lp.jpg (2952 bytes)
homepage do autor

ASSINATURA

nome:

e-mail:

cidade e estado:

.

COMPRAR LIVROS

amazongifb.gif (1428 bytes).

ANUNCIAR

<<ad-editorial>> banner>> projetos taylor made>> entre em contato>>

Náufragos - capinha.jpg (105239 bytes)
Em seu romance de estréia Maria de cada porto (1959), Moacir C. Lopes conta a pungente história de um grupo de náufragos cinco dias à deriva no mar juntando esforços para continuarem vivos. Em Onde repousam os náufragos, vai além: não é a própria morte que seus personagens precisam evitar, mas o desaparecimento de um navio que deu sentido a suas existências.


Crônicas recentes:



.
.
Imperecível:
Os Trabalhadores do Mar - Victor Hugo
O prólogo da tradução de Machado de Assis desse clássico diz: "A religião, a sociedade, a natureza: tais são as três lutas do homem. Estas três lutas são ao mesmo tempo as suas três necessidades; precisa crer, daí o tempo; precisa criar, daí a cidade; precisa viver, daí a charrua e o navio. Mas há três guerras nestas três soluções. Sai de todas a misteriosa dificuldade da vida. O homem tem de lutar com o obstáculo sob a forma superstição, sob a forma preconceito e sob a forma elemento. Tríplice ananke (em grego: necessidade, fatalidade) pesa sobre nós, o ananke dos domas, o ananke das leis, o ananke das coisas. Na Notre-Dame de Paris, o autor denunciou o primeiro; nos Miseráveis, mostrou o segundo; em Os Trabalhadores do Mar indica o terceiro. A estas três fatalidades que envolvem o homem, junta-se a fatalidade interior, o ananke supremo, o coração humano. Houteville-House, março de 1866.

Por Luís Peazê: a exemplo de Cervantes, Victor Hugo escreveu suas melhores obras primas no exílio (aquele estava na verdade preso numa cela quando escreveu Dom Quixote). Os Miseráveis foi escrito na Ilha de Guernesey, onde o autor ficou exilado, inimigo acérrimo de Napoleão Bonaparte, e onde escreveu o manisfesto Napoleão, o pequeno. Os Trabalhadores do Mar é dedicado aos marinheiros de Guernesey.


Ninfas do Mar
Embarcações da Petrobras dedicadas ao combate a derramamentos de óleo no mar

Luís Peazê*

As formas mais jovens, até os seus cinco ínstares ninfais, dos percevejos são imperceptíveis no colmo das plantas, entretanto a devastação é iminente. Na fase adulta, com 3 milímetros de comprimento, sugam o pé do arroz, do milho, do amendoim e de outras plantas até deixá-las chochas e finalmente mortas. Pesquisadores da Embrapa estão estudando uma forma de combater esses insetos com a armadilha montada com o cheiro do feromônio que os machos exalam para seduzir a fêmea para o coito, ou o som que seus corpos produzem na hora da transa (aqueles gritinhos). Com isso esperam atrair seus predadores, entre eles a micro-vespa, espiões químico-físicos desses cheiros e sons, que depositam seus ovos dentro da postura (ovos também) dos percevejos, instalando futuros espiões no corpo das ninfas, como são chamados os percevejos na sua fase infante.

Enquanto tudo isso pode estar acontecendo surdamente numa plantação de milhões de hectares de terra, nos 4,2 milhões de quilômetros quadrados de águas oceânicas que banham o Brasil, gigantescas aranhas de ferro plantadas no meio do mar sugam as entranhas do planeta extraindo uma substância negra e viscosa que, se faltar de repente, pode levar o mundo ao colapso e pandemônio. Daí, o nosso dever de olhar com carinho para àqueles gigantes que se arrastam pelos mares transportando petróleo, os navios petroleiros, vistos por ferozes ambientalistas como ameaçadores da vida na Terra. De um certo modo os navios, desde que se descobriu o petróleo, apenas giram o mundo, é o homem o percevejo que suga a seiva vital deste pequeno torrão solto em torno do sol e minúsculo em relação ao universo.

Mas e as ninfas? Ninfas não são, na mitologia grega, as divindades que habitam os rios, fontes, bosques, montes e prados? Ou, mulheres jovens e esbeltas, crisálidas? São, como também assim são chamados os pequenos lábios (da vulva). Ou seja, nem sempre o que se vê é o que é, pelo menos apenas isso.

O poeta Rainer Maria Rilke escreveu uma vez, mais ou menos assim, que enquanto milhões de rosas desabrocham pelo mundo afora guinchando de modo inescutável no meio do silêncio e mistérios da noite, milhões de bebês mergulham para fora de úteros dando início a uma nova fase da vida que iniciaram a um tempo atrás, incontável. Há vinte anos uma empresa multinacional poderia utilizar essa bonita expressão poética para ilustrar um anúncio institucional de TV, e emocionar a audiência, para contar orgulhosamente o número de unidades fabris espalhadas pelo mundo. Hoje em dia já não pode mais. A consciência coletiva com relação à preservação da vida, ou melhor, com relação à qualidade de vida sobre a Terra, chega cada vez mais perto de uma massa crítica implacável, e as empresas ficam cada vez mais eterais, deixando nas mãos dos homens e mulheres que nelas trabalham a responsabilidade de atenderem às verdadeiras necessidades do indivíduo comum. E isto nos põe em direto contato com o conceito de responsabilidade social. A empresa que equilibrar no mesmo plano de importância, a sua finalidade econômica, o lucro, com a de preservação da natureza e da inclusão social terá sucesso, a que desequilibrar de um desses três pilares, afundará, ou ficará chocha, mais cedo ou mais tarde.

A atividade das embarcações dedicadas ao combate a derramamentos de óleo no mar faz parte do plano de contingência da Petrobras. Só para lembrar, diz-se de contingente o plano que é feito para substituir um outro numa eventualidade. No caso, o plano original é extrair e transportar petróleo e para isso a mais alta e diversificada tecnologia (mecânica, física, química, biológica, geológica, elétrica, eletrônica, marinha, oceânica, de gestão, etc), orgulho nacional**, é reunida em torno daqueles três pilares mobilizando dezenas de milhares de empregados, e mais de 175 milhões indiretamente. Em caso de uma ocorrência inevitável, já que nem uma gota d’água nunca cai no mesmo lugar, na mesma velocidade e proporção, o barco Astro Ubarana entra em ação com seus seis homens de macacões azuis, a tripulação responsável por recolher manchas de óleo que navegam na superfície da água do mar, e seus doze tripulantes, de macacões laranjas, que fazem o barco andar a um nó de velocidade, isto é, quase parado. Pois é somente nesta velocidade que é possível se recolher óleo do meio líquido e turbulento pelas ondas do mar. Por isso a introdução longa desse texto. Como no Astro Ubarana, fica-se horas, dias, meses sem uma ação sequer e quando ele é chamado tem que agir instantaneamente.

Para isso o Astro Ubarana parece um tubarão navegando sem parar, nunca pára, fica bordejando de dentro para fora da Baía da Guanabara ininterruptamente, troca de turma a cada período de 35 dias, e, como é inimaginável ter-se infinitamente um plano de contingência para o plano de contingência, a equipe do Astro Ubarana não pode falhar quando é acionada. Assim, treina incessantemente. E a tarefa, vista do passadiço do robusto barco de aço, parece simples. Resume-se em colocar lanchas de trabalho na água, de cima do convés, acoplar esteiras verticais que bóiam com uma saia vertical imersa abaixo do filme hipotético de óleo derramado para encurralar o óleo perdido, e um equipamento que parece um enorme percevejo que suga este óleo, os skimmers, para tanques no convés. E ainda treinam a dispersão de óleo em casos em que o remédio é dispersá-lo, ou o uso de absorventes gigantes. Que as feministas radicais não se açodem, é apenas uma forma de enxergar a coisa, pois afinal tudo sai ricamente das entranhas da Terra e não há razão para pudicísmo, tenhamos olhos para a beleza em tudo, no mais nobre sentido, e paremos de agir como trogloditas que penetram no mundo, extraem o seu mel e se vão, sem olhar para trás. Neste sentido a Petrobras é feminina, e lembra uma ninfa.

Mas essas metáforas não são gratuitas. No Astro Ubarana, o responsável pelo treinamento das equipes, o Engenheiro Cláudio Fayad, inventou um bambolê que são argolas de vergalhões de ferro equipadas com pequenas rodinhas de isopor que simulam o comportamento de laranjas-limas boiando e se deslocando com a corrente do mar. É! Laranjas. As laranjas são utilizadas para simulação de deslocamento de manchas de óleo no mar. E convenhamos, jogar laranjas no mar é um desperdício, não é? Palmas para o Bambolê do Fayad, dizem técnicos americanos que aqui vêm para aprender com a criatividade do brasileiro.

Aliás esse senhor cheio de entusiasmo, o Seu Fayad como é chamado pela tripulação do Astro Ubarana e do Norsul Marati (operando no litoral de Aracaju), era um percevejo. Serviu na Força Aérea Brasileira e os soldados que no seu tempo moravam no quartel da FAB eram chamados de percevejo. Assim, voltando ao assunto inicial das ninfas, ínstares dos ovos de percevejo, o seu significado etimológico (origem da palavra) vem do latim nhymphae e, segundo diz o dicionarista renascentista Bluteau (1712) "Porfírio escreve que se chamavam ninfas as almas dos homens, na realidade, ninfa tem analogia com o hebraico nephes que quer dizer alma."

E o que se vê, nas equipes do Astro Ubarama, do Norsul Marati e do Rebello XV (outro barco sendo preparado para a mesma função, destinado a basear, sem fundear, em São Sebastião), são homens com a alma do mar, sem exagero, dedicados, treinando dia após dia, tarefas aparentemente monótonas, mas perigosas e pesadas, sob o sol, sob a chuva, sob condições tempestivas de mar e (**) com a bandeirinha do Brasil colada no braço.

Copyright © 2003 Luís Peazê – escritor e jornalista científico (MTB 24338) idealizador e coordenador geral da Aventura no Brasil Costal


»» Heloisa Buarque de Hollanda
na Clínica Literária antes da Bienal
Leia mais »»

 

Opinião
Beijo de língua entre meninas

A brincadeira da libido da moda em relação ao estudo da lingüística - a Clínica Literária faz uma aventura radical num texto impossível.

Oswaldo Siciliano Responde por que é candidato à presidência da Câmara Brasileira do Livro. Raul Wassermann diz porque apóia José Henrique Grossi. O osso deve ser bom, pois estão peleando que dá gosto de ver. leia >>>

Lei também os boletins de cada chapa e o resultado da enquete sobre a disputa das chapas Integração e Participação versus Experiência e Modernidade

Política
Somatório Verbal, uma análise do discurso dos candidatos à presidência da CBL:
Uma das chapas carrega nas aliterações em "ão" e em "al" denotando uma retórica com ressaibo eleitoreiro, bem distanciada da prática. A outra chapa pulveriza gerúndios, declinações em "ar" e estalidos do particípio passado, não necessariamente sugerindo justificativa e ação, mas talvez com a intenção de atingir todos os pontos daquela problemática de uma só vez. Leia mais>>>
Crônica
Um Lula Americano
by John Hemingway (english/portuguese) "Se o Brasil fez isto, por que nós também finalmente não colocamos um socialista na Casa Branca?

Nas Esquinas do Rio - Luís Peazê Amor em vidrinho, De boas intenções o inferno está cheio, A Arte da Inclusão Social >>>anteriores>>>

SELEÇÃO DE MATÉRIAS DE 2002

 

 

 

prnewslogo.gif (2771 bytes)

 

 

 

Copyright © 2002 - 2003 Clínica Literária Consultoria, Planejamento, Editora e Notícias Ltda.
Termos e condições de uso - Política de reciprocidade - Correções - Contato