Um Sonho Realizado
Por Luís Peazê
Postado em 17 de março de 2009 - 11:39:00 BRTMeu contentamento é como se eu já estivesse lá, na
atmosfera do Wooden Boat Festival dos
Estados Unidos. Um sonho que vem de longe.
Em Alvídia, Um Horizonte a Mais, a história de
desejar ter um barco, de construí-lo com as próprias mãos, de velejar este barco, viver
a bordo, vontade tão forte a ponto de largar empresa, vida financeira confortável, etc,
e depois escrever um livro contando tudo, há o registro de como nasceu em mim o sonho de
vivenciar o mundo dos barcos tradicionais de madeira.
No início, francamente, minha cegueira era tamanha que não via diferença entre barcos a
motor, lanchas, veleiros, barcos de fibra, barcos de madeira. Eu sentia uma única coisa
que me motivava: um certo cheiro de ambiente náutico, um cheiro característico que foi
me conduzindo lentamente em direção a gravuras nórdicas, aos tempos dos piratas, dos
antigos navegadores, e por esta rota foi inevitável não aterrar no mundo mágico dos
barcos cujas linhas são uma assinatura da própria alma que eles herdaram do tronco das
árvores, das mãos de seus construtores e sobretudo deste imenso universo singular que
são os mares.
Não há como negar: um artista plástico, ao deparar-se com a paisagem de barcos de
vários tipos ancorados, ao largo ou próximos a um píer, dará suas pinceladas na tela
inspirado na beleza de um belo barco de madeira. Não importa o seu estado de
conservação, seu tamanho, sua história.
Quando idealizei construir o Dinghy Peazê,
no início de 2006, tinha em mente um barquinho pequeno, que deveria ser de tabuado com a
aparência dos barcos antigos. E não foi difícil esbarrar nesta obra prima de Nathanael
Herreshoff, que, honestamente, eu não conhecia, mas que foi amor à primeira vista. Ao
adquirir um livrinho do Mystic Museum, USA, deparei-me com a surpresa de que deveria
descobrir a pólvora; desenvolver o lofting (as linhas do barco) e aprender um mundo de
coisas, se eu quisesse seriamente construir uma réplica ou algo parecido. Foi a partir
deste ponto que comecei a perceber que realizava mais um sonho.
Pois um sonho é realizado durante o processo de superação de nossas carências; pois um
sonho é realizado quando uma vontade indomável dentro de nós nos empurra a uma
aprendizagem da qual não nos desvincularemos jamais. E, quando um sonho se materializa
aos olhos das pessoas, aí só nos resta compartilhá-lo, especialmente a experiência
deste processo de realizar um sonho.
Por falar nisso, Port Townsend, WA, USA, a cidade da Wooden
Boat Foundation, onde será exibido o Dinghy Peazê, o primeiro barco
brasileiro da história do tradicional Wooden
Boat Festival, nos dias 11, 12 e 13 de setembro de 2009, é conhecida como a Cidade
dos Sonhos.
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