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Campanha pela Tarifa Livro de Envio de Livros pelos Correios
Iniciativa lançada em 07/09/2006 por Luís Peazê e Clínica Literária

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tarifa_livro_ect_banner_$.jpg (18523 bytes)Palestra por ocasião do lançamento da campanha(2006) realizada em vários locais

Boa noite. Eu sou o Luís Peazê e gostaria de agradecer a presença de cada um de vocês pela atenção e vontade de conhecer a campanha pela TARIFA REDUZIDA DE ENVIO DE LIVRO PELOS CORREIOS.

E agradeço às pessoas que já aderiram à campanha TARIFA LIVRO, que atenderam ao meu apelo, nestas três primeiras semanas de divulgação.

Antes de começar de verdade, eu gostaria de falar duas coisas:Luis_Peaze-01-palestra_tarifalivro.jpg (44889 bytes)

Primeiro falar da sensação que eu estou tendo após o lançamento da campanha pela TARIFA LIVRO. Me ocorreu a lembrança de um bordão que há entre os cruzeiristas de oceano. Quem já esteve num barquinho de nove metros, em alto mar, pulando de onda em onda, ondas da altura de um pequeno prédio, empurrado por ventos de 30, 40, 50 knots, à noite, longe de casa, do outro lado do mundo, lá no meio do oceano, já perguntou pelo menos uma vez “O QUE EU ESTOU FAZENDO AQUI?” Eu já estive nessa situação, algumas vezes. E diante da força da natureza a gente se descobre frágil, um zé ninguém, quase nada. Algumas vezes, após criar a campanha pela TARIFA LIVRO eu já me fiz a mesma pergunta “O QUE EU ESTOU FAZENDO A QUI?”.

Outra pergunta curiosa me fez o vendedor de coco, aqui na praia onde eu corro todos os dias, eu explicava a campanha para ele e um amigo, enquanto tomava um coco gelado, e ele me perguntou “O QUE EU GANHO COM ISSO?”

A primeira pergunta, no meio do oceano, eu sempre respondi assim:
-    estou aqui porque gosto, sonhei em ancorar numa praia deserta, de preferência numa ilha, e tenho que passar por isso, não tem jeito..

A segunda pergunta eu não consegui responder completamente, mas sei que estou fazendo isso, a campanha pela TARIFA LIVRO, porque gosto de livros, gosto de ler, trabalho com lilvros, e preciso enviar livros pelos Correios.

E já que mencionei algumas vezes os Correios, entrando já no assunto, eu gostaria de deixar bem claro que, desde o início, a idéia original é realçar a excelência dos produtos e serviços dos Correios, e a campanha tem que ser simpática aos Correios e tem apenas o objetivo de melhorar o que já é bom.

Mas eu dividi essa apresentação em três partes, conforme está no programa:

PRIMEIRO eu farei uma análise panorâmica e rápida da cadeia produtiva do livro, levando em conta que há entre nós profissionais que já conhecem bem o assunto, mas que também há pessoas na audiência que têm pouca ou nenhuma informação a respeito; e eu francamente não sei onde exatamente me insiro.

Uma provocação: “O que muitos já sabem, mas ninguém diz.” É pretensioso da minha parte, mas o objetivo é justamente esse, tirar os panos quentes de alguns pontos nevrálgicos da produção de livros, da venda de livros, e da questão do hábito de leitura; esses são exatamente os pontos que respondem o PORQUE DA TARIFA LIVRO já!

SEGUNDO, eu falarei rapidamente sobre as “iniciativas para se aumentar o hábito de leitura neste país” e, na minha opinião, por que os resultados não aparecem?;


EM TERCEIRO, a campanha propriamente dita PELA TARIFA LIVRO já! As motivações da campanha, o desenvolvimento, as ocorrências nas primeiras semanas e as minhas previsões pessimista, provável e otimista.


Panorama da cadeia produtiva do livro:

Quais as fontes de informação que me baseei?

-    As últimas matérias de jornais e revistas, O Globo, a Época, A Folha, sobre o mercado;
-    O livro do Jason Epstein, Book Business: Publishing past, present and future; um livro do Moacir C. Lopes de umas décadas atrás sobre o mercado editorial brasileiro; um lançamento recente da José Olympio, a vida de José Olympio; outros livros que eu tenho aqui sobre o mercado livreiro, preenchendo um metro de minha estante, dos quais eu acho que retenho boa dose de informação pretérita, e da minha própria experiência na Clínica Literária, incluindo consultorias, observações pessoais, conversas com profissionais do ramo e participação em eventos literários e do meio editorial no Brasil e nos Estados Unidos;
-    Por fim, me baseei no trabalho dos Professores Fábio de Sá e George Kornis que o mercado vem deglutindo ultimamente, quem não conhece pode baixar do web site da Clínica Literária – sobre este trabalho me intriga a primeira frase da conclusão final que diz o seguinte:

“A principal conclusão a que chegamos neste estudo foi conseguirmos vislumbrar o tamanho de nossa ignorância...”

-    Aí eu me pergunto: se há farto material sobre o mercado editorial, publicado em revistas e livros, e o BNDES encomendou um trabalho a um departamento de pesquisa de uma universidade e a conclusão começa assim, o que eu posso acrescentar de novo?

Mas vamos lá:

De um determinado ângulo, eu vejo a cadeia produtiva do livro com muitos problemas, e o seguinte encadeamento:

Muitos escritores para poucos leitores; muitas editoras para poucas livrarias e bibliotecas; livreiro pressionando editor por descontos no preço de capa; certos editores passivos submetidos à pressão de certos livreiros; e muita choradeira por incentivos do governo.

Os produtores de livros choram mais do que os produtores de arroz, parecem adolescentes mimados, ganham mesada, não fazem nada e quando fazem capitalizam o ano inteiro querendo mais, sempre mais. Mas é claro, essa é uma provocação que eu faço com um sorriso de amigo, e há ene razões para se tentar explicar por que o mercado funciona assim, se eu estiver correto na minha análise.

E há vários ângulos por onde se analisar a cadeia produtiva do livro. Mas, sem deixar a realidade de lado, sem derivar para o que seria ótimo, ou utopia, a cadeia produtiva do livro envolve uma variedade de atores, ou agentes de produção, igual a qualquer outro produto de mercado. O livro É um produto de mercado. Há quem defenda que o livro não seja uma mercadoria comum. Tudo bem, eu também acho que o livro não é uma mercadoria comum, e eu vou mais longe ainda, acho que o livro deveria ser de graça, ...assim como a comida, a moradia, os remédios, a felicidade, etc.

Quem normalmente está mais ao centro desta cadeia produtiva (incluindo aí não só as pessoas diretamente envolvidas com a produção de um livro, mas os influenciadores também – aquelas pessoas apaixonadas pela leitura), costuma dar uma importância ao produto livro a ponto de endeuzá-lo, uma importânica que não dá a produtos de alimentação que ele mesmo consome, só para citar outro segmento de mercado e fazer uma comparação com o livro.

Um editor, por exemplo, nunca esquece de informar a função social da editora, enquanto um agricultor não tem o hábito de realçar que existe para matar a fome das pessoas. Coloco isso, apenas para equalizar as atividades e lembrar que a literatura, o conhecimento, a cultura, através dos livros, no caso, não é mais deus do que as demais atividades humanas.

No web site da UNIVERSIA BRASIL que congrega universidades brasileiras e de países da América Latina, há a definição do que seja uma EDITORA UNIVERSITÁRIA?
http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?materia=204  

Diz:
“A principal função de uma editora universitária é estimular a produção intelectual de docentes, pesquisadores e estudantes. ... É comparável a uma biblioteca, uma sala de aula ou um laboratório, ou seja, divulga as informações e conhecimentos que são produzidos no âmbito das instituições de ensino superior. “

Informa, este web site, que as editoras universitárias são responsáveis por 8% dos livros publicados no país, o restante pertence às editoras privadas. Neste Web site, segundo o presidente da Associação Brasileira das Editoras Universitárias (ABEU), José Castilho, “não há lei que defina e passe recursos para as editoras universitárias, que são instituições sem fins lucrativos.”

José Castilhos, filósofo, também preside a Editora da Unesp e é um dos principais membros do Conselho Executivo do PNLL – Plano Nacional para o Livro e a Literatura.

COMO SE MANTÊM ESSAS EDITORAS UNIVERSITÁRIAS, DIZ O SITE:

”As editoras universitárias têm como principal fonte de renda os convênios com as próprias instituições de ensino e os recursos gerados através da venda de livros. São empresas sem fins lucrativos.”

Agora, TIRANDO A EXPRESSÃO “SEM FINS LUCRATIVOS”, TODAS AS EDITORAS QUE SE PREZAM TAMBÉM OSTENTAM ESTA FUNÇÃO NOBRE DE “ESTIMULAR A PRODUÇÃO INTELECTUAL, VÃO até MAIS ALÉM, DIZEM “CULTURAL”, NÃO SÓ DOS DOCENTES, PESQUISADORES E ESTUDANTES; DIZEM “DA SOCIEDADE”.

SE ISSO ACONTECESSE DE FATO PODERÍAMOS IMAGINAR UMA SOCIEDADE BRASILEIRA FAMINTA DE COMIDA MAS SAUDÁVEL INTELECTUAL E CULTURALMENTE. A VERDADE É QUE NÃO SOMOS, NEM UMA COISA NEM OUTRA. Pra começar eu conheço editores que são empresários frios como qualquer outro empresário, frio, bem entendido, no sentido de preocupação com o investimento de seu capital. E não há pecado nenhum nisso. Ou há?

Ainda, sobre a topografia da cadeia produtiva de livro: temos menos livrarias que em Buenos Aires; temos menos bibliotecas do que farmácias, muito menos; temos mais editoras do que leitores, exagerando um pouco para destacar o nosso estado de calamidade no mundo da leitura. Há anos eu trabalhava com o índice de 2,5 livro/ano por pessoa e achava isso uma obscenidade. As últimas estatísticas (do trabalho do Fábio de Sá e George Kornis) apontam 1,8 livro/ano por pessoa, sem distinguir livro didático de literatura, autoajuda e outros gêneros. A mesma estatística revela que as editoras vendem menos hoje do que vendiam há dez anos.

Tem editora que lança por mês não menos do que 10 títulos novos, nos meses de pique lança 50, 60 e até mais. As livrarias não suportam toda essa produção, nem há leitor pra isso tudo, então o que acontece? As livrarias escolhem pela direção do vento quais títulos venderão mais, diga-se de passagem a maioria desses títulos são levados para as livrarias pelos empregados dos distribuidores, que não são leitores apaixonados por leitura, atendidos por gerentes de livrarias que também não chegam a ler um livro por mês. Aí as livrarias colocam pilhas de livros bem na entrada das lojas, e é assim que estimulam a leitura, digo, vendas. Bem entendido, pilhas de alguns títulos, de uns poucos autores, de algumas editoras que, como se diz no meio “sabem o pulo do gato”.

Não existe esse pulo do gato, existe outra coisa. Vou opinar mais adiante sobre isso.

Continuando: em menos de três meses cada título empilhado sai da porta, vai para a estante, vira uma lombada concorrendo com inúmeras outras lombadas e em breve vai para os fundos da loja, ou galpão, ou retorna para a editora. E a velocidade com que as livrarias pagam as editoras não é a mesma, um editor acabou de reclamar comigo que uma grande rede de livrarias está relutando em pagar suas faturas; assim como a velocidade com que as editoras pagam os autores não é a mesma com que o escritores avançam sobre as editoras; assim como a velocidade com que os leitores retornam às livrarias a procura de novos títulos não é a mesma com que a oferta lhes é apresentada.

Quem vive do livro é seguramente insano.

Francamente eu não consigo conceber como o Editor, empresário cauteloso e focado no seu capital investido, se submete tão passivamente ao livreiro. Há uma lei no meio que diz que a gente tem que ser amigo do livreiro. Nem precisava ser lei, é fácil ser amigo do livreiro, mas isso não significa se submeter a sua pressão por mais descontos no preço de capa. Aliás, eu acho que isso até atrapalha o livreiro, o que ele quer mesmo é mais leitores frequentando sua loja, é tráfego, é rotação de seus produtos de prateleira. E livro barato, quanto mais barato, mais fácil será para ele conseguir isso tudo. O desconto no preço de capa é apenas uma arma para ele se defender dos riscos. Uma munição para se defender do “over head”, dos custos fixos, obrigações de comerciante e patrão, e por aí afora... Mas o editor em geral não negocia distinção de descontos para certos títulos que vendem mais; não negocia desconto se o título não vendeu, não distingue livro disto de livro daquilo; não discute com a livraria reinvenções táticas de venda, de aumento de tráfego no ponto de venda, de experimentação de produto, em suma, mas aí eu não me voltou para o editor em si, mas para os profissionais que trabalham nas editoras, responsáveis pela circulação dos produtos, são muito passivos. Assim, os patrões, o dono da editora e o dono da livraria ficam presos a uma certa tendência à afazia, no sentido grego mesmo.
Não tenho dados estatísticos para afirmar, mas eu acho que os editores são os atores que menos fazem, menos desenvolvem ações para o aumento do hábito de leitura. É um paradoxo: eles produzem livros, só eles fazem isso, mas não estimulam o aumento do hábito de leitura.

Curioso isso, o editor joga livros no mercado, mas não cativa o consumidor final, o leitor, não estimula o hábito de leitura. Isso acontece porque as editoras tem uma estrutura originariamente rente, seca, sem gorduras para maiores elaborações empresariais. É a explicação do editor. Mas não justifica. Pois, o que fica de contraditório aí é que as editoras nunca esquecem aquela função social nobre citada anteriormente.

Então, imaginamos, se PERGUNTARMOS PARA essa SANTA TRINDADE DO MUNDO DOS LIVROS, escritor, editor e livreiro, PARA CADA UM DESSES ATORES, SOBRE A SUA FUNÇÃO SOCIAL, que TODOS FARÃO COM A CABEÇA um sinal AFIRMATIVAMENTE.

ENTÃO NÓS TEMOS NO MESMO CENÁRIO BRIGANDO PELO PRIMEIRO PAPEL nessa peça de teatro O SEGUINTE: A FOME DE CULTURA, A SEDE DE CONHECIMENTO, A NECESSIDADE DE PRESTÍGIO PROFISSIONAL, E O ÍMPETO NATURAL PELO LUCRO.

MAS ISSO NÃO É SÓ: QUANDO SE FALA EM LIVRO COMO PRODUTO, TENDE-SE A COLOCAR TODOS OS LIVROS NUMA MESMA PRATELEIRA. Isso não é possível. Pois HÁ LIVROS COM FOTOGRAFIA DE CACHORRO ASSOCIADA A FRASES QUE MUDAM A VIDA DE UMA PESSOA; há os livros QUE ENSINAM REDES NEURAIS PARA ENGENHEIROS CIVIS; JURISPRUDÊNCIA PARA ADVOGADOS; há OS ROMANCES e contos, e a poesia e as crônicas, SEM ESGOTAR AS CATEGORIAS POR IDADE, SEXO, PREFERÊNCIA SEXUAL, PROFISSIONAL, ESTILO DE VIDA, CREDO E ETC.

EM TERMOS DE MARKETING, e aí eu estou falando de marketing mesmo, que na minha opinião é pouco ou quase nada praticado pelas editoras em geral, CADA EDITOR TEM NA PONTA DA LÍNGUA O PERFIL DO MERCADO PARA CADA LIVRO, CADA TEXTO, CADA ABORDAGEM MERCADOLÓGICA, SABE TUDO E NUNCA LANÇA UM TÍTULO PARA PERDER DINHEIRO. ALIÁS ESSA É A REGRA NAS EDITORAS COM OU SEM FINS LUCRATIVOS, NÃO PERDER DINHEIRO. Mas elas perdem sim, e não é raro. E eu sou curioso para saber quantos editores em 2006 estiveram com um plano de marketing nas mãos, planejado e discutido exaustivamente com o seu staff, utilizando metodologias do marketing. Daqui de fora eu acho tudo muito amador, ou empírico. Bem, se há editor que utiliza metodologia de marketing, ele deve estar contente com os resultados e este editor não faz parte daqueles que reclamam subsídios, daqueles que sofrem nas mãos do livreiro, como se o livreiro fosse o vilão.

Ora, o livreiro é o salvador dessa pátria dos livros. Eu respeito o empirismo, a experiência do editor antigo, e do livreiro antigo, mas esse empirismo contrasta com a produção gráfica de nossos livros, tão sofisticada quanto em qualquer país de primeiro mundo. Só que aqui, no nosso combalido Brasil, não praticamos a produção de livros variada em tipos de impressão, estou falando agora de merchandizing, porque o suporte do livro nada mais é do que uma embalagem (me refiro à capa e ao miolo), o conteúdo do livro é a essência do produto. Então não temos paper back, brochura, capa dura, etc para cada edição, e isso, por si só é uma anomalia de marketing de produto, de princípio básico de segmentação de produto, e R&D, sourcing, posicionamento, ciclo de vida e etc, falando somente em embalagem. Ah, o mercado não comporta, é pequeno. Tá bom, então impera a atrofia. Não se faz nada, só livros caros, ou com a maior margem de lucro possível, livro parecido com livro de primeiro mundo. Para ser lido por quem lerá pela primeira vez?

Destaco aqui uma frase atribuida a Richard Berstein, que suscita uma longa reflexão junto com o que foi afirmado acima:
“Se depois de procurar em todos os sebos, desistimos e resolvemos comprar um livro caro, na semana seguinte o encontraremos por uma ninharia no primeiro sebo em que entrarmos”.

RECENTEMENTE SAIU NO JORNAL UMA MATÉRIA SOBRE COMO AS EDITORAS FUNCIONAM COM RELAÇÃO AO volume monumental de ORIGINAIS QUE LHES CHEGAM PARA POSSÍVEL PUBLICAÇÃO. O MOTE DA MATÉRIA FOI A PENÚRIA DOS AUTORES DESSES ORIGINAIS, A DIFICULDADE EM VER O SEU LIVRO PUBLICADO. E ESSE É OUTRO ÂNGULO INTERESSANTE DE ONDE SE PODE COMEÇAR O PANORAMA DA CADEIA PRODUTIVA DO LIVRO, mas não aqui, seria uma discussão à parte.

Mas acho oportuno lembrar de uma pergunta que fiz numa entrevista com Luis Fernando Verissimo (Rio/Paris 2002): - O que o Senhor acha do consumidor de repente começar a devolver produtos cuja promessa, seja na campanha publicitária, na embalagem ou no próprio conteúdo, não satisfaz, e isso atingir também os livros? RESPOSTA “- Uma tendência mundial, hoje, é a revolta dos consumidores, que estão reclamando não so bons produtos como ética das empresas. Mas acho perigoso os leitores começarem a devolver livros quando não gostam do conteúdo...”

AGORA, TOMANDO O PONTO DE PARTIDA INICIAL DESTE PANORAMA, O DA FUNÇÃO SOCIAL DE QUEM ESTÁ ENVOLVIDO NA PRODUÇÃO DE UM LIVRO, HÁ A DEMANDA REAL OU REPRIMIDA, que eu vou chamar de A FOME OU ANOREXIA DA LEITURA, respectivamente.

E É ESTE O PONTO PRINCIPAL, para ONDE TODOS NÓS DEVERÍAMOS ESTAR VOLTADOS. PORQUE CADA UM DE NÓS PERTENCE A ESTE LUGAR NO CENÁRIO GERAL. OU SEJA. O LEITOR DE FATO OU EM POTENCIAL. DAÍ FALARMOS EM HÁBITO DE LEITURA.

NÃO É PRECISO REALÇAR O PORQUE DO HÁBITO DE LEITURA SER IMPORTANTE. Ou é? Se for necessário para alguns, vai aqui a declaração de um vendedor de água em farol nas ruas de São Paulo que ajudou a montar uma biblioteca de livros coletados do lixo, no famoso prédio invadido pelos sem teto, o Prestes Maia, diz Lamartine da Silva: “eu sobrevivo trabalhando nos faróis, e vivo de ler livros catados no lixo”. Bem entendido, “vivo de ler”, no sentido de não consegue viver sem ler... Agora sim PODEMOS LEMBRAR O PORQUE DAS EDITORAS OSTENTAREM A SUA FUNÇÃO NOBRE NA SOCIEDADE – novamente, “ESTIMULAR O DESENVOLVIMENTO CULTURAL, INTELECTUAL DAS PESSOAS, A DISSEMINAÇÃO DO CONHECIMENTO E POR AÍ A FORA”.

É POR ISSO QUE SE QUER TANTO AUMENTAR O HÁBITO DE LEITURA. É SIMPLES, A EDITORA CUMPRE COM A SUA FUNÇÃO, O ESCRITOR E O LIVREIRO TAMBÉM, A SOCIEDADE COMO UM TODO GANHA E TODOS SAEM LUCRANDO, UNS LUCRAM DINHEIRO MESMO, muito dinheiro, OUTROS LUCRAM alguma fama e um pouco de dinheiro também, os demais lucram TODO AQUELE RESTO JÁ MENCIONADO da função social, saber, conhecimento, etc... É uma das coisas que muitos sabem, mas ninguém diz.

DE UM OUTRO MODO PODEMOS DIZER QUE “SE ESTIMULARMOS O HÁBITO DE NÃO LEITURA ATROFIA-SE A MENTE E A VIDA DE CADA INDIVÍDUO DE UMA SOCIEDADE”. ELE PODERÁ ESTAR BEM ALIMENTADO DE COMIDA, MAS ESTARÁ SUBNUTRIDO DE SABER.

Agora me ocorre que há editores e livreiros que não lêem. Editor que não lê nem o que publica; Ah, ele emprega gente pra isso, como é que o editor que publica 30 livros por mês lerá um livro por dia? Não dá. Então esse é mesmo um negócio insano, com função social e vontade de lucro e tudo, é ou não é?

Como amigo do livro eu posso dizer isso, porque me sinto em casa, e em casa a gente diz o que quer. Não se esconde nada, só admitimos que pessoas de fora venham falar mal da gente dentro da nossa casa. E quero deixar claro, é óbvio, que tenho uma admiração pelos editores, e livreiros, aquela inveja que a gente diz “inveja no bom sentido”, invejo a convivência com o picadeiro de livros, sendo produzidos diariamente, adoro o ambiente de gráfica; com a feira que é uma livraria, recebendo, manipulando, vendendo, em contato físico com livros. É um caso crônico.

MAS ESTA É UMA APRESENTAÇÃO SOBRE A INICIATIVA PELA TARIFA ESPECIAL DE POSTAGEM DE LIVRO PELOS CORREIOS JÁ! UMA PROPOSTA OBJETIVA. Mais a frente eu tento fazer uma ligação desse longo e inacabado raciocínio até aqui.
DITO ISTO, PASSO PARA A SEGUNDA PARTE DA APRESENTAÇÃO, AS INICIATIVAS PARA SE AUMENTAR O HÁBITO DE LEITURA E COMENTÁRIOS SOBRE O POR QUE DOS RESULTADOS NÃO APARECEM.

HÁ INÚMEROS OUTROS ATORES QUE NÃO FORAM CITADOS E QUE FAZEM PARTE DESTE CENÁRIO, ou dos bastidores da cadeia produtiva do livro: SÃO OS EDUCADORES, OS BIBLIOTECÁRIOS, OS CONTADORES DE HISTÓRIA, OS GESTORES E ANIMADORES CULTURAIS mais ligados à literatura, AS ASSOCIAÇÕES DE CLASSE ligadas ao livro, OS ADMINISTRADORES DE ÓRGÃOS DE GOVERNO LIGADOS À EDUCAÇÃO E CULTURA, MUNICIPAIS, ESTADUAIS, FEDERAIS, UNIVERSIDADES, ESCOLAS E ENTIDADES DIVERSAS LIGADAS AO LIVRO, À PROBLEMÁTICA DA LEITURA.

E TODOS ESSES ATORES ESTÃO EM PERMANENTE ESFORÇO PARA ESTIMULAR O HÁBITO DE LEITURA, alguns, porque são ambivalentes no miolo da cadeia produtiva do livro, fazem o esforço da boca pra fora, apenas. E isso é algo mais que alguns sabem, mas ninguém diz;

POR QUE ENTÃO OS RESULTADOS NÃO APARECEM?

HÁ UM CÍRCULO VICIOSO, QUASE UM BORDÃO, DO MERCADO QUE RESPONDE ASSIM: O LIVRO É CARO PORQUE NÃO TEM LEITOR, NÃO TEM LEITOR PORQUE É CARO.

UM MISTÉRIO DE TOSTINES. Claro que não!

EU PODERIA CITAR AINDA A IMPRENSA ESPECIALIZADA, MAS A IMPRENSA É CÍNICA, OS COLEGAS JORNALISTAS AGEM COMO SE JÁ TIVESSEM VISTO DE TUDO NA VIDA. INFELIZMENTE. Agora, se eles ajudassem mesmo, a coisa seria bem diferente. Estou falando dos chefes e diretores de redação que ainda não inventaram outra motivação para a notícia diferente daquela do homem que mordeu o cachorro. O jornalista não inventou ainda outro bordão: quando um cachorro morde um homem não é notícia, só quando um homem morde um cachorro é notícia, para o jornalista, e aí ele abre uma enorme manchete, sangrando de prazer.

VOU CITAR ALGUMAS EXPERIÊNCIAS PESSOAIS NOS ESTADOS UNIDOS, onde nasceu e vive meu filho, experiências essas que muitos da audiência devem conhecer também; OS CONCURSOS DE SPELLING, por exemplo, LÁ JÁ SÃO UMA COISA ESPERADA anualmente, NUM CERTO NÍVEL DE EDUCAÇÃO BÁSICA; outra coisa: AS FEIRINHAS DE LIVROS NAS ESCOLAS do ensino FUNDAMENTAL, ONDE OS ALUNOS LEVAM LIVROS USADOS E OS TROCAM COM OUTROS ALUNOS, E OS VENDEM PARA OS PAIS E PARENTES, TUDO ISSO JÁ É QUASE UMA INSTITUIÇÃO DO SISTEMA DE ENSINO, FAZ PARTE DO CURRÍCULO BÁSICO ESCOLAR; outro exemplo são AS FEIRAS de produtos orgânicos em cidades pequenas, sempre em TORNO DE LIVROS, REALIZADAS EM PRAÇAS PÚBLICAS DE CIDADES PEQUENAS, em ruas de pouco movimento aos fins-de-semana, COM MÚSICA e cachorro-quente, É UM ACONTECIMENTO FEITO PELAS COMUNIDADES, PELA INICIATIVA DE PEQUENOS GRUPOS LOCAIS, REUNIDOS COM O COMÉRCIO LOCAL; eles fazem RECITAIS EM BOOKSTORES, EU PODERIA LISTAR INÚMEROS EXEMPLOS DE EVENTOS GRATUITOS, em todo o território nacional, instituidos como as lojas do McDonald, INFORMAIS E MESMO ASSIM BEM PLANEJADOS, impecáveis.

NADA DISSO HÁ NO BRASIL com frequência, informalidade e organização criativa de modo que o acesso seja franco, fácil, e contagiante, que realmente dê prazer, que realmente seja entretenimento, há sempre o foco no circo da venda de livros e da fama, para vender livros.

Aqui HÁ É UMA BIENAL TODOS OS ANOS (BIENAL TODOS OS ANOS?) aliás, bienal todos os meses, uma em cada estado, e há estado que realiza bienais no interior, e as bienais das capitais são PERNÓSTICAs, CARAS PARA O CONSUMIDOR FINAL E SELETIVAS.     Aquele vendedor de água citado acima, um dia pegou a sua bicicleta e foi até a Bienal do Livro de São Paulo, ao chegar se deparou com um Muro de Berlim e um guichê para venda de ingresso. Claro que não entrou. Há um paradoxo nisso: esses eventos são bons para os poucos escritores privilegiados que são convidados a se apresentarem nos Cafès Literários, recebem um pouco de mídia e um pouco de dinheiro no bolso, mas esses eventos são seletivos, arrancam as pessoas à força de casa, custa caro para elas disputarem uma cadeira perto do escritor que elas acham que é um deus. Não precisava ser assim. A relação pode ser outra, os eventos podem, e devem, ter outro escopo. E acho que os grandes eventos devem continuar, devem inclusive crescer de tamanho e importância. Mas devem crescer também em criatividade e graciosidade, em todos os sentidos do termo. E faço uma ressalva aqui às festas literárias fora do eixo Rio e São Paulo, elas conservam um astral de feira livre, de acesso fácil ao público, e nem por isso deixam de ser bem organizadas e bem conduzidas e devem continuar assim.

HÁ A FEIRA DO LIVRO DE PORTO ALEGRE, 52 ANOS DE EXISTÊNCIA, UM CASO Á PARTE, IMPECÁVEL. Vocé entra por uma ponta, sai pela outra, todos os 15 dias do evento, não paga nada, compra livro barato e, com sorte, esbarra num escritor e vê que ele é de carne e osso. Até a ràdio e TV local são feitas no meio de uma pracinha, com paredes de vidro. E não deixa de ter também os debates em auditórios fechados.

HÁ AS JORNADAS NACIONAIS LITERÁRIAS que, além de monumentais, reverberam antecipadamente através das pré-jornadas por dezenas de cidades dos estados da região sul do país. Fiquei surpreso quando encontrei o vice-governador do RS e ele me disse que não concorda com o volume de dinheiro que se gasta para se realizar a Jornada Literária. Vai enteder esses políticos.

E HÁ A RECENTE E JÁ CONSAGRADA FLIP, mas PERNÓSTICA como as bienais de SP e RJ, E SELETIVA, quase probitiva. A FEIRA DA PRIMAVERA É UMA EXCELENTE IDÉIA, MAS CORRE O RISCO DE IR PELO MESMO CAMINHO DAS BIENAIS E FLIPS. SOBRE A FEIRA DA PRIMAVERA EU PENSO UMA COISA: ELA NASCEU ENTRE as EDITORAs MÉDIAS E PEQUENAS, da LIBRE; COMO UMA EDITORA QUE ERA PEQUENA OU MÉDIA FARÁ SE FICAR GRANDE DE REPENTE?

Não é oportuno me estender mais: mas vou citar mais uma área de problema, ou conflito: quanto às iniciativas de estimular o hábito de leitura, ou circulação do livro, ou aumento das vendas de livros que dá no mesmo:

Há no momento uma corrente que quer uma Agência do Livro, há um pequeno grupo já encastelado no PNLL e diz que “agora tudo tem que passar pelo PNLL”, há um grupo de editores e livreiros que resolveu tirar do próprio bolso 1% de seu faturamento e colocar num fundo chamado Fundo do Livro, criando uma ONG para controlar esse fundo; há as Câmaras do Livro, e há os Sindicatos de editores e livreiros, e, conrrendo por fora, sem utilidade nenhuma, a se ver, os Ministérios da Educação e da Cultura, com todas as suas secretarias e altarquias, sem falar das fundações ligadas a universidades. E o hábito de leitura, no país do presidente que gosta de livro com página em branco, continua tendo o índice e 1.8 livro/ano por pessoa.

Pra encerrar esse raciciocínio e fazer a ligação com a cadeia produtiva do livro, eu gostaria de citar uma matéria que saiu recentemente na revista Época: do catador de lixo que mora no edifício famoso em São Paulo, o Prestes Maia, que montou uma biblioteca de livros achados no lixo. A reportagem destaca Severino e Lamartine, a história é longa e rica, e comovente, eu me emociono sempre que lembro dos detalhes; hoje eu procurei a repórter que fez a matéria e lhe perguntei se, depois da reportagem, Severino e Lamartine e seus ajudantes receberam algum tipo de oferta de ajuda, apoio, oficial ou de alguma empresa? Consegui o telefone celular do Severino e conversei com a sua mulher, Sra. Roberta, e ela me disse que ...

“apoio de dinheiro, estrutura, instalações, nada disso, senhor... nos convidaram para um evento em Recife, participamos de uma mesa de debate sobre bibliotecas na última Bienal do Livro de São Paulo, e recebemos muitas doações e visitas de artistas...”

-    E, Sra. Roberta, esse evento que está ocorrendo na Av. Paulista, nesta semana (05/10/2006), vocês foram convidados, receberam alguma ajuda financeira, para participar?

"Não, eu nem tô sabendo disso".

ENTÃO EU ACHO QUE AS INICIATIVAS PARA SE ESTIMULAR O HÁBITO DE LEITURA PASSAM POR AÍ, o que todos já sabem, ESTÍMULO PARA A EDUCAÇÃO DE VERDADE, DESDE O INÍCIO DA MALHA DO SISTEMA DE ENSINO E PARA TODA A SUA “CADEIA PRODUTIVA DE EDUCAÇÃO”, vamos dizer assim, mas também, depois disso, não se chegará a lugar nenhum sem A REALIZAÇÃO DE EVENTOS FRANQUEADOS AO PÚBLICO, franqueados mesmo, DE FÁCIL ACESSO, PEQUENOS E CONSISTENTES, QUE ENVOLVAM AS COMUNIDADES, QUE MESMO PEQUENOS TENHAM O APOIO DE GRANDES ENTIDADES PÚBLICAS E PRIVADAS, EVENTOS E INICIATIVAS QUE SE PERPETUEM PEQUENOS E SE REPRODUZAM COM FREQUÊNCIA E CRIATIVIDADE, criatividade, E FUNDAMENTALMENTE QUE ESTIMULEM O PRAZER, O ENTRETENIMENTO EM TORNO DOS LIVROS, SEM O COMPOSTO PRAZER NÃO É POSSÍVEL FAZER NADA NA VIDA, muito menos competir com cerveja, Internet, sexo, praia, futebol, etc. Está aí o remédio. Mas ainda há uma coisa que muitos sabem, mas ninguém diz:

há sempre um boicote tácito velado de um evento pelo organizador de outro evento, ou de uma personalidade para com a outra personalidade, as vaidades. Não posso provar mas tenho uma forte suspeita que isso acontece.

Encerrando de fato estes dois tópicos iniciais, da cadeia produtiva do livro e sobre o hábito de leitura, o que muitos sabem, mas ninguém diz, resumindo, é que “se quer vender livro, não se quer aumentar o hábito de leitura, ou, não há esforço dessa cadeia produtiva para o aumento do hábito de leitura, há uma passividade e falta de criatividade e disposição para se criar novos meios de circulação do livro, há uma tendência a esconder o pulo do gato, quando o pulo do gato não passa do bom contato com o livreiro”.

Alguns livreiros conseguem capital, financiamentos a fundo perdido ou quase isso, mas isso não é um pulo do gato do mercado livreiro, é um vôo de águia comum em qualquer mercado.

Eu gostaria de me alongar mais, abordar alguns pontos incoerentes e equivocados do estudo dos Professores Fábio de Sá e Geroge Kornis mas, se o fizer rapidamente, vai parecer leviano e isso não é bom.

Mas não consigo de apontar pelos menos dois aspectos que não foram considerados no trabalho:

1 – como toda a análise econômica, o capital, o bem, o produto, e, consequentemente, a visão de negócio sobrepõem a visão social; no caso dessa análise do Fábio de Sá e George Kornis, com respeito ao livro, foi ignorado o composto do produto livro, que é único, que é sim parte daquela importante função social complexa (porque atinge tanto o cérebro quanto o coração das pessoas de infinitas formas);

2 – numa das sugestões que os autores dão é triste, se não fosse antes perigosa; eles recomendam que os laboratórios farmacêuticos incentivem financeiramente a produção de livros de medicina; ora, a indústria farmacêutica, a “pharma power”, já “incentiva”, já influencia, direciona quase toda a pesquisa científica no mundo, impondo uma hegemonia de uma visão da medicina lesional; impondo a fabricação de drogas sintéticas e inibindo (proibindo) qualquer outra prática de medicina natural, e estilo de vida; todos os laboratórios farmacêuticos multinacionais estão controlados por conglomerados financeiros, pelas Bolsas de Valores”, daí seu objetivo é o lucro, apenas, em escala; numa entrevista ao Herald Tribune um ex-excutivo do Laboratório Pfeizer disse que ““O primeiro desastre é se você mata pessoas. O segundo desastre é se as cura. As boas drogas de verdade são aquelas que você pode usar por longo e longo tempo”.

Imaginemos essa gente influenciando o que leremos nos bancos de faculdade, nas cartilhas de ensino médio e fundamental, ou, pior ainda, nos romances de ficção cujas histórias que se entranham na gente mais do que qualquer substância química estranha ao organismo humano. O assunto é longo...

ENTÃO VAMOS LÁ: POR QUE A TARIFA LIVRO JÁ?

-    Em primeiro lugar o ímpeto, o estímulo inicial da campanha foi simpático, movido pela simpatia aos Correios, isto está dito no web site da campanha várias vezes e na própria carta ao presidente dos Correios.

-    Mas toda vez que eu vou colocar um livro nos Correios eu fico contrariado; por exemplo, a minha irmã lá de Porto Alegre pede um livro meu para dar de presente a uma amiga, o Alvídia – Um Horizonte a Mais e eu digo: – Claro, mana, eu mando o livro de presente para a tua amiga, mas e os Correios, quem paga? Custa mais do que o livro; ou então quando compro um livro pela Internet, no site da campanha TARIFA LIVRO eu publico exemplos de compras de livros na Siciliano, Saraiva e UNESP. Uma simulação de um título da Record que está à venda na Siciliano por 4,90 e o frete é 7,20; Ou ainda, é impossível não comparar, quando compro um livro nos Estados Unidos para dar para meu filho que vive no Tenessee, o livro fica mais barato do que um livro nacional, e o meu filho recebe-o em casa dentro de dois dias com uma taxa de correio mais barata que o serviço postal brasileiro; semana passada eu comprei um livrinho para mim mesmo na Amazon.com e o recebi com uma taxa de frete menor do que o preço do livro, nada mais lógico, mesmo sendo um despacho internacional.

-    Só isso já seria razão suficiente para querer uma TARIFA LIVRO. Mas há uma Lei do Livro que estabelece “tarifa especial reduzida para envio de livro brasileiro”; este é um anseio antigo do mercado livreiro, dos editores, dos profissionais do livro; ninguém pode ser contra, ou será que tem gente contra? Por que estaria contra? Será que tem, por exemplo, rede de livraria gozando de descontos especiais dos Correios e não os repassa ao consumidor? Isso seria crime, acho que não há essa prática.

-    Então eu estava com o convite da Marinha parar assistir as paradas de 07 de Setembro no palanque oficial e fiquei com preguiça de tamanha solenidade e tive o estalo, fazer algo patriótico, é verdade, e tive a idéia da campanha TARIFA LIVRO. O passo seguinte foi transpirar, planejar e trabalhar sem parar até hoje.

-    Tomei a decisão da campanha no dia 04 de setembro e no dia 07, em pleno feriado eu já havia pedido ao amigo Moacyr Scliar um depoimento de aval à campanha, dado sem pestanejar. No mesmo dia eu liguei para a Professora Tänia Rösing em Passo Fundo e fiz o mesmo pedido, enviei e-mail, e mais um, bem, o caso quase cômico e triste é contado no web site da Clínica Literária em “Tarifa Livro, o que e isso?”.

-    No dia 08 eu coloquei a Carta à ECT por Sedex nos Correios e telefonei para o presidente dos Correios comunicando a campanha; e a campanha é basicamente isso:

  • uma carta ao Presidente dos Correios;

  • adesões, minha meta é um milhão, simbolicamente;

  • newsletter padrão para as pessoas colaborarem na divulgação;

  • um concurso preliminar de criação do selo TARIFA LIVRO;

  • um fórum para divulgação de casos de envio de livros pelos Correios;

  • depoimentos de personalidades do mundo dos livros;

  • eu criei uma logomarca que repasso a quem queira, como eu, imprimir adesivos, banner ou camisetas e bonés;

  • estimulo a colocação do link e logomarca da campanha em outros web sites;

  • há uma página para notícias da campanha;

  • e, por fim, sugestões para os Correios;

-    Desde o dia 07 de setembro eu passei a consumir pelos menos 4 preciosas horas diárias do meu tempo para a campanha; e só não estou totalmente contente porque apareceu uma pedra no caminho, no caminho apareceu uma pedra, uma pedra apareceu no caminho e a pedra chama-se Oswaldo Siciliano que eu espero se transforme numa pedra de açúcar depois de assistir esta apresentação e tomar conhecimento de todo esse esforço. Francamente, não sei o que deu na cabeça desse importante livreiro para ir contra a essa campanha que tem tudo para beneficiar todo mundo.

-    Por que eu estou convencido que a TARIFA LIVRO não vai resolver aqueles problemas apontados no início, da cadeia produtiva do livro, mas será um impulso psicológico e prático substancial, fará o livro circular mais, não haverá essa desculpa do frete para se comprar livro, para se dar livro de presente. Será menos um problema para cada um envolvido na cadeia produtiva do livro que já tem incentivo fiscal empresarial, na compra do papel, no levantamento de verba de patrocínio de empresas de outros segmentos, e agora terá a TARIFA LIVRO que já existe em vários países.

No e-mail que enviei ao Presidente dos Correios convidando para a palestra eu argumentei o seguinte:

“A entrega (e coleta) de encomendas e correspondências e a prestação de serviços diversos em torno dos produtos dos Correios são atividades facinantes, do ponto de vista de marketing de produto, empresarial e de logística. Neste sentido, a TARIFA LIVRO se alinha perfeitamente como produto "premium" na prateleira dos Correios ao lado da ENTREGA DIRETA, EXPORTA FÁCIL, IMPORTA FÁCIL e do consagrado SEDEX e suas variações, só para citar algumas ofertas dos Correios.

No que diz respeito ao mercado livreiro, e mais importante que tudo, à leitura e sua importância, a TARIFA LIVRO representa mais do que um benefício direto, econômico-financeiro ao público em geral. Trata-se de uma oportunidade simbólica de impacto positivo incalculável a curto, médio e longo prazos para a leitura em nosso país. Será emblemática, os Correios transportarão para sempre o selo do estímulo pela leitura e da disseminação do conhecimento. Abertura de um leque ilimitado de oportunidade de exploração institucional pró-construtiva."

Por tudo isso eu peço a adesão à campanha à TARIFA LIVRO e peço ao presidente dos Correios que inicie logo a criação do selo TARIFA LIVRO, do concurso nacional para criação desse selo e uma política diferenciada de preço conforme determinada a Lei do Livro.

PELA TARIFA LIVRO, muito obrigado.

Luís Peazê



           

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