado ao encontro daqueles para perguntar se havia paz. Num outro livro da Bíblia (Ezequiel), se o atalaia vier com a espada, não tocar a trombeta, o povo não será avisado e ele será o primeiro a morrer. Isto é, se não vier para passar uma informação, então é guerra. Com o tempo atalaia virou sinônimo de torre alta para a vigilância, e grito de alerta. Realmente, boa analogia. Neste sentido tem havido um pecado reincidente, dos atalaias das redações, e não é por falta de aviso.

Peca o jornalismo praticado no dia-a-dia que não privilegia a enxurrada de informação, ações, iniciativas, estudos, e falta de estudos, pois a falta de alguma coisa também é notícia, invariavelmente alarmante, sobre as questões do meio ambiente – que nunca estão dissociadas das questões urbanas, das políticas públicas a níveis locais, regionais e nacionais, da qualidade de vida, em síntese. E, se não há qualidade de vida, é a tragédia que ocupa o seu lugar. É onde estamos no exato momento.

Nos congressos sobre jornalismo ambiental, tratado unicamente como um setor, ou uma editoria, equivocadamente, tem havido o martelar na tecla de que a mídia não cobre bem o assunto. Ou não sabe, ou não quer, mas é unânime, dentro e fora da mídia, neste caso pelos especialistas, a idéia triste de que um setor da sociedade – o quarto poder – que  poderia estar exercendo este poder não o exerce. Tragédia iminente à vista, óbvio.

Mas o viés não é este aqui, trata-se apenas de uma breve pausa no meio dos escombros do terceiro dia de tristeza generalizada   pelas conseqüências, e galeria de imagens da luta pela concorrência de audiência, número de leitores, visitas em web sites de conteúdos, para chamar a atenção, mais uma vez, dos diretores de jornais, editores, chefes de redação e repórteres de campo que contextualizem suas pautas com as questões do meio ambiente – começando pela degradação, pelo lixo, pelas coisas mal feitas, que pelo menos tragam para as manchetes a discussão da responsabilidade solidária, um termo jurídico esquecido. Um alerta inaudível em tais circunstâncias – a tragédia de Abril no Rio de Janeiro – mas fica o registro.

Trata-se esta crônica do diploma da tragédia que deve ser dado, incluindo a devida premiação, aos culpados. Quando dirijo por ruas de  bairros ou cidades ao longo de estradas visivelmente abandonadas, com lixo e construções irregulares de fácil constatação, sempre me pergunto: o que faz um prefeito em seu gabinete neste exato momento que não emprega gente para limpar (no mínimo) a sua jurisdição, o que fazem os seus secretários, os vereadores, o governador deste estado? Reflito, me frustro, desisto e num futuro muito próximo estarei lá novamente repetindo as mesmas perguntas.

Neste sentido os atalaias, eficientes ou não, dedicando o devido espaço, linhas, minutos, imagens, ou não para as questões do meio ambiente, têm alertado o suficiente para que tragédias como a do Rio de Janeiro neste inesquecível mês de abril não aconteçam. Não merecem o diploma, nem precisam dele para exercer o seu poder de informar a sociedade. Os merecedores do diploma da tragédia são: o prefeito, o governador, seus secretários, os vereadores, os deputados estaduais, um conjunto de agências e autarquias, e por fim um pouco de louvor à sociedade como um todo, embora esses últimos, pela experiência da história, serão os únicos a serem agraciados com as honras do diploma dessa tragédia.

Metáfora irônica, essa do diploma, de quem escreve com um cadáver entre os dentes, incapaz de provocar uma revolução necessária, aliás, foi-se o tempo das revoluções, essa do diploma de jornalista, por exemplo, eu, que nem tenho diploma, não preciso de um para ser jornalista há décadas, quero defender, acho que é importante o estímulo à formação acadêmica, quanto mais formal, densa, profunda possível, melhor, embora imprescindível. Mas o que se vê são escombros intelectuais, enxurradas de interesses paralelos, explosões insanas travestidas de elaborações teóricas, tudo à razão da vontade de ganhar dinheiro e poder, ou do medo de perdê-los.

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