Campanha pela Tarifa Livro de Envio de Livros pelos Correios
Iniciativa lançada em 07/09/2006 por Luís Peazê e Clínica Literária
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Boa noite. Eu sou o Luís Peazê e gostaria de agradecer a
presença de cada um de vocês pela atenção e vontade de conhecer a campanha pela TARIFA
REDUZIDA DE ENVIO DE LIVRO PELOS CORREIOS. No web site da UNIVERSIA BRASIL que congrega universidades
brasileiras e de países da América Latina, há a definição do que seja uma EDITORA
UNIVERSITÁRIA? Informa, este web site, que as editoras universitárias são responsáveis por 8% dos livros publicados no país, o restante pertence às editoras privadas. Neste Web site, segundo o presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), José Castilho, não há lei que defina e passe recursos para as editoras universitárias, que são instituições sem fins lucrativos. José Castilhos, filósofo, também preside a Editora da
Unesp e é um dos principais membros do Conselho Executivo do PNLL Plano Nacional
para o Livro e a Literatura. COMO SE MANTÊM ESSAS EDITORAS UNIVERSITÁRIAS, DIZ O SITE: As editoras universitárias têm como principal fonte de renda os convênios com as próprias instituições de ensino e os recursos gerados através da venda de livros. São empresas sem fins lucrativos. Agora, TIRANDO A EXPRESSÃO SEM FINS LUCRATIVOS, TODAS AS EDITORAS QUE SE PREZAM TAMBÉM OSTENTAM ESTA FUNÇÃO NOBRE DE ESTIMULAR A PRODUÇÃO INTELECTUAL, VÃO até MAIS ALÉM, DIZEM CULTURAL, NÃO SÓ DOS DOCENTES, PESQUISADORES E ESTUDANTES; DIZEM DA SOCIEDADE. SE ISSO ACONTECESSE DE FATO PODERÍAMOS IMAGINAR UMA SOCIEDADE BRASILEIRA FAMINTA DE COMIDA MAS SAUDÁVEL INTELECTUAL E CULTURALMENTE. A VERDADE É QUE NÃO SOMOS, NEM UMA COISA NEM OUTRA. Pra começar eu conheço editores que são empresários frios como qualquer outro empresário, frio, bem entendido, no sentido de preocupação com o investimento de seu capital. E não há pecado nenhum nisso. Ou há? Ainda, sobre a topografia da cadeia produtiva de livro: temos menos livrarias que em Buenos Aires; temos menos bibliotecas do que farmácias, muito menos; temos mais editoras do que leitores, exagerando um pouco para destacar o nosso estado de calamidade no mundo da leitura. Há anos eu trabalhava com o índice de 2,5 livro/ano por pessoa e achava isso uma obscenidade. As últimas estatísticas (do trabalho do Fábio de Sá e George Kornis) apontam 1,8 livro/ano por pessoa, sem distinguir livro didático de literatura, autoajuda e outros gêneros. A mesma estatística revela que as editoras vendem menos hoje do que vendiam há dez anos. Tem editora que lança por mês não menos do que 10 títulos novos, nos meses de pique lança 50, 60 e até mais. As livrarias não suportam toda essa produção, nem há leitor pra isso tudo, então o que acontece? As livrarias escolhem pela direção do vento quais títulos venderão mais, diga-se de passagem a maioria desses títulos são levados para as livrarias pelos empregados dos distribuidores, que não são leitores apaixonados por leitura, atendidos por gerentes de livrarias que também não chegam a ler um livro por mês. Aí as livrarias colocam pilhas de livros bem na entrada das lojas, e é assim que estimulam a leitura, digo, vendas. Bem entendido, pilhas de alguns títulos, de uns poucos autores, de algumas editoras que, como se diz no meio sabem o pulo do gato. Não existe esse pulo do gato, existe outra coisa. Vou opinar mais adiante sobre isso. Continuando: em menos de três meses cada título empilhado sai da porta, vai para a estante, vira uma lombada concorrendo com inúmeras outras lombadas e em breve vai para os fundos da loja, ou galpão, ou retorna para a editora. E a velocidade com que as livrarias pagam as editoras não é a mesma, um editor acabou de reclamar comigo que uma grande rede de livrarias está relutando em pagar suas faturas; assim como a velocidade com que as editoras pagam os autores não é a mesma com que o escritores avançam sobre as editoras; assim como a velocidade com que os leitores retornam às livrarias a procura de novos títulos não é a mesma com que a oferta lhes é apresentada. Quem vive do livro é seguramente insano. Francamente eu não consigo conceber como o Editor,
empresário cauteloso e focado no seu capital investido, se submete tão passivamente ao
livreiro. Há uma lei no meio que diz que a gente tem que ser amigo do livreiro. Nem
precisava ser lei, é fácil ser amigo do livreiro, mas isso não significa se submeter a
sua pressão por mais descontos no preço de capa. Aliás, eu acho que isso até atrapalha
o livreiro, o que ele quer mesmo é mais leitores frequentando sua loja, é tráfego, é
rotação de seus produtos de prateleira. E livro barato, quanto mais barato, mais fácil
será para ele conseguir isso tudo. O desconto no preço de capa é apenas uma arma para
ele se defender dos riscos. Uma munição para se defender do over head, dos
custos fixos, obrigações de comerciante e patrão, e por aí afora... Mas o editor em
geral não negocia distinção de descontos para certos títulos que vendem mais; não
negocia desconto se o título não vendeu, não distingue livro disto de livro daquilo;
não discute com a livraria reinvenções táticas de venda, de aumento de tráfego no
ponto de venda, de experimentação de produto, em suma, mas aí eu não me voltou para o
editor em si, mas para os profissionais que trabalham nas editoras, responsáveis pela
circulação dos produtos, são muito passivos. Assim, os patrões, o dono da editora e o
dono da livraria ficam presos a uma certa tendência à afazia, no sentido grego mesmo. Curioso isso, o editor joga livros no mercado, mas não cativa o consumidor final, o leitor, não estimula o hábito de leitura. Isso acontece porque as editoras tem uma estrutura originariamente rente, seca, sem gorduras para maiores elaborações empresariais. É a explicação do editor. Mas não justifica. Pois, o que fica de contraditório aí é que as editoras nunca esquecem aquela função social nobre citada anteriormente. Então, imaginamos, se PERGUNTARMOS PARA essa SANTA TRINDADE DO MUNDO DOS LIVROS, escritor, editor e livreiro, PARA CADA UM DESSES ATORES, SOBRE A SUA FUNÇÃO SOCIAL, que TODOS FARÃO COM A CABEÇA um sinal AFIRMATIVAMENTE. ENTÃO NÓS TEMOS NO MESMO CENÁRIO BRIGANDO PELO PRIMEIRO PAPEL nessa peça de teatro O SEGUINTE: A FOME DE CULTURA, A SEDE DE CONHECIMENTO, A NECESSIDADE DE PRESTÍGIO PROFISSIONAL, E O ÍMPETO NATURAL PELO LUCRO. MAS ISSO NÃO É SÓ: QUANDO SE FALA EM LIVRO COMO PRODUTO, TENDE-SE A COLOCAR TODOS OS LIVROS NUMA MESMA PRATELEIRA. Isso não é possível. Pois HÁ LIVROS COM FOTOGRAFIA DE CACHORRO ASSOCIADA A FRASES QUE MUDAM A VIDA DE UMA PESSOA; há os livros QUE ENSINAM REDES NEURAIS PARA ENGENHEIROS CIVIS; JURISPRUDÊNCIA PARA ADVOGADOS; há OS ROMANCES e contos, e a poesia e as crônicas, SEM ESGOTAR AS CATEGORIAS POR IDADE, SEXO, PREFERÊNCIA SEXUAL, PROFISSIONAL, ESTILO DE VIDA, CREDO E ETC. EM TERMOS DE MARKETING, e aí eu estou falando de marketing mesmo, que na minha opinião é pouco ou quase nada praticado pelas editoras em geral, CADA EDITOR TEM NA PONTA DA LÍNGUA O PERFIL DO MERCADO PARA CADA LIVRO, CADA TEXTO, CADA ABORDAGEM MERCADOLÓGICA, SABE TUDO E NUNCA LANÇA UM TÍTULO PARA PERDER DINHEIRO. ALIÁS ESSA É A REGRA NAS EDITORAS COM OU SEM FINS LUCRATIVOS, NÃO PERDER DINHEIRO. Mas elas perdem sim, e não é raro. E eu sou curioso para saber quantos editores em 2006 estiveram com um plano de marketing nas mãos, planejado e discutido exaustivamente com o seu staff, utilizando metodologias do marketing. Daqui de fora eu acho tudo muito amador, ou empírico. Bem, se há editor que utiliza metodologia de marketing, ele deve estar contente com os resultados e este editor não faz parte daqueles que reclamam subsídios, daqueles que sofrem nas mãos do livreiro, como se o livreiro fosse o vilão. Ora, o livreiro é o salvador dessa pátria dos livros. Eu respeito o empirismo, a experiência do editor antigo, e do livreiro antigo, mas esse empirismo contrasta com a produção gráfica de nossos livros, tão sofisticada quanto em qualquer país de primeiro mundo. Só que aqui, no nosso combalido Brasil, não praticamos a produção de livros variada em tipos de impressão, estou falando agora de merchandizing, porque o suporte do livro nada mais é do que uma embalagem (me refiro à capa e ao miolo), o conteúdo do livro é a essência do produto. Então não temos paper back, brochura, capa dura, etc para cada edição, e isso, por si só é uma anomalia de marketing de produto, de princípio básico de segmentação de produto, e R&D, sourcing, posicionamento, ciclo de vida e etc, falando somente em embalagem. Ah, o mercado não comporta, é pequeno. Tá bom, então impera a atrofia. Não se faz nada, só livros caros, ou com a maior margem de lucro possível, livro parecido com livro de primeiro mundo. Para ser lido por quem lerá pela primeira vez? Destaco aqui uma frase atribuida a Richard Berstein, que
suscita uma longa reflexão junto com o que foi afirmado acima: RECENTEMENTE SAIU NO JORNAL UMA MATÉRIA SOBRE COMO AS EDITORAS FUNCIONAM COM RELAÇÃO AO volume monumental de ORIGINAIS QUE LHES CHEGAM PARA POSSÍVEL PUBLICAÇÃO. O MOTE DA MATÉRIA FOI A PENÚRIA DOS AUTORES DESSES ORIGINAIS, A DIFICULDADE EM VER O SEU LIVRO PUBLICADO. E ESSE É OUTRO ÂNGULO INTERESSANTE DE ONDE SE PODE COMEÇAR O PANORAMA DA CADEIA PRODUTIVA DO LIVRO, mas não aqui, seria uma discussão à parte. Mas acho oportuno lembrar de uma pergunta que fiz numa entrevista com Luis Fernando Verissimo (Rio/Paris 2002): - O que o Senhor acha do consumidor de repente começar a devolver produtos cuja promessa, seja na campanha publicitária, na embalagem ou no próprio conteúdo, não satisfaz, e isso atingir também os livros? RESPOSTA - Uma tendência mundial, hoje, é a revolta dos consumidores, que estão reclamando não so bons produtos como ética das empresas. Mas acho perigoso os leitores começarem a devolver livros quando não gostam do conteúdo... AGORA, TOMANDO O PONTO DE PARTIDA INICIAL DESTE PANORAMA, O DA FUNÇÃO SOCIAL DE QUEM ESTÁ ENVOLVIDO NA PRODUÇÃO DE UM LIVRO, HÁ A DEMANDA REAL OU REPRIMIDA, que eu vou chamar de A FOME OU ANOREXIA DA LEITURA, respectivamente. E É ESTE O PONTO PRINCIPAL, para ONDE TODOS NÓS DEVERÍAMOS ESTAR VOLTADOS. PORQUE CADA UM DE NÓS PERTENCE A ESTE LUGAR NO CENÁRIO GERAL. OU SEJA. O LEITOR DE FATO OU EM POTENCIAL. DAÍ FALARMOS EM HÁBITO DE LEITURA. NÃO É PRECISO REALÇAR O PORQUE DO HÁBITO DE LEITURA SER IMPORTANTE. Ou é? Se for necessário para alguns, vai aqui a declaração de um vendedor de água em farol nas ruas de São Paulo que ajudou a montar uma biblioteca de livros coletados do lixo, no famoso prédio invadido pelos sem teto, o Prestes Maia, diz Lamartine da Silva: eu sobrevivo trabalhando nos faróis, e vivo de ler livros catados no lixo. Bem entendido, vivo de ler, no sentido de não consegue viver sem ler... Agora sim PODEMOS LEMBRAR O PORQUE DAS EDITORAS OSTENTAREM A SUA FUNÇÃO NOBRE NA SOCIEDADE novamente, ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO CULTURAL, INTELECTUAL DAS PESSOAS, A DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO E POR AÍ A FORA. É POR ISSO QUE SE QUER TANTO AUMENTAR O HÁBITO DE LEITURA. É SIMPLES, A EDITORA CUMPRE COM A SUA FUNÇÃO, O ESCRITOR E O LIVREIRO TAMBÉM, A SOCIEDADE COMO UM TODO GANHA E TODOS SAEM LUCRANDO, UNS LUCRAM DINHEIRO MESMO, muito dinheiro, OUTROS LUCRAM alguma fama e um pouco de dinheiro também, os demais lucram TODO AQUELE RESTO JÁ MENCIONADO da função social, saber, conhecimento, etc... É uma das coisas que muitos sabem, mas ninguém diz. DE UM OUTRO MODO PODEMOS DIZER QUE SE ESTIMULARMOS O HÁBITO DE NÃO LEITURA ATROFIA-SE A MENTE E A VIDA DE CADA INDIVÍDUO DE UMA SOCIEDADE. ELE PODERÁ ESTAR BEM ALIMENTADO DE COMIDA, MAS ESTARÁ SUBNUTRIDO DE SABER. Agora me ocorre que há editores e livreiros que não lêem. Editor que não lê nem o que publica; Ah, ele emprega gente pra isso, como é que o editor que publica 30 livros por mês lerá um livro por dia? Não dá. Então esse é mesmo um negócio insano, com função social e vontade de lucro e tudo, é ou não é? Como amigo do livro eu posso dizer isso, porque me sinto em casa, e em casa a gente diz o que quer. Não se esconde nada, só admitimos que pessoas de fora venham falar mal da gente dentro da nossa casa. E quero deixar claro, é óbvio, que tenho uma admiração pelos editores, e livreiros, aquela inveja que a gente diz inveja no bom sentido, invejo a convivência com o picadeiro de livros, sendo produzidos diariamente, adoro o ambiente de gráfica; com a feira que é uma livraria, recebendo, manipulando, vendendo, em contato físico com livros. É um caso crônico. MAS ESTA É UMA APRESENTAÇÃO SOBRE A INICIATIVA PELA
TARIFA ESPECIAL DE POSTAGEM DE LIVRO PELOS CORREIOS JÁ! UMA PROPOSTA OBJETIVA. Mais a
frente eu tento fazer uma ligação desse longo e inacabado raciocínio até aqui. HÁ INÚMEROS OUTROS ATORES QUE NÃO FORAM CITADOS E QUE FAZEM PARTE DESTE CENÁRIO, ou dos bastidores da cadeia produtiva do livro: SÃO OS EDUCADORES, OS BIBLIOTECÁRIOS, OS CONTADORES DE HISTÓRIA, OS GESTORES E ANIMADORES CULTURAIS mais ligados à literatura, AS ASSOCIAÇÕES DE CLASSE ligadas ao livro, OS ADMINISTRADORES DE ÓRGÃOS DE GOVERNO LIGADOS À EDUCAÇÃO E CULTURA, MUNICIPAIS, ESTADUAIS, FEDERAIS, UNIVERSIDADES, ESCOLAS E ENTIDADES DIVERSAS LIGADAS AO LIVRO, À PROBLEMÁTICA DA LEITURA. E TODOS ESSES ATORES ESTÃO EM PERMANENTE ESFORÇO PARA ESTIMULAR O HÁBITO DE LEITURA, alguns, porque são ambivalentes no miolo da cadeia produtiva do livro, fazem o esforço da boca pra fora, apenas. E isso é algo mais que alguns sabem, mas ninguém diz; POR QUE ENTÃO OS RESULTADOS NÃO APARECEM? HÁ UM CÍRCULO VICIOSO, QUASE UM BORDÃO, DO MERCADO QUE RESPONDE ASSIM: O LIVRO É CARO PORQUE NÃO TEM LEITOR, NÃO TEM LEITOR PORQUE É CARO. UM MISTÉRIO DE TOSTINES. Claro que não! EU PODERIA CITAR AINDA A IMPRENSA ESPECIALIZADA, MAS A IMPRENSA É CÍNICA, OS COLEGAS JORNALISTAS AGEM COMO SE JÁ TIVESSEM VISTO DE TUDO NA VIDA. INFELIZMENTE. Agora, se eles ajudassem mesmo, a coisa seria bem diferente. Estou falando dos chefes e diretores de redação que ainda não inventaram outra motivação para a notícia diferente daquela do homem que mordeu o cachorro. O jornalista não inventou ainda outro bordão: quando um cachorro morde um homem não é notícia, só quando um homem morde um cachorro é notícia, para o jornalista, e aí ele abre uma enorme manchete, sangrando de prazer. VOU CITAR ALGUMAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS NOS ESTADOS UNIDOS, onde nasceu e vive meu filho, experiências essas que muitos da audiência devem conhecer também; OS CONCURSOS DE SPELLING, por exemplo, LÁ JÁ SÃO UMA COISA ESPERADA anualmente, NUM CERTO NÍVEL DE EDUCAÇÃO BÁSICA; outra coisa: AS FEIRINHAS DE LIVROS NAS ESCOLAS do ensino FUNDAMENTAL, ONDE OS ALUNOS LEVAM LIVROS USADOS E OS TROCAM COM OUTROS ALUNOS, E OS VENDEM PARA OS PAIS E PARENTES, TUDO ISSO JÁ É QUASE UMA INSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE ENSINO, FAZ PARTE DO CURRÍCULO BÁSICO ESCOLAR; outro exemplo são AS FEIRAS de produtos orgânicos em cidades pequenas, sempre em TORNO DE LIVROS, REALIZADAS EM PRAÇAS PÚBLICAS DE CIDADES PEQUENAS, em ruas de pouco movimento aos fins-de-semana, COM MÚSICA e cachorro-quente, É UM ACONTECIMENTO FEITO PELAS COMUNIDADES, PELA INICIATIVA DE PEQUENOS GRUPOS LOCAIS, REUNIDOS COM O COMÉRCIO LOCAL; eles fazem RECITAIS EM BOOKSTORES, EU PODERIA LISTAR INÚMEROS EXEMPLOS DE EVENTOS GRATUITOS, em todo o território nacional, instituidos como as lojas do McDonald, INFORMAIS E MESMO ASSIM BEM PLANEJADOS, impecáveis. NADA DISSO HÁ NO BRASIL com frequência, informalidade e organização criativa de modo que o acesso seja franco, fácil, e contagiante, que realmente dê prazer, que realmente seja entretenimento, há sempre o foco no circo da venda de livros e da fama, para vender livros. Aqui HÁ É UMA BIENAL TODOS OS ANOS (BIENAL TODOS OS ANOS?) aliás, bienal todos os meses, uma em cada estado, e há estado que realiza bienais no interior, e as bienais das capitais são PERNÓSTICAs, CARAS PARA O CONSUMIDOR FINAL E SELETIVAS. Aquele vendedor de água citado acima, um dia pegou a sua bicicleta e foi até a Bienal do Livro de São Paulo, ao chegar se deparou com um Muro de Berlim e um guichê para venda de ingresso. Claro que não entrou. Há um paradoxo nisso: esses eventos são bons para os poucos escritores privilegiados que são convidados a se apresentarem nos Cafès Literários, recebem um pouco de mídia e um pouco de dinheiro no bolso, mas esses eventos são seletivos, arrancam as pessoas à força de casa, custa caro para elas disputarem uma cadeira perto do escritor que elas acham que é um deus. Não precisava ser assim. A relação pode ser outra, os eventos podem, e devem, ter outro escopo. E acho que os grandes eventos devem continuar, devem inclusive crescer de tamanho e importância. Mas devem crescer também em criatividade e graciosidade, em todos os sentidos do termo. E faço uma ressalva aqui às festas literárias fora do eixo Rio e São Paulo, elas conservam um astral de feira livre, de acesso fácil ao público, e nem por isso deixam de ser bem organizadas e bem conduzidas e devem continuar assim. HÁ A FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE, 52 ANOS DE EXISTÊNCIA, UM CASO Á PARTE, IMPECÁVEL. Vocé entra por uma ponta, sai pela outra, todos os 15 dias do evento, não paga nada, compra livro barato e, com sorte, esbarra num escritor e vê que ele é de carne e osso. Até a ràdio e TV local são feitas no meio de uma pracinha, com paredes de vidro. E não deixa de ter também os debates em auditórios fechados. HÁ AS JORNADAS NACIONAIS LITERÁRIAS que, além de monumentais, reverberam antecipadamente através das pré-jornadas por dezenas de cidades dos estados da região sul do país. Fiquei surpreso quando encontrei o vice-governador do RS e ele me disse que não concorda com o volume de dinheiro que se gasta para se realizar a Jornada Literária. Vai enteder esses políticos. E HÁ A RECENTE E JÁ CONSAGRADA FLIP, mas PERNÓSTICA como as bienais de SP e RJ, E SELETIVA, quase probitiva. A FEIRA DA PRIMAVERA É UMA EXCELENTE IDÉIA, MAS CORRE O RISCO DE IR PELO MESMO CAMINHO DAS BIENAIS E FLIPS. SOBRE A FEIRA DA PRIMAVERA EU PENSO UMA COISA: ELA NASCEU ENTRE as EDITORAs MÉDIAS E PEQUENAS, da LIBRE; COMO UMA EDITORA QUE ERA PEQUENA OU MÉDIA FARÁ SE FICAR GRANDE DE REPENTE? Não é oportuno me estender mais: mas vou citar mais uma área de problema, ou conflito: quanto às iniciativas de estimular o hábito de leitura, ou circulação do livro, ou aumento das vendas de livros que dá no mesmo: Há no momento uma corrente que quer uma Agência do Livro, há um pequeno grupo já encastelado no PNLL e diz que agora tudo tem que passar pelo PNLL, há um grupo de editores e livreiros que resolveu tirar do próprio bolso 1% de seu faturamento e colocar num fundo chamado Fundo do Livro, criando uma ONG para controlar esse fundo; há as Câmaras do Livro, e há os Sindicatos de editores e livreiros, e, conrrendo por fora, sem utilidade nenhuma, a se ver, os Ministérios da Educação e da Cultura, com todas as suas secretarias e altarquias, sem falar das fundações ligadas a universidades. E o hábito de leitura, no país do presidente que gosta de livro com página em branco, continua tendo o índice e 1.8 livro/ano por pessoa. Pra encerrar esse raciciocínio e fazer a ligação com a cadeia produtiva do livro, eu gostaria de citar uma matéria que saiu recentemente na revista Época: do catador de lixo que mora no edifício famoso em São Paulo, o Prestes Maia, que montou uma biblioteca de livros achados no lixo. A reportagem destaca Severino e Lamartine, a história é longa e rica, e comovente, eu me emociono sempre que lembro dos detalhes; hoje eu procurei a repórter que fez a matéria e lhe perguntei se, depois da reportagem, Severino e Lamartine e seus ajudantes receberam algum tipo de oferta de ajuda, apoio, oficial ou de alguma empresa? Consegui o telefone celular do Severino e conversei com a sua mulher, Sra. Roberta, e ela me disse que ...
ENTÃO EU ACHO QUE AS INICIATIVAS PARA SE ESTIMULAR O HÁBITO DE LEITURA PASSAM POR AÍ, o que todos já sabem, ESTÍMULO PARA A EDUCAÇÃO DE VERDADE, DESDE O INÍCIO DA MALHA DO SISTEMA DE ENSINO E PARA TODA A SUA CADEIA PRODUTIVA DE EDUCAÇÃO, vamos dizer assim, mas também, depois disso, não se chegará a lugar nenhum sem A REALIZAÇÃO DE EVENTOS FRANQUEADOS AO PÚBLICO, franqueados mesmo, DE FÁCIL ACESSO, PEQUENOS E CONSISTENTES, QUE ENVOLVAM AS COMUNIDADES, QUE MESMO PEQUENOS TENHAM O APOIO DE GRANDES ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS, EVENTOS E INICIATIVAS QUE SE PERPETUEM PEQUENOS E SE REPRODUZAM COM FREQUÊNCIA E CRIATIVIDADE, criatividade, E FUNDAMENTALMENTE QUE ESTIMULEM O PRAZER, O ENTRETENIMENTO EM TORNO DOS LIVROS, SEM O COMPOSTO PRAZER NÃO É POSSÍVEL FAZER NADA NA VIDA, muito menos competir com cerveja, Internet, sexo, praia, futebol, etc. Está aí o remédio. Mas ainda há uma coisa que muitos sabem, mas ninguém diz: há sempre um boicote tácito velado de um evento pelo organizador de outro evento, ou de uma personalidade para com a outra personalidade, as vaidades. Não posso provar mas tenho uma forte suspeita que isso acontece. Encerrando de fato estes dois tópicos iniciais, da cadeia produtiva do livro e sobre o hábito de leitura, o que muitos sabem, mas ninguém diz, resumindo, é que se quer vender livro, não se quer aumentar o hábito de leitura, ou, não há esforço dessa cadeia produtiva para o aumento do hábito de leitura, há uma passividade e falta de criatividade e disposição para se criar novos meios de circulação do livro, há uma tendência a esconder o pulo do gato, quando o pulo do gato não passa do bom contato com o livreiro. Alguns livreiros conseguem capital, financiamentos a fundo perdido ou quase isso, mas isso não é um pulo do gato do mercado livreiro, é um vôo de águia comum em qualquer mercado. Eu gostaria de me alongar mais, abordar alguns pontos incoerentes e equivocados do estudo dos Professores Fábio de Sá e Geroge Kornis mas, se o fizer rapidamente, vai parecer leviano e isso não é bom. Mas não consigo de apontar pelos menos dois aspectos que não foram considerados no trabalho:
Imaginemos essa gente influenciando o que leremos nos
bancos de faculdade, nas cartilhas de ensino médio e fundamental, ou, pior ainda, nos
romances de ficção cujas histórias que se entranham na gente mais do que qualquer
substância química estranha ao organismo humano. O assunto é longo... - Em primeiro lugar o ímpeto, o
estímulo inicial da campanha foi simpático, movido pela simpatia aos Correios, isto
está dito no web site da campanha várias vezes e na própria carta ao presidente dos
Correios.
- Desde o dia 07 de setembro eu passei a
consumir pelos menos 4 preciosas horas diárias do meu tempo para a campanha; e só não
estou totalmente contente porque apareceu uma pedra no caminho, no caminho apareceu uma
pedra, uma pedra apareceu no caminho e a pedra chama-se Oswaldo Siciliano que eu espero se
transforme numa pedra de açúcar depois de assistir esta apresentação e tomar
conhecimento de todo esse esforço. Francamente, não sei o que deu na cabeça desse
importante livreiro para ir contra a essa campanha que tem tudo para beneficiar todo
mundo. A entrega (e coleta) de encomendas e
correspondências e a prestação de serviços diversos em torno dos produtos dos Correios
são atividades facinantes, do ponto de vista de marketing de produto, empresarial e de
logística. Neste sentido, a TARIFA LIVRO se alinha perfeitamente como produto
"premium" na prateleira dos Correios ao lado da ENTREGA DIRETA, EXPORTA FÁCIL,
IMPORTA FÁCIL e do consagrado SEDEX e suas variações, só para citar algumas ofertas
dos Correios. Por tudo isso eu peço a adesão à campanha à TARIFA
LIVRO e peço ao presidente dos Correios que inicie logo a criação do selo TARIFA LIVRO,
do concurso nacional para criação desse selo e uma política diferenciada de preço
conforme determinada a Lei do Livro. PELA TARIFA LIVRO, muito obrigado. Luís Peazê |
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